Educação financeira ganha espaço lúdico e interativo para crianças

Projeto pioneiro do Sicredi Expansão aposta em jogos, planejamento e consumo consciente para formar gerações mais preparadas financeiramente; BNB orienta pais sobre investimentos e uso consciente do dinheiro

Por Lucas França e Valdete Calheiros - Repórteres / Bruno Martins: Revisão | Redação

Lidar com o dinheiro e aprender a não cair em suas armadilhas não é tarefa das mais fáceis no mundo dos adultos. O avanço do endividamento das famílias brasileiras voltou ao centro do debate econômico e social no país. O comprometimento da renda com dívidas atingiu 50,81%, o maior nível da série histórica do Banco Central. Os números comprovam, ainda mais, a necessidade de a educação financeira começar ainda na infância.

E neste cenário, o Sicredi Expansão acertou em cheio ao proporcionar uma iniciativa pioneira voltada justamente à formação financeira na infância ao inaugurar, no último dia 18 de maio, o Espaço de Educação Financeira, o primeiro do Nordeste e o segundo do Brasil com essa proposta.

Desta forma, graças ao Sicredi, é possível conhecer os caminhos, de forma lúdica e ainda na infância, que levarão ao sucesso financeiro.

O Espaço de Educação Financeira tem visitação aberta para escolas e famílias. O ambiente interativo em Maceió chegou para estimular o aprendizado sobre consumo consciente e planejamento financeiro desde a infância.

O Espaço de Educação Financeira é uma iniciativa do Sicredi por meio de parceria entre a Fundação Sicredi e a MSP Estúdios. O local chegou com a proposta de transformar o aprendizado sobre dinheiro em uma experiência acessível, divertida e educativa para crianças e famílias.

O espaço, localizado no Sicredi Expansão, no histórico bairro de Jaraguá, aborda temas como consumo consciente, planejamento financeiro e responsabilidade com o dinheiro de forma lúdica.

Sede do Sicredi Expansão, no Jaraguá (Foto: Assessoria)


A iniciativa busca preencher uma lacuna ainda pouco trabalhada no ambiente escolar e familiar que é o diálogo sobre dinheiro, consumo e planejamento desde cedo. Para muitas famílias, o novo espaço representa a oportunidade de ensinar às crianças valores importantes que, em gerações anteriores, raramente eram discutidos.

A proposta é aproximar crianças, estudantes e famílias de conceitos importantes para a formação cidadã, incentivando desde cedo hábitos financeiros mais saudáveis e conscientes.

O projeto aposta em experiências que estimulam autonomia, consciência e responsabilidade desde cedo. A expectativa é que o contato das crianças com conceitos como planejamento, escolhas e prioridades contribua para formar adultos mais preparados para lidar com dinheiro e consumo no futuro.

O local está aberto para visitação de crianças de escolas públicas e privadas, além de organizações sociais, sempre às sextas-feiras, mediante agendamento prévio realizado por meio do link disponível no perfil do Instagram @sicrediexpansão.

O Sicredi Expansão é a primeira cooperativa do Sistema a contar com o ambiente, que até então existia apenas no Centro Administrativo Sicredi, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

A gerente de Desenvolvimento do Cooperativismo do Sicredi Expansão, Karina Lira, destacou que a proposta é estimular a participação de escolas da capital e da região metropolitana. “Nosso espaço já está aberto para organizações sociais, escolas públicas e privadas que queiram agendar visitas nas próximas semanas”.

Gerente de Desenvolvimento do Cooperativismo do Sicredi Expansão, Karina Lira (Foto: Sandro Lima)


Karina também ressaltou que o Espaço de Educação Financeira foi pensado como uma iniciativa permanente, capaz de gerar impactos contínuos na formação das novas gerações. “Esse é um projeto duradouro. Todos os anos teremos novas crianças chegando, novas turmas sendo atendidas e uma demanda contínua por esse tipo de formação. E isso é o mais bonito da iniciativa: entender que educação financeira deve ser trabalhada como toda disciplina deve ser, de forma consistente, contínua e permanente. Acreditamos que esse trabalho vai gerar impactos muito positivos a médio e longo prazo para a cidade”, completou.

Educação financeira de forma lúdica e interativa

Durante a visita, as crianças passam por estações interativas inspiradas no universo da Turma da Mônica, onde aprendem, de forma prática e divertida, conceitos ligados à educação financeira, consumo consciente e planejamento para o futuro. Ao final do percurso, elas ainda participam de uma dinâmica interativa com jogos e desafios que reforçam os aprendizados sobre gastos, prioridades e economia.

A primeira parada é a Estação das Profissões, onde os participantes escolhem com o que irão trabalhar no futuro e começam a entender a relação entre trabalho, renda e realização de sonhos.

