PSICÓLOGA SONJA CAMELO

SETEMBRO AMARELO: PRESENÇA QUE ACOLHE

PSICÓLOGA SONJA CAMELO 22 de setembro de 2026

Neste Setembro Amarelo, talvez a primeira forma de esperança seja aprender a permanecer perto, podemos oferecer presença, escuta e cuidado.

Às vezes, uma pergunta simples abre uma fresta de luz:

“Como você está de verdade?”

E, depois de perguntar, é preciso permanecer. Sem pressa. Sem julgamentos.

A esperança nem sempre chega como uma grande certeza. Muitas vezes, ela aparece de maneira discreta: na mensagem enviada no momento certo, na mão que não solta, na consulta marcada, na porta que permanece aberta, na coragem de pedir ajuda.

É importante lembrar: buscar apoio não é sinal de fraqueza. É uma forma de cuidado. Há dores que precisam ser compartilhadas, acompanhadas e tratadas com responsabilidade.

A psicoterapia pode ajudar a organizar o que parece confuso, nomear o que machuca e reconstruir caminhos possíveis. A espiritualidade, para quem crê, pode oferecer um lugar de descanso, confiança e sentido.
A oração não substitui o cuidado profissional. Mas pode sustentar o coração enquanto o cuidado acontece.
Há dias em que a pessoa não consegue fazer longas orações. Talvez consiga apenas dizer:

“Senhor, fica comigo,
Ajuda-me a atravessar este dia.”
E, às vezes, resta apenas um silêncio diante de Deus.
Ainda assim, o silêncio pode ser uma forma de presença.
A esperança não exige que alguém esteja bem o tempo todo. Ela não nega o cansaço, não diminui a tristeza e não obriga ninguém a sorrir antes da hora.
Esperança é acreditar que o estado atual não precisa ser o capítulo final.
É permitir que amanhã exista, mesmo quando hoje parece pesado demais.
É aceitar ajuda.
É voltar a conversar.
É tomar água, abrir a janela, marcar uma consulta, levantar devagar.
Pequenos gestos também podem ser pontes.
Na prática clínica, aprendi a respeitar profundamente esses movimentos da alma. Uma pessoa que retorna. Uma lágrima que finalmente encontra espaço. Uma palavra que consegue ser dita. Um pedido de ajuda feito depois de muito tempo.
Nada disso é pequeno.
Há vidas inteiras sendo reconstruídas em gestos que ninguém vê.

Por isso, neste Setembro Amarelo, que não sejamos apenas pessoas que falam sobre esperança, mas pessoas que a pratiquem.
Que saibamos procurar quem se afastou.
Que não tratemos o silêncio como indiferença.
Que não ofereçamos frases prontas quando alguém precisa de escuta.
Que tenhamos coragem de perguntar, paciência para permanecer e humildade para encaminhar ao cuidado adequado.
E que também nos lembremos de cuidar de nós.
Ninguém precisa atravessar tudo sozinho. Pedir ajuda pode ser o primeiro sinal de que ainda existe dentro de nós uma parte que deseja continuar tentando.
A esperança não é uma luz intensa mas uma pequena chama através de uma mensagem, uma oração, uma consulta, um abraço, um novo amanhecer.
E, quando tudo parecer escuro demais, que alguém esteja por perto para dizer, com ternura e verdade:
“Vamos atravessar este momento juntos.”
Porque a esperança começa assim:
não como uma resposta completa, mas como uma presença que permanece.
E há presenças que ajudam a vida a encontrar o caminho de volta. ‎