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'Foi um milagre', diz mãe que viu filha ser baleada após erro de GPS

Criança de apenas seis anos sobreviveu porque tiro atingiu cadeirinha que 'amorteceu' o impacto. Caso aconteceu no litoral de São Paulo.

Por G1 01/01/2018 12h00
'Foi um milagre', diz mãe que viu filha ser baleada após erro de GPS
Reprodução - Foto: Assessoria
A mãe da criança baleada durante uma tentativa de assalto em Santos, no litoral de São Paulo, falou pela primeira vez sobre os detalhes do que ocorreu na madrugada da última quinta-feira (28), quando a família, perdida após seguir instruções erradas de um aplicativo de trânsito, foi abordada por criminosos que atiraram contra o carro. Um dos disparos acertou a menina de seis anos, que, segundo a Polícia Militar Rodoviária, foi salva pela cadeirinha onde estava. Ela poderá ficar com a bala alojada no corpo para o resto da vida. Em entrevista exclusiva ao G1, a mãe, que prefere não se identificar, conta que, na última quarta-feira (27), a menina começou a reclamar de dor no dente durante o dia. A família estava em uma casa de veraneio em Itanhaém, também no litoral paulista, aproveitando o período de férias. "Já de noite, ela continuou reclamando e, quando olhei, vi uma bolinha amarela na gengiva dela, perto do dente. Pensei até que fosse pipoca, que ela havia comido de tarde", relembra. A mãe relata que, de repente, lembrou do caso de uma atriz que teve uma infecção generalizada por conta de um problema no dente. "Isso já era de madrugada eu lembrei desse caso e comecei a ficar preocupada. Quando era 1h30 da manhã, ela começou a ter febre, e foi aí que decidimos levá-la ao médico". A mãe disse que ligou para o plano de saúde odontológico da família, que indicou um local em Santos onde ela poderia receber atendimento. Em seguida, ela colocou o endereço no aplicativo de trânsito. No carro, estavam ela, uma sobrinha, a filha e o marido como motorista. "A atendente me disse que era perto da Avenida Nossa Senhora de Fátima. Pegamos todas as referências e fomos, pouco antes das 2h. Passamos por Praia Grande, São Vicente... De repente, o aplicativo começou a indicar para virarmos à direita, mas não tinha onde virar, estávamos na estrada. Pela lógica, meu marido disse que entraria na próxima rua que conseguisse entrar à direita", explica. Ela conta que, assim que viram uma avenida no caminho, entraram à direita. Em seguida, o aplicativo indicou que eles virassem à esquerda. "Foi quando entramos em uma rua com pouca iluminação, e fomos abordados pelos bandidos, que estavam armados. Eles se jogaram na frente do nosso carro, meu marido começou a gritar, eu disse 'acelera e vai', e pedi para as meninas, que estavam atrás, se abaixarem. Foi desesperador". Segundo a polícia, a família foi abordada na Rua Boris Kauffman, no bairro Chico de Paula, próximo a uma favela. A família se abaixou para fugir dos tiros que eram disparados incessantemente pelos bandidos. Após saírem do tiroteio, a mãe conta que perguntou se todos estavam bem, e as crianças responderam que sim. "Continuamos dirigindo e achamos uma avenida iluminada, quando, de repente, minha filha disse que estava saindo água das costas dela. Pensei que fosse suor mas, quando olhei, era sangue, estava jorrando sangue", relembra a mãe emocionada que, em seguida, disse que gritou para o marido: "Corre que ela foi baleada". A partir daí, a mãe conta que eles saíram desesperados para encontrar qualquer atendimento próximo. Eles acharam uma viatura da Polícia Militar Rodoviária estacionada, e a equipe ajudou a família a chegar à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cubatão, onde a menina recebeu os primeiros socorros. "Lá não havia estrutura para cuidar do caso dela, então ela foi transferida para a Santa Casa de Santos, mas isso demorou quatro horas para acontecer. Foram quatro horas de agonia". Após a menina chegar à Santa Casa e ser avaliada pela equipe médica de plantão, veio a boa surpresa: a bala que atingiu a criança na região lombar desceu para a perna e não afetou nenhum órgão vital. Ela não corria risco de morte. "Os médicos disseram que não sabem como isso aconteceu, foi um milagre. A vida da minha filha foi um milagre". A mãe conta que, ao apertar a perna da criança é possível sentir a bala alojada. Segundo informações da Polícia Militar Rodoviária, o tiro atravessou o porta-malas do carro e a cadeirinha antes de atingir a criança. O impacto no equipamento diminuiu a força da bala, salvando a vida da menina. Em nota, a Santa Casa de Santos informou que a equipe de cirurgia pediátrica optou por não retirar o projétil, porque o mesmo não estava alojado próximo a nenhum órgão, portanto, não havendo indicação de cirurgia de urgência. A criança recebeu alta e, segundo a mãe, está tomando antibióticos para evitar complicações. Existe a possibilidade de a bala não ser retirada. Após o susto, ela faz um alerta. "Os aplicativos de trânsito devem criar uma maneira de nos enviar mensagens quando a área é de risco. Eu não quero que isso aconteça com mais ninguém, nenhuma família merece passar pelo que passamos", desabafa.