Em seguida, seguem para o ambiente de uma cooperativa de crédito, onde aprendem como funcionam pagamentos, contas, investimentos e organização financeira. No espaço, as crianças têm contato com códigos de barras, boletos e entendem, na prática, como o dinheiro é utilizado e administrado no dia a dia.

Na Vila da Mônica, a proposta é conscientizar sobre a importância de evitar desperdícios dentro de casa. Temas como economia de água e energia são apresentados de forma educativa, mostrando que atitudes sustentáveis também ajudam no orçamento familiar.

Já no Mercadinho do Limoeiro, os participantes vivenciam uma experiência de compra simulada, analisando as opções mais econômicas e aprendendo a diferenciar necessidade de desejo.

O percurso termina na Árvore dos Sonhos, um espaço onde as crianças escrevem desejos e objetivos para o futuro. Frases como “ser bombeira”, “fazer minha própria série de animação” e “ser feliz” ajudam a mostrar como o espaço também estimula reflexão sobre sonhos, planejamento e construção de futuro.


'Hoje eu tento ensinar meus filhos algo que eu não aprendi na infância. A lição é que o dinheiro exige esforço, planejamento e limites' - Luciana Lepletier, gerente de Negócios Agro do Sicredi Expansão.

Ensinamentos sobre dinheiro, consumo e planejamento desde a infância

A gerente de Negócios Agro do Sicredi Expansão, a administradora Luciana Lepletier, esteve presente durante a inauguração com os filhos Miguel, de nove anos, e Samuel, de três anos, e destacou como a própria vivência na infância influenciou a forma como conduz a educação financeira dentro de casa atualmente.

“Eu cresci em uma família em que meus pais trabalhavam muito. Minha mãe era cobradora de ônibus e meu pai, caminhoneiro. Eram profissões de muito esforço e poucos recursos, mas, mesmo com todas as dificuldades, minha mãe fazia de tudo para que não faltasse nada dentro de casa, principalmente comida. Ela passou muita necessidade na infância e tentava compensar isso oferecendo para mim uma realidade diferente, de fartura e cuidado”, relatou Luciana Lepletier.

“À época, eu não entendia o valor daquele esforço. Tinha conta aberta na cantina da escola, gastava sem pensar e ainda oferecia lanche para os amigos, porque cresci achando que aquilo era natural. Só depois de adulta percebi o quanto meus pais se sacrificavam para me proporcionar aquilo e como a falta de conversa sobre dinheiro impactou minha relação financeira”, acrescentou.

Luciana Lepletier afirmou que busca construir uma relação diferente com os filhos, ensinando-os desde cedo noções de responsabilidade e planejamento financeiro. “Hoje eu tento ensinar meus filhos algo que eu não aprendi na infância. A lição é que o dinheiro exige esforço, planejamento e limites. A gente conversa sobre gastos, faz combinados e tenta mostrar que não dá para ter tudo o tempo inteiro. Esse espaço ajuda muito porque traz esse aprendizado de forma leve para as crianças”, completou.

A empresária, designer de joias e influenciadora digital Endy Mesquita levou o casal de filhos para conhecer o Espaço de Educação Financeira do Sicredi Expansão. Juntos, ela e o esposo, o jornalista e músico Gustavo Moura, têm quase 208 mil seguidores.

Endy Mesquita tem um ateliê de joias que leva seu nome e achou o Espaço de Educação Financeira incrível. “Meus filhos aprenderam de um jeito leve, brincando e se divertindo. O ambiente foi criado para potencializar uma vida financeira sustentável desde a infância”, destacou.

Empresária, designer de joias e influenciadora digital Endy Mesquita levou o casal de filhos para conhecer o Espaço de Educação Financeira do Sicredi Expansão (Foto: Arquivo pessoal)


Segundo ela, a educação financeira é prioridade e ajuda a manter viva a essência do cooperativismo. “A lógica é quanto mais cedo for feito o contato com os conceitos financeiros, maior a chance de formar adultos capazes de tomar decisões financeiras conscientes. O Sicredi, além de cuidar do dinheiro, cuida das pessoas e transforma o futuro das comunidades onde atua”, frisou.

Entre brincadeiras, simulações e personagens conhecidos da infância, o novo espaço aposta em uma mudança que vai além do aprendizado financeiro. A ideia é ajudar crianças a desenvolverem desde cedo noções de responsabilidade, paciência e consciência sobre escolhas, mostrando que entender o valor do dinheiro também significa aprender sobre prioridades, sonhos e construção de futuro.

A iniciativa também nasce com a proposta de ampliar um debate que ainda costuma ser pouco presente em muitas casas, a conversa sobre dinheiro com crianças. Para pais e educadores, o espaço funciona como uma ferramenta de apoio para introduzir, de forma leve, temas relacionados a consumo, limites, planejamento e responsabilidade.

