As mãos de ‘Coragem’ conquistam clientes

Pesquisa mostra avanço do empreendedorismo entre pessoas maduras; massoterapeutas recém-formadas oferecem atendimento acessível promovendo bem-estar em praça e projeto universitário fortalece inclusão do público 60+ em sala de aula

Por Lucas França e Valdete Calheiros - Repórteres / Bruno Martins: Revisão / Edilson Omena: Foto da capa | Redação Tribuna Hoje

A movimentação na Praça da Guarda Municipal, no Conjunto Joaquim Leão, no bairro da Ponta Grossa, próximo aos bairros de Vergel do Lago e Prado, está diferente graças ao trabalho da massoterapeuta Quitéria Maria dos Santos Lima, de 60 anos, carinhosamente conhecida na região como “Coragem”. Quem passeia por lá, tem motivos de sobra para voltar. O segredo está nas “mãos de fada” da “Coragem”.

Recém-formada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), “Quitéria Coragem” exerce a profissão em um cantinho na praça pública.

Sem recursos, por enquanto, para montar uma clínica de massoterapia, ela resolveu, junto à amiga e colega de turma Maria Helena da Silva Pereira, também de 60 anos, colocar a atividade profissional em prática e ajudar sua clientela a ter momentos de autocuidado e relaxamento.

“Quitéria Coragem” é versátil. Multiprofissional, já fez de tudo para ajudar na renda de casa. Bastante conhecida na região, já emprestou seus serviços à comunidade como cabeleira, depiladora, manicure, fora outras tantas atribuições que ela disse nem lembrar quais. Ela garantiu ter dedicado muito amor e técnica a cada um dos ofícios que já exerceu na vida.

Com raízes nos povos indígenas de Viçosa, “Coragem” agora é viúva e mora em sua residência com um filho. Ela ainda dedica tempo e carinho a dois netos.

Nas horas vagas, a também massoterapeuta Maria Helena, natural de União dos Palmares, trabalha ainda como feirante no Jacintinho. Na agenda, acumula as atribuições de mãe, esposa e avó.

De domingo a domingo, das 10h às 21h, as duas estão lá com a cadeira de massagem e todos os demais apetrechos que fazem parte da técnica milenar, cujas origens remontam a civilizações antigas na China, Índia, Grécia e Egito.

Massagem com bambuterapia é uma das técnicas aplicadas por Quitéria 'Coragem' (Foto: Edilson Omena)

A cada cliente, dedicam o tempo de 15 minutos. O serviço varia entre R$ 25 e R$ 30. Pagamentos são feitos em espécie ou via Pix. Pessoas a partir dos seis anos de idade já podem receber a técnica de massagem.

As massoterapeutas prometem que a clientela pode dar adeus às dores no pescoço e nas costas. Maria Helena afirmou que o antídoto para o estresse diário está a apenas uma massagem de distância.

De acordo com “Coragem”, em apenas 15 minutos, a clientela tem a garantia da leveza e do bem-estar.

Uma das clientes mais assíduas é Juliana Flórida. Ela disse que esquece do mundo e dos problemas durante os minutos em que está sob os cuidados das massoterapeutas. “Nunca imaginei ter acesso a um serviço tão bom como este e com um preço tão acessível, justo. Quando estou aqui, sou dona de mim, do meu tempo e da minha qualidade de vida”.

Das mãos de “Coragem” e Maria Helena, o leque de serviços vai além da massoterapia. Elas oferecem também serviços de tratamento capilar, massagens relaxantes, massagem com pedras quentes, massagem esportiva, massagem facial com esferas, com cromoterapia, massagem com bambuterapia e ventosaterapia.

Massoterapia é um conjunto de técnicas terapêuticas manuais focadas em promover o bem-estar, aliviar dores musculares, reduzir o estresse e estimular a circulação.

Diferente de uma massagem comum, ela é executada por um profissional com formação técnica que avalia o paciente e utiliza métodos ocidentais e orientais.

Na massoterapia, as principais técnicas utilizadas são a massagem relaxante focada em aliviar a tensão diária e diminuir os níveis de estresse, a drenagem linfática que estimula o sistema linfático, auxiliando na redução de inchaços e retenção de líquidos, o shiatsu e reflexologia, terapias orientais que trabalham pontos específicos para equilibrar a energia do corpo e aliviar dores e as massagens modeladora e desportiva, focadas em estética e melhora do rendimento físico, respectivamente.

