Petrucia Camelo

SALVE, ANO NOVO!

Petrucia Camelo 29 de dezembro de 2025

O Ano Novo, se veste de festa, querendo chamar a atenção para o que se é, para o que se fez, para o que se faz, para o que se há de fazer, para se entender que 05 seres sucumbem, progridem; que são como o movimento das estrelas, que morrem ou mudam de lugar, são como as ondas do mar que molham com suavidade ou atingem a orla, a violentar. Sorver o champanha é brindar a vida em novo tempo, que no Ano Novo se abre em leque de novas alternativas.

O calendário irá correr infinitamente mais uma vez, e, de acordo com o modo de viver, para uns, será como uma roleta russa; para outros, a vida não perderá o curso, o sonho de viver persistirá distinto por suas características individuais, a persistir com seus realces, com suas alegrias e tristezas, mostrando também a colheita das horas que, para uns e outros, parece vazia, no entanto, para o artista servirá para compor a sinfonia da alma, pois a inspiração está em derredor.

Sabe-se que a vida, que o tempo presenteia, pode-se compará-la com o tempo do mandato político, que deve ter à mostra o trabalho em ritmo de prioridades, conduzido pelo conhecimento dos problemas da comunidade a serem encarados, pela força da liderança, coordenação e coerência à vida pública, que não é a espera de resultados de acomodação, de soluções sem base, e, menos ainda, não é um acerto de contas com Deus. E antes de tudo uma forma de ser Seu aliado participativo, utilizando aquilo que já se encontra dentro de cada indivíduo; é isso que interessa a Deus.

A chegada do Ano Novo, tomado de alegria comemorativa, por poder fazer a travessia, faz lembrar um halo de salvação, contido no sentimento de liberdade de levas que foram contempladas pela misericórdia divina que usou de ferramentas propícias ao salvamento de sobreviventes; em Noé, tem-se, em sua barca, os que foram resgatados da grande inundação; em Êxodos, a chegada dos hebreus à terra prometida. E bem mais próximo, a vitória dos imigrantes que conseguiram fazer a travessia do terror, desde além mar. E mais próximos ainda, aqueles que conseguem salvar-se nos leitos dos corredores hospitalares, e, ainda mais, aqueles que sobrevivem na escuridão da ignorância, acometidos de analfabetismo.

Na festividade do Ano Novo deseja-se todo o tipo de boa sorte, porém necessário se faz entender que não se deve iniciar o ano simplesmente com o clima do envolvimento festivo, mas, sobretudo, com a responsabilidade de saber entender que, no transcurso do ano, deve-se refletir sobre a atitude comportamental, tomando consciência de que se deve ter o compromisso com tudo o que se faz, com aquilo que produz, somando-se ao desejo de contribuir para o desenvolvimento global.

O Ano Novo faz dobrarem os sinos do campanário, para saudá-lo com festa, ou faz vê-lo como se fosse um peso de papel sobre a mesa, até que mãos interessadas o retirem e ponham em ordem por prioridade a papelada de problemas a resolver, pois, enquanto houver vida, o tempo estará ao redor, honrando seus compromissos.

No andamento do tempo, o Ano Novo conduzirá sempre a humanidade a novas percepções, tomando como base as experiências vivenciadas anteriormente, até mesmo retiradas de momentos catastróficos e, sem dúvida, somadas às novas ideias de criatividade, sem querer e sem poder padronizar, pois se sabe que todos os povos possuem a sua própria cultura e que os indivíduos possuem as suas próprias ideias, opiniões e escolhas diferenciadas; entende-se que também se faz necessária a discordância, para que haja aprimoramento.

Não se deve fingir um falso relacionamento com o Ano Novo; não se deve dizer-lhe nada de ofensivo; ele não perdoará; devem-se tratar com justiça e cautela os assuntos: futebol, política, sexo e religião; não é recomendável prometer coisa alguma que não se possa cumprir. De quando em quando, por momentos, deve-se descansar nele os graves problemas que se têm a resolver, ter fé, sorrir-lhe e fazer que ouça cantos dos salmos do rei Davi; falar-lhe sobre o perdão, tolerância, renúncia, confabulando os temores, analisando os feitos, até então, com erros e acertos, sempre reafirmando o propósito inicial de equilíbrio, comprometimento, desenvolvimento humano e social, paixão e amor pela vida. Com certeza, na menor oportunidade, o Ano Novo irá contar a Deus!