Para muitas famílias, a iniciativa representa também a oportunidade de ensinar às crianças algo que gerações anteriores raramente aprendiam na infância, como lidar de forma equilibrada com dinheiro, consumo e planejamento.

Quem também reforçou a importância da educação financeira desde a infância foi o coordenador de Desenvolvimento de Negócios do Sicredi Expansão, Wilde Lins, de 41 anos. Pai da Alice, de oito, e Davi, de cinco, ele acredita em uma relação saudável com o dinheiro iniciada ainda em sua infância, muito antes da vida profissional.

Criado em uma fazenda no interior de Alagoas, ao lado de três irmãos, Wilde Lins aprendeu cedo sobre responsabilidade, disciplina e valor do trabalho.

Na sua casa, as tarefas faziam parte da rotina familiar e eram uma oportunidade de aprendizado. “Eu cresci em uma fazenda onde meus pais sempre ensinaram sobre responsabilidade. Eu e meus irmãos tínhamos tarefas e, ao final do mês, recebíamos um valor simbólico pelo nosso trabalho. Isso me ensinou desde cedo que o dinheiro não surge do nada, ele está ligado ao esforço, à organização e às escolhas que fazemos”, relembrou.

Segundo Wilde Lins, os ensinamentos recebidos na infância são repassados agora aos filhos. Em casa, ele e a esposa buscam transformar pequenas responsabilidades do dia a dia em oportunidades de aprendizado sobre autonomia e planejamento. “A gente trabalha isso de forma leve, com uma tabela de recompensas ligada às tarefas domésticas. Eles entendem que existem responsabilidades e que tudo exige dedicação. Não é apenas sobre ganhar dinheiro, é sobre aprender desde cedo a cuidar, esperar, fazer escolhas e entender valor. A educação financeira precisa começar cedo, e esse espaço chega para apoiar famílias e escolas nesse processo”, destacou.

Conselho Regional de Contabilidade defende ensino de Educação financeira

A presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Alagoas (CRC/AL), Adriana Andrade Araújo, também defende o ensino da educação financeira desde cedo. Segundo ela, estratégias simples, como o uso do cofrinho, ajudam as crianças a compreenderem o valor do dinheiro e a importância do planejamento. “A educação financeira precisa ser prática, acessível e conectada à realidade de cada fase da vida”, afirmou.

Professor defende ampliação da educação financeira nas escolas

O professor de matemática Nickson Correia defende que a educação financeira tenha presença maior e mais integrada no ambiente escolar. Atualmente atuando em duas instituições privadas e uma da rede pública, o docente afirma que o ensino sobre finanças vai além dos cálculos matemáticos e precisa envolver diferentes áreas do conhecimento.

Segundo ele, em uma das escolas particulares onde leciona, a educação financeira é dividida entre os componentes de “Matemática Financeira” e “Empreendedorismo”. “A educação financeira é um campo amplo e interdisciplinar, que ultrapassa os limites da formação específica do professor de matemática”, explicou. Enquanto ele trabalha conteúdos como juros, investimentos, financiamentos e planejamento financeiro, outros professores abordam temas ligados à economia, sociedade e empreendedorismo.

Professor de matemática Nickson Correia (Foto: Arquivo pessoal)


Já na rede pública, Nickson destaca que os conteúdos ligados à matemática financeira costumam aparecer apenas em disciplinas eletivas, o que limita o acesso dos estudantes. Para o professor, isso reforça a necessidade de ampliar a presença da temática no currículo escolar. “É essencial que os estudantes desenvolvam raciocínio para administrar, interpretar informações financeiras e tomar decisões conscientes”, afirmou.

O docente também ressaltou que a educação financeira ajuda a preparar crianças e adolescentes para situações reais da vida acadêmica, profissional e pessoal. “Vivemos em uma sociedade marcada pelo consumo e pelo acesso facilitado ao crédito. Ensinar educação financeira é preparar os jovens para lidar de forma responsável com essas situações”, concluiu.

Sicredi Expansão: lições de cooperativismo para gente grande

O Sicredi Expansão projeta alcançar 100 mil associados e dobrar seus ativos até 2028 na área de atuação que engloba Alagoas, Pernambuco, sul do Maranhão e Paulo Afonso, na Bahia. Atualmente, a cooperativa reúne cerca de 60 mil associados e administra aproximadamente R$ 2 bilhões em ativos. A meta é chegar a R$ 4 bilhões nos próximos dois anos.

Presente há 33 anos em Alagoas, a instituição busca ampliar o acesso da população ao cooperativismo de crédito e à educação financeira. Segundo o diretor-executivo do Sicredi Expansão, Alandson Araújo, “a gente quer divulgar para a sociedade a importância da educação financeira e dos cuidados com o dinheiro”.

Diretor-executivo do Sicredi Expansão, Alandson Araújo (Foto: Sandro Lima)


A cooperativa oferece cerca de 300 soluções financeiras para pessoas físicas e jurídicas e distribuiu quase R$ 50 milhões entre os cooperados no último ano. Para Alandson Araújo, o cooperativismo também contribui para conscientizar a população sobre o uso responsável do crédito. “Não é apenas conceder crédito. É ajudar as pessoas a entenderem como lidar com ele”, destacou.

O gerente de Desenvolvimento do Sicredi Expansão, Kirley Maranhão, afirmou que a cooperativa trabalha com condições mais justas para financiamento e investimento. “O objetivo é que as pessoas ganhem em cima das suas finanças, e não percam”, declarou. Atualmente, a instituição possui agências em Maceió, Arapiraca, Penedo e Palmeira dos Índios, entre outras cidades da região.

SOLUÇÕES FINANCEIRAS

O acesso ao crédito vem crescendo no país. O mesmo não acontece com o preparo para lidar com decisões financeiras. Segundo o Relatório de Cidadania Financeira 2025, do Banco Central, 32 milhões de brasileiros passaram a utilizar produtos de crédito nos últimos quatro anos, um avanço de 34%.

Ao mesmo tempo, dados do último mês de abril da Serasa apontam mais de 83,3 milhões de brasileiros inadimplentes, cenário que evidencia desafios relacionados ao planejamento financeiro e ao consumo consciente.

Para Karina Lira, gerente de Desenvolvimento do Cooperativismo da Sicredi Expansão, o crescimento do endividamento no país reforça a importância de ampliar o aprendizado sobre consumo consciente e planejamento desde cedo.

“Quando a gente olha para os índices de endividamento no Brasil, percebe que existe um desafio importante relacionado à forma como lidamos com escolhas de consumo e organização financeira. Por isso investir na infância é tão necessário. A criança que aprende desde cedo sobre planejamento, prioridades e valor do dinheiro tende a construir uma relação mais equilibrada com o consumo ao longo da vida”, afirmou.

Segundo a especialista, embora o tema esteja cada vez mais presente no ambiente escolar, experiências práticas ajudam a transformar conhecimento em comportamento. “Mais do que entender conceitos, é importante que esse aprendizado faça sentido no cotidiano. Quando a criança vivencia situações relacionadas a escolhas, esforço, troca, responsabilidade e consequências das decisões, ela passa a compreender melhor a lógica do dinheiro e desenvolve hábitos mais conscientes, que podem refletir diretamente na vida adulta”, destacou.

Especialistas destacam importância da educação financeira desde a infância

A educação financeira tem ganhado espaço dentro das famílias como ferramenta importante para ensinar crianças e adolescentes sobre planejamento, consumo consciente e organização do dinheiro. Segundo Victor Vitoretti, gerente de relacionamento do Banco do Nordeste em Alagoas (BNB/AL), atualmente existem diversas opções de contas e investimentos voltados para menores de idade, sempre com acompanhamento dos responsáveis.

De acordo com o gerente, as chamadas contas Kids funcionam como contas digitais monitoradas pelos pais, permitindo que os filhos aprendam desde cedo sobre poupança, investimentos e controle financeiro. “Essas plataformas oferecem conteúdos de educação financeira e acabam criando um momento de interação entre pais e filhos, incentivando o hábito de poupar e planejar sonhos”, explicou Vitoretti.

Gerente de relacionamento do Banco do Nordeste em Alagoas Victor Vitoretti (Foto: Arquivo pessoal)


O especialista também ressaltou que não existe valor mínimo obrigatório para abertura dessas contas e reforçou a importância de criar o hábito da reserva financeira. “É importante ter uma poupança e evitar gastar mais do que ganha. O ideal é sempre guardar pelo menos 10% da renda”, destacou.

Para os adultos clientes do BNB, o assunto também é tratado de forma séria e responsável. No Programa Fala Agroamigo, há uma série de vídeos e áudios educativos, produzidos pelo Banco do Nordeste, voltados ao agricultor familiar, que aborda temas como educação financeira, gestão do empreendimento rural, mudanças climáticas, sustentabilidade, agroecologia, entre outros assuntos de interesse do segmento. Os clientes do Programa recebem os vídeos pelo WhatsApp.

Atualmente são cerca de 85 mil clientes em operação com o programa Agroamigo no estado. Além disso, a própria metodologia do Agroamigo se baseia no crédito produtivo e orientado, que é justamente o financiamento com a consultoria negocial dada pelo agente de microcrédito do programa, que orienta o agricultor familiar sobre a melhor aplicação do crédito em seu projeto produtivo.