Entre os benefícios estão o alívio de dores (como nas regiões lombar e cervical, além da redução na cefaleia); a melhora significativa na qualidade do sono e diminuição nos quadros de ansiedade, o auxílio no processo digestivo e na liberação de toxinas e o aumento da sensação de relaxamento e disposição.

As massoterapeutas ainda contam com um diferencial para oferecer aos clientes. O diácono Cícero Cantor oferece hinos religiosos ao som do violão, durante o tempo em que dura a massagem.

Nunca é tarde: mais de 220 idosos estudam no Senac Alagoas

A busca por conhecimento não tem idade. Em Alagoas, o Senac contabiliza atualmente 224 alunos com mais de 60 anos matriculados em cursos de educação profissional. Desse total; 189 são mulheres e 35, homens; e a instituição já chegou a receber um estudante de 92 anos.

Os idosos representam cerca de 2,25% do total de estudantes da instituição e procuram o Senac principalmente para se atualizar diante das novas tecnologias, conquistar uma recolocação no mercado de trabalho ou investir no próprio negócio.

Entre os cursos mais procurados estão os de curta e média duração, especialmente na área de tecnologia. O Senac também oferece capacitações voltadas especificamente ao público da maturidade, como Informática para a Maturidade – Windows, Word e Internet e Smartphone e seus Aplicativos para Maturidade. No catálogo nacional, são mais de 15 cursos destinados a esse público.

Unidade do Senac no Poço, em Maceió (Foto: Assessoria)

A instituição, no entanto, destaca que pessoas com mais de 60 anos podem se matricular em qualquer curso de interesse, independentemente da faixa etária para qual a formação foi criada.

Com atuação voltada aos setores de comércio, serviços e turismo, o Senac oferece cursos de qualificação, aperfeiçoamento, aprendizagem e formação técnica em áreas como tecnologia da informação, gestão, saúde, gastronomia, turismo, beleza, moda, comunicação e comércio.

Segundo a instituição, o objetivo é promover a empregabilidade, estimular o empreendedorismo e contribuir para o desenvolvimento econômico por meio da educação profissional, reforçando que nunca é tarde para aprender e construir novos caminhos.

O Senac também disponibiliza bolsas gratuitas em diversos cursos. As oportunidades e os períodos de matrícula são divulgados nos canais oficiais da instituição.

'A Unapi representa uma mudança de perspectiva sobre o envelhecimento, valorizando a experiência e a contribuição social das pessoas idosas dentro e fora da universidade', destaca a professora Sara Cerqueira, da Uneal.

Atividade do programa Universidade Aberta à Pessoa Idosa (Unapi), da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) (Foto: Assessoria)


Unapi fortalece inclusão e aprendizagem de pessoas idosas na Uneal

A Universidade Aberta à Pessoa Idosa (Unapi), programa da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), vem se consolidando como uma importante iniciativa de extensão voltada à inclusão social, ao envelhecimento ativo e à valorização da pessoa idosa no ambiente universitário. A ação promove atividades permanentes de ensino, pesquisa e extensão, presenciais e a distância, destinadas a pessoas com 60 anos ou mais, integrando esse público ao cotidiano acadêmico. O programa está presente nos campi III, em Palmeira dos Índios, e IV, em Maceió.

Baseado no Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003), na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996) e na Resolução nº 002/2023-CONSU/UNEAL, a Unapi garante respaldo legal para ações de educação ao longo da vida e formação continuada. Criado em 2018 como projeto de extensão no Campus III, o programa evoluiu para ação institucional e, desde 2023, também está implantado em Maceió. Ao longo dos anos, a iniciativa ampliou suas atividades e consolidou um conjunto de ações permanentes voltadas à população idosa.

Desde 2018, a Uneal, por meio da Unapi, desenvolve um conjunto estruturado de ações, entre elas a oferta anual de cursos de extensão para pessoas idosas, ações de formação continuada na temática da educação para o envelhecimento, produção e publicação de materiais didáticos específicos para esse público, além da realização do projeto “Honra – Flores em Vida”, que homenageia e registra histórias de vida de pessoas idosas.

Unapi (Foto: Assessoria)

A coordenadora geral da Unapi, professora Sara Jane Lino de Cerqueira, destaca o papel transformador da proposta. “O trabalho pedagógico e extensionista desenvolvido com pessoas idosas é muito importante para a universidade, pois promove uma ação integradora entre diferentes áreas do conhecimento e fortalece a inclusão social”, afirmou.

