Pequenas decisões, grandes impactos: educação financeira molda nova geração nas escolas

Projeto 'Finanças na Mochila', do Sicredi, leva planejamento, consumo consciente e noções de cooperação para estudantes em Alagoas

Por Ana Paula Omena, Lucas França e Thayanne Magalhães - Repórteres / Bruno Martins - Revisão / Willams Campos - Foto de capa | Redação Tribuna Hoje

Eles ainda estão na escola, mas já sabem que nem todo desejo precisa virar compra. Em vez de impulsos, começam a entender escolhas. No lugar do improviso, entram planejamento e prioridade. É assim que uma nova geração passa a construir, desde cedo, uma relação mais equilibrada com o dinheiro — um aprendizado que, por décadas, ficou restrito à vida adulta e, muitas vezes, associado a erros difíceis de corrigir.

A mudança não acontece por acaso. Ela nasce dentro da sala de aula, onde temas como consumo consciente, organização financeira e responsabilidade ganham espaço entre disciplinas tradicionais. Em Alagoas, esse movimento tem sido impulsionado pelo projeto Finanças na Mochila, desenvolvido pelo Sicredi (Sistema de Crédito Cooperativo), que propõe inserir a educação financeira no cotidiano escolar de forma prática, contínua e conectada à realidade dos alunos.

A lógica do projeto é simples, mas estratégica: quanto mais cedo o contato com conceitos financeiros, maior a chance de formação de adultos capazes de tomar decisões conscientes. Para isso, o programa aposta em uma metodologia que dialoga com a vivência dos estudantes, traduzindo termos técnicos em situações do dia a dia — como escolher entre gastar agora ou guardar para depois, entender a diferença entre necessidade e desejo, ou perceber o impacto de pequenas decisões no orçamento.

“O que a gente busca é naturalizar esse diálogo dentro da escola. Falar de dinheiro não pode ser um tabu, precisa ser parte da formação do indivíduo. Quando o aluno entende desde cedo como funcionam as escolhas financeiras, ele passa a agir com mais autonomia e responsabilidade”, afirmou a assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo do Sicredi, Verena Ferrari.

O Finanças na Mochila não se limita à distribuição de conteúdo. O projeto envolve a formação de professores, que recebem capacitação para trabalhar o tema de maneira transversal, integrando a educação financeira a diferentes áreas do conhecimento. Matemática, língua portuguesa e até projetos interdisciplinares passam a incorporar situações que estimulam reflexão sobre consumo, planejamento e cooperação.

A proposta também rompe com a ideia de que educação financeira se resume a economizar dinheiro. O foco está na construção de repertório para tomada de decisão. Isso inclui discutir publicidade, influência do consumo, organização de metas e até o impacto coletivo das escolhas individuais — um ponto que aproxima o tema dos princípios do cooperativismo.

“Não é só sobre guardar ou gastar, mas sobre entender o contexto. A criança começa a perceber que cada escolha tem consequência, e isso vale para o dinheiro e para a vida. Esse é um aprendizado que ela leva para sempre”, reforçou Verena Ferrari.

Outro diferencial do projeto é o alcance para além dos muros da escola. Ao levar o conteúdo para dentro de casa, os estudantes acabam influenciando a dinâmica familiar. Pequenas mudanças, como planejamento de compras ou reflexão antes de consumir, passam a fazer parte da rotina de pais e responsáveis, ampliando o impacto da iniciativa.

Esse efeito multiplicador é considerado um dos principais resultados da ação. Em um país onde grande parte da população enfrenta dificuldades relacionadas ao endividamento e à falta de planejamento financeiro, inserir esse debate na base educacional representa uma estratégia de longo prazo para enfrentar um problema estrutural.

Dados de instituições ligadas à educação e ao sistema financeiro apontam que o acesso a conteúdos de educação financeira ainda é desigual no Brasil, especialmente na rede pública. Nesse contexto, iniciativas como o Finanças na Mochila surgem como uma ponte entre o conhecimento técnico e a realidade dos estudantes, contribuindo para reduzir essa lacuna.

“A gente percebe que, quando o conteúdo faz sentido para o aluno, ele se engaja. E quando há engajamento, há mudança de comportamento. É isso que move o projeto: transformar conhecimento em atitude”, pontuou Verena Ferrari.

Em Alagoas, a atuação do Sicredi já alcança escolas que passaram a incorporar a educação financeira em suas práticas pedagógicas, criando um ambiente onde falar sobre dinheiro deixa de ser exceção e passa a ser parte da formação cidadã.