Ela reforçou ainda o caráter contínuo do programa. “As atividades são renovadas a cada ano, respeitando o ritmo de aprendizagem e os interesses dos participantes, o que mantém o vínculo deles com a universidade”, completou.

A Unapi também vem recebendo reconhecimento institucional, com destaque em premiações como o Selo ODS Educação e em iniciativas voltadas ao combate à violência contra a pessoa idosa, além de parcerias com conselhos, universidades e organizações sociais.

Para a professora Sara Cerqueira, o impacto ultrapassa os limites da sala de aula. “A Unapi representa uma mudança de perspectiva sobre o envelhecimento, valorizando a experiência e a contribuição social das pessoas idosas dentro e fora da universidade”, destacou.

Com atuação crescente, o programa reforça o compromisso da Uneal com a inclusão, a cidadania e a educação ao longo da vida.

Sebrae fortalece a economia prateada no estado

O empreendedorismo tem conquistado cada vez mais brasileiros com mais de 50 anos. Dados do Monitor Global de Empreendedorismo (GEM 2025), realizado com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), mostram que ter o próprio negócio é o principal desejo de 41,1% das pessoas entre 35 e 54 anos.

Em Alagoas, esse movimento é impulsionado pela busca por novas fontes de renda, realização pessoal e permanência no mercado de trabalho. Para a analista do Sebrae Alagoas, Anissélia Nunes, a experiência acumulada é um diferencial importante. “O empreendedorismo na maturidade representa muito mais do que uma alternativa de renda. É uma oportunidade de transformar toda a experiência acumulada ao longo da vida em negócios sustentáveis, inovadores e com propósito”, ressaltou.

Para apoiar esse público, o Sebrae desenvolve ações voltadas à economia prateada, como as oficinas Empreendendo na Economia Prateada, Empreendedorismo Feminino 50+ e o Guia de Aposentadoria para o MEI, que orienta sobre planejamento financeiro e previdenciário.

Analista do Sebrae Alagoas, Anissélia Nunes (Foto: Arquivo pessoal)

O crescimento da população acima dos 50 anos também tem ampliado oportunidades de mercado. Em Alagoas, setores como turismo de experiência, saúde preventiva, bem-estar, estética pró-aging e espaços de convivência apresentam potencial de expansão.

Segundo Anissélia, compreender as necessidades desse público é fundamental para os negócios. “As pessoas com mais de 50 anos buscam produtos e serviços que valorizem autonomia, conforto, qualidade e bem-estar. Por isso, é importante oferecer experiências acessíveis, respeitosas e livres de estereótipos relacionados à idade”, afirmou.

A especialista ressalta que a experiência profissional favorece o empreendedor maduro, mas exige atualização constante. Entre os desafios estão o domínio das ferramentas digitais, a inovação e o acesso ao crédito.

“Empreender após os 50 anos deve ser encarado como o início de um novo ciclo. Com planejamento, qualificação e propósito, é possível transformar conhecimento em oportunidades, gerar renda e manter uma vida ativa, saudável e produtiva”, concluiu.

Educação ao longo da vida cresce no Brasil

  • O número de pessoas com 50 anos ou mais no ensino superior brasileiro vem crescendo de forma expressiva, com aumento superior a 400% no volume de ingressantes dessa faixa etária e crescimento de até 182% na última década. De acordo com dados educacionais, mais de 600 mil estudantes com 40 anos ou mais estão matriculados no ensino superior no país, representando mais de 13% do total. Em Alagoas, o percentual é ainda maior: cerca de 19% dos estudantes de graduação têm mais de 40 anos.
  • Entre os mais velhos, o país já registra mais de 51 mil estudantes com 60 anos ou mais, com destaque para a expansão da modalidade de educação a distância (EAD), embora o ensino presencial também tenha crescido. O Ministério da Educação aponta que o aumento da expectativa de vida e a melhoria da qualidade de vida são fatores que impulsionam a chamada “economia prateada” no ambiente universitário.

Alagoas registra mais de 6 mil empresas abertas por empreendedores 50+

O empreendedorismo entre pessoas com 50 anos ou mais segue em expansão em Alagoas, com forte participação na abertura de empresas e na composição do Quadro de Sócios e Administradores (QSA), segundo dados da Junta Comercial do Estado de Alagoas (Juceal).

Em 2025, foram registradas 6.391 empresas abertas por pessoas dessa faixa etária no estado. O total de integrantes no QSA chegou a 8.777 pessoas, sendo 5.451 homens e 3.326 mulheres.

No recorte mais recente, o primeiro semestre de 2025 contabilizou 3.358 empresas, com 4.465 membros no QSA (2.922 homens e 1.723 mulheres). Já no mesmo período de 2026, até 19 de junho, o número chegou a 3.263 empresas, com 4.271 sócios e administradores, sendo 2.605 homens e 1.666 mulheres.

Os dados indicam leve variação entre os períodos analisados, mas mantêm a tendência de forte participação do público 50+ no empreendedorismo alagoano, especialmente em atividades de comércio e serviços.

(Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Comércio lidera abertura de negócios

Entre os setores mais escolhidos por empreendedores 50+, o comércio aparece na liderança, seguido por transporte, alojamento e alimentação, além de indústrias de transformação.

Em 2025, o ranking de atividades foi liderado por: Comércio (1.756 empresas); Transporte, armazenagem e correio (907); Alojamento e alimentação (712); Indústrias de transformação (504); Atividades administrativas e serviços complementares (449); e Construção (437).

Também se destacam áreas como educação, saúde, serviços financeiros e atividades profissionais e científicas.

No primeiro semestre de 2026, o comércio segue na liderança com 799 registros, seguido por transporte (495), alojamento e alimentação (393) e indústria de transformação (288).

PARTICIPAÇÃO POR GÊNERO

Nos dados consolidados do primeiro semestre de 2026, os empreendimentos foram liderados por 2.605 homens e 1.666 mulheres, mantendo predominância masculina no recorte 50+.

Economia prateada e seu impacto no mercado

Para o economista Fábio Leão, a chamada economia prateada (60+) reúne consumidores e empreendedores que movimentam mercados enquanto buscam renda, propósito e qualidade de vida. “No Brasil e em Alagoas, esse fenômeno redesenha a dinâmica dos mercados locais e nacionais, apresentando oportunidades bilionárias e desafios estruturais urgentes”, afirmou.

Segundo ele, o mercado prateado respondeu por R$ 1,8 trilhão em consumo privado em 2024, o equivalente a 24% do consumo nacional, com projeção de alcançar R$ 3,8 trilhões em 2044. O Brasil já conta com 4,5 milhões de empreendedores com mais de 60 anos, enquanto a ocupação desse público no mercado de trabalho cresceu 53% na última década.

Apesar da força econômica, Leão ressalta que muitos idosos permanecem ativos por necessidade. “Embora o volume de trabalhadores cresça em ritmo superior ao do próprio envelhecimento populacional, 53,8% atuam no mercado informal”, destacou. Em Alagoas, o cenário é ainda mais desafiador, já que o estado “envelhece antes de enriquecer”, levando muitos seniores ao empreendedorismo como principal alternativa de geração de renda.

Dados da Juceal mostram que os empreendedores 60+ concentram novos negócios principalmente nos setores de comércio, alojamento e alimentação, transporte e logística, além da indústria de transformação e do artesanato. No interior, pequenos negócios e a agricultura familiar mantêm a circulação de renda em municípios com poucas oportunidades de emprego formal.

Economista Fábio Leão (Foto: Edilson Omena)

Para Fábio Leão, empresas também ganham ao investir em profissionais seniores. “Profissionais 60+ possuem alta estabilidade emocional, resiliência, capacidade de mediação de conflitos e excelente comunicação interpessoal”, afirmou. Além disso, apresentam menor rotatividade, contribuem para a troca de conhecimentos entre gerações e ajudam as empresas a compreender melhor o consumidor maduro.

O economista destaca que a economia prateada fortalece o Produto Interno Bruto (PIB), amplia a arrecadação, reduz a pressão sobre os sistemas públicos e estimula novos mercados, como tecnologia assistiva, home care e serviços voltados ao envelhecimento da população.

Segundo ele, equipes com diferentes faixas etárias também geram melhores resultados. “O maior ganho das empresas não é a convivência passiva, mas a troca ativa de conhecimento. Enquanto o sênior entrega visão estratégica e inteligência emocional, o jovem oferece domínio das ferramentas digitais e da Inteligência Artificial”, explicou.

Fábio Leão defendeu que o impacto da população 60+ deve ser visto como estratégico para o desenvolvimento econômico. “O impacto do público 60+ no Brasil e em Alagoas não deve ser tratado sob uma ótica assistencialista, mas sim como uma infraestrutura humana essencial”, finalizou.

A tabela abaixo apresenta uma série de oportunidades no mercado de consumo e no mercado de trabalho para a economia prateada, bem como alguns desafios econômicos, sociais e culturais para a integração dessa população nos ambientes corporativos.