Mais do que ensinar números, a proposta é formar indivíduos capazes de fazer escolhas conscientes ao longo da vida, com impacto direto na qualidade de vida e na organização financeira das futuras gerações. Um processo que começa cedo, dentro da mochila escolar, mas que se estende por toda a trajetória do aluno.

Para entender como esse aprendizado acontece na prática, a reportagem foi a campo conhecer uma das escolas beneficiadas pelo projeto.

'Não é só sobre guardar ou gastar, mas sobre entender o contexto. A criança começa a perceber que cada escolha tem consequência, e isso vale para o dinheiro e para a vida', destacou Verena Ferrari.

Alunos da Escola Municipal de Educação Básica (Emeb) Francisco de Araújo Azevedo, em Coruripe (Foto: Willams Campos)

Educação financeira transforma realidade de alunos na zona rural de Coruripe

A educação financeira tem ganhado cada vez mais espaço nas escolas brasileiras e se consolidado como uma ferramenta essencial na formação de cidadãos mais conscientes e preparados para o futuro. Ao aprender desde cedo a lidar com o dinheiro, crianças e adolescentes desenvolvem hábitos responsáveis, evitando o endividamento e fortalecendo o planejamento de longo prazo. Mais do que ensinar a economizar, a proposta pedagógica estimula habilidades como organização, autonomia e pensamento crítico. Esses conhecimentos permitem que os estudantes tomem decisões mais seguras ao longo da vida, impactando positivamente não apenas suas trajetórias pessoais, mas também a sociedade como um todo.

Na Escola Municipal de Educação Básica (Emeb) Francisco de Araújo Azevedo, localizada no povoado Lagoa do Pau, na zona rural de Coruripe, no Litoral Sul de Alagoas, a iniciativa tem mostrado resultados concretos ao integrar a educação financeira à realidade dos alunos.

O professor Cristiano de Araújo destaca que o conteúdo é trabalhado de forma acessível e conectado ao cotidiano dos estudantes. “A disciplina é passada de forma muito didática, por meio de oficinas com temas regionalizados. Trabalhamos a culinária local e o artesanato, sempre abordando a questão financeira e o empreendedorismo, para que os alunos entendam como lidar com o dinheiro. Também realizamos visitas a instituições financeiras, bancos e mercados, para aproximar os alunos da prática”, explicou.

Professor Cristiano de Araújo (Foto: Willams Campos)

A professora Nadja Maria, responsável por uma turma do quarto ano com 19 alunos, conta que inicialmente teve receio ao inserir o tema na rotina escolar. “No começo, pensei que seria mais matemática, mais números e cálculos. Mas, com o tempo, aprendemos juntos e conseguimos aplicar de forma lúdica. Criamos uma lanchonete na escola, onde os alunos produziam e vendiam produtos no intervalo. Eles aprenderam a lidar com cédulas, utilizar maquininhas e entender conceitos como desconto e juros”, relatou.

Ela também ressaltou a importância da capacitação oferecida pela Secretaria Municipal de Educação. “Foi fundamental para que pudéssemos trabalhar o conteúdo de forma correta, respeitando nossa realidade e valorizando a cultura local”, completou.

Professora Nadja Maria ensina alunos do quarto ano (Foto: Willams Campos)

Entre os alunos, a experiência também tem gerado aprendizado significativo. A estudante Laura Sophia, do quinto ano, destacou a importância das aulas. “Foi muito legal participar. Aprendi não só sobre o valor do dinheiro, mas também sobre a importância do coco para a nossa região. Descobrimos que ele pode ser transformado em vários produtos, como artesanato, brinquedos e alimentos, gerando renda para muitas famílias”, contou.

Aluna Laura Sophia, do quinto ano (Foto: Willams Campos)

Segundo a gestora escolar Janaina da Cruz, o projeto foi implantado em fevereiro de 2025 a partir de uma parceria entre a cooperativa Sicredi e a Secretaria Municipal de Educação. Atualmente, mais de 200 alunos participam das atividades.

“O início foi desafiador, pois era algo novo. Mas tivemos suporte e capacitação antes de levar o conteúdo para a sala de aula. Trabalhamos de forma lúdica, sempre considerando a cultura local, com foco no coco e seus derivados. É um projeto que envolve toda a comunidade, inclusive pais de alunos que participam da Educação de Jovens e Adultos. Os resultados são muito positivos, com pessoas mais conscientes e preparadas para empreender”, afirmou.