Os “prateados” fortalecem a economia global e regional com a manutenção do PIB local: ao continuarem ativos, os idosos mantêm sua renda disponível.

Economia prateada impulsiona serviços financeiros e amplia ações de apoio à população 50+

O avanço da população com mais de 50 anos tem fortalecido a chamada economia prateada e levado instituições financeiras a ampliar produtos, serviços e projetos voltados a esse público. Em Alagoas, o Banco Mercantil atende 45.878 clientes 50+ e o Banco do Nordeste (BNB) amplia ações de financiamento de projetos sociais voltados ao envelhecimento digno.

Segundo o superintendente regional do Banco Mercantil, Sâmio Figueredo, a estratégia é oferecer soluções além do sistema bancário tradicional. “Nosso propósito é ser o maior e melhor ecossistema financeiro voltado ao público 50+. Esse cliente busca não apenas produtos financeiros, mas soluções que contribuam para sua qualidade de vida, autonomia e bem-estar”, afirmou.

Ele destaca ainda a diversidade desse público. “O público 50+ é extremamente diverso. Nosso papel é oferecer canais digitais, atendimento presencial e um relacionamento mais próximo”, completou.

Entre as iniciativas, o banco destaca a plataforma Meu+, que integra serviços de saúde, odontologia, educação, tecnologia e bem-estar.

Superintendente regional do Banco Mercantil, Sâmio Figueredo (Foto: Ascom Banco Mercantil)

No campo social, o Banco do Nordeste atua no financiamento de projetos por meio dos Fundos dos Direitos da Pessoa Idosa, que apoiam ações de proteção, saúde, cultura e enfrentamento à violência, especialmente no semiárido.

O gerente executivo de Desenvolvimento Territorial do BNB, Manoel Roberto Lopes Muniz, explica que os projetos passam por critérios técnicos. “Os projetos precisam ser aprovados pelos Conselhos dos Direitos da Pessoa Idosa e atender critérios que garantam impacto social e capacidade de execução”, pontuou.

Ele destacou os efeitos sociais das iniciativas. “Esses projetos ajudam a promover autonomia, ampliar redes de apoio e garantir um envelhecimento mais ativo e digno”, disse.

Gerente executivo de Desenvolvimento Territorial do BNB, Manoel Roberto Lopes Muniz (Foto: Arquivo pessoal)

O banco também incentiva a destinação de parte do Imposto de Renda aos fundos da pessoa idosa, com crescimento dos recursos arrecadados de cerca de R$ 500 mil em 2023 para R$ 640 mil em 2025, ultrapassando R$ 6,5 milhões em destinações acumuladas.

A tendência é de expansão contínua da economia prateada, com maior integração entre serviços financeiros, políticas públicas e iniciativas sociais voltadas ao envelhecimento da população brasileira.

Empreendedorismo maduro ganha força no Brasil e transforma a economia prateada em motor de crescimento

O empreendedorismo brasileiro está passando por uma mudança estrutural e revelando um perfil mais envelhecido e qualificado. Segundo o GEM 2025, realizado no Brasil pelo Sebrae e pela Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe), pessoas com mais de 45 anos representam o maior grupo entre os empreendedores em fase inicial, com 33,7% dos novos negócios, dado que ocorre pela primeira vez na série histórica iniciada em 2000.

O levantamento indica que a mudança está ligada à maior experiência profissional, qualificação e busca por permanência ativa no mercado. Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, o movimento indica amadurecimento do setor. “O aumento da faixa etária dos empreendedores iniciais no Brasil é um indicativo de maior qualificação da atividade. Pessoas mais experientes têm mais maturidade para a tomada de decisões ao abrir ou manter um negócio”, afirmou.

O avanço também reforça a chamada economia prateada. Dados do Sebrae mostram que o Brasil já reúne 4,5 milhões de empreendedores com mais de 60 anos, número que cresceu 58,6% na última década. Em 2025, o programa Empreendedorismo Sênior 60+ atendeu 869 mil pessoas, com meta de alcançar 1 milhão em 2026.

Segundo a gestora do programa, Gilvany Isaac, o crescimento está ligado ao propósito e à continuidade profissional. “As pessoas de 60 anos buscam algo conectado à sua experiência e que também tenha impacto na comunidade”, destacou.

O fenômeno acompanha o envelhecimento da população. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que um em cada cinco brasileiros em idade ativa já tem mais de 60 anos, ampliando a participação desse público no mercado de trabalho e no empreendedorismo.

Pesquisas também mostram aumento da qualificação: a presença de trabalhadores com mais de 50 anos no mercado cresceu de 12,6% para 19% entre 2006 e 2020, e as matrículas desse público em cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) aumentaram cerca de 34% nos últimos anos.

(Gráfico: Divulgação)

Especialistas destacam que, apesar dos avanços, o etarismo ainda é uma barreira. Ao mesmo tempo, cresce o entendimento de que a valorização da experiência dos profissionais maduros é estratégica para a competitividade e o desenvolvimento econômico do país.

Envelhecimento ativo amplia qualidade de vida e desafia estereótipos sobre a terceira idade

O envelhecimento ativo tem ganhado destaque como um fenômeno cada vez mais relevante, marcado pela busca por autonomia, saúde mental e participação social na terceira idade. A avaliação é do médico geriatra e psicogeriatra Dênis Melo, que aponta uma mudança na forma de compreender o envelhecimento.

Segundo o especialista, manter-se ativo intelectualmente contribui diretamente para o bem-estar. “Atualmente sabemos que manter-se intelectualmente ativo ajuda a preservar a autonomia, a autoestima e a saúde cerebral. O conceito não é apenas viver mais, mas viver melhor e com propósito”, disse.

Ele destacou que atividades como estudo, trabalho e convivência social têm impacto direto na saúde mental. “O cérebro humano foi feito para se relacionar. Quanto mais conexões sociais saudáveis, melhor tende a ser a saúde mental”, explicou.

Médico geriatra e psicogeriatra Dênis Melo (Foto: Arquivo pessoal)

Dênis Melo ressalta ainda que o envelhecimento não significa perda global de capacidades cognitivas. “Algumas habilidades podem ficar mais lentas, como velocidade de processamento, mas experiência, julgamento e inteligência emocional permanecem preservados ou até se fortalecem com a idade”, ressaltou.

O médico observa que a aprendizagem continua possível em todas as fases da vida. “O cérebro mantém a neuroplasticidade, ou seja, a capacidade de criar novas conexões neurais ao longo de toda a vida”, explicou.

Para ele, a aposentadoria pode representar um novo ciclo de oportunidades. “A grande pergunta não é o que vou deixar de fazer, mas o que agora tenho a liberdade de começar a fazer? Envelhecer não é sinônimo de inatividade; é continuar crescendo de uma forma diferente”, finalizou.

“Manter-se ativo é essencial para um envelhecimento saudável”, aponta psiquiatra

O envelhecimento saudável é um processo que vai muito além da ausência de doenças, estando diretamente ligado à manutenção de fatores protetores como vínculos sociais, senso de propósito, atividade física regular e estimulação cognitiva contínua.

Segundo o médico psiquiatra Igor de Oliveira Pinto, formado pelo Instituto Bairral de Psiquiatria e com Fellowship em Psiquiatria Intervencionista pela Universidade de São Paulo (USP), o engajamento em atividades significativas ao longo da vida é um dos principais pilares para a saúde mental na terceira idade.

“Permanecer ativo não significa apenas trabalhar. Embora o trabalho possa trazer realização, identidade e pertencimento, ele é apenas uma das formas possíveis de engajamento. Existem diversas outras maneiras de se manter mentalmente saudável, como estudar, ler, desenvolver hobbies, participar de atividades culturais, fazer trabalho voluntário e fortalecer laços sociais”, ressaltou o psiquiatra.

Médico psiquiatra Igor de Oliveira Pinto (Foto: Arquivo pessoal)

Igor também destacou que essas atividades têm impacto direto na prevenção de sintomas depressivos e ansiosos, além de contribuírem para o retardamento do declínio cognitivo. A diversidade de experiências ao longo da vida favorece a autonomia, a sensação de utilidade e a preservação da identidade pessoal na velhice.

“Do ponto de vista neurobiológico, o cérebro mantém sua capacidade de adaptação e aprendizado ao longo de toda a vida. A exposição contínua a estímulos novos fortalece a reserva cognitiva, mecanismo associado à maior resistência ao envelhecimento cerebral e a doenças neurodegenerativas”, esclareceu Igor Oliveira.

O psiquiatra reforçou que envelhecer de forma saudável não significa apenas viver mais, mas viver com qualidade, mantendo-se ativo, curioso e socialmente conectado. “Evitar o isolamento e a passividade é essencial para preservar a saúde mental e o bem-estar geral, sendo a vitalidade na terceira idade mais relacionada ao engajamento com a vida do que à idade cronológica”, finalizou.