Gestora escolar Janaina da Cruz conversa com a reportagem do Tribuna Hoje (Foto: Willams Campos)


Veja ao final do texto o vídeo com a entrevista na íntegra.

Sicredi amplia ações de educação financeira em Coruripe com foco em crianças, jovens e trabalhadores

A educação financeira tem ganhado cada vez mais espaço como ferramenta essencial para a formação de cidadãos mais conscientes. Em Pindorama, localidade em Coruripe, iniciativas do Sicredi Expansão vêm fortalecendo esse movimento por meio de projetos que alcançam diferentes públicos, desde trabalhadores até crianças e adolescentes. Entre as ações desenvolvidas está o projeto “Educação Financeira na Ponta do Lápis”, que promove palestras em empresas, prefeituras e escolas, abordando temas como organização financeira, consumo consciente e planejamento.

De acordo com o gerente do Sicredi Expansão na agência Pindorama, Tiago França, a proposta é levar o conhecimento de forma acessível e prática. “O projeto Educação Financeira na Ponta do Lápis leva conhecimento de forma prática. A nossa equipe percorre empresas, prefeituras e escolas, justamente para mostrar a importância de organizar as finanças e tomar decisões mais conscientes no dia a dia”, destacou.

Tiago França é o gerente do Sicredi Expansão na agência Pindorama, em Coruripe (Foto: Willams Campos)

O “Educação Financeira na Ponta do Lápis” se junta ao “Finanças na Mochila”, focado no ambiente escolar para capacitar professores a trabalharem a educação financeira em sala de aula, impactando diretamente crianças e adolescentes.

“O programa Finanças na Mochila, do Sicredi, é uma iniciativa de educação financeira voltada para crianças, que atua por meio da capacitação de professores. A partir dessa formação, os educadores desenvolvem projetos com seus alunos, levando o tema para a prática em sala de aula. O programa tem como base a educação financeira comportamental, focando na mudança de hábitos e atitudes em relação ao dinheiro, promovendo uma nova forma de pensar e agir sobre o consumo e as finanças”, reforçou Verena Ferrari.

Segundo Tiago França, investir na formação desde cedo é essencial para gerar impacto a longo prazo. “Com o Finanças na Mochila, a gente prepara os professores para levar esse conteúdo às crianças e adolescentes. É uma forma de inserir a educação financeira desde cedo, contribuindo para a formação de adultos mais responsáveis com o dinheiro”, afirmou.

Em 2025, o Sicredi Expansão levou o programa para os municípios de Arapiraca, Coruripe, Palmeira dos Índios, Penedo e Santana do Ipanema, em Alagoas, além de Salgueiro e Petrolina, em Pernambuco. Ao todo, a iniciativa foi desenvolvida em 17 escolas, impactando 4.502 alunos.

As ações reforçam o compromisso do Sicredi com o desenvolvimento das comunidades onde atua, promovendo não apenas o acesso a serviços financeiros, mas também o conhecimento necessário para uma relação mais equilibrada e consciente com o dinheiro.

Educação financeira deve começar a ser inserida infância

  • A educação financeira é uma ferramenta importante para orientar a população na organização do dinheiro e na conquista de objetivos. Segundo a contadora e presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Alagoas (CRC/AL), Adriana Andrade Araújo, o aprendizado permite desenvolver estratégias para transformar sonhos em realidade.
  • “A educação financeira busca orientar a sociedade para a construção de estratégias que levem à realização de sonhos, por meio do entendimento sobre crédito, investimentos, consumo consciente e endividamento”, explicou.

A especialista destaca que o processo deve começar ainda na infância, com a participação da família. “É essencial envolver crianças e adolescentes para formar adultos capazes de tomar decisões responsáveis sobre suas finanças”, afirmou.

De acordo com Adriana, o ensino deve ser adaptado à idade. Para os pequenos, atividades práticas, jogos e exemplos do dia a dia ajudam a introduzir conceitos básicos. O uso do cofrinho, por exemplo, é uma estratégia eficaz para ensinar a poupar.

“Ver o dinheiro guardado crescer ajuda a criança a entender a importância da disciplina e do planejamento”, ressaltou.

Já para adolescentes, a orientação pode incluir poupança e noções de investimento. “O importante é ensinar desde cedo que o dinheiro é limitado e deve ser usado com responsabilidade”, concluiu.

Falta de educação financeira na infância alimenta adultos endividados

O descontrole financeiro na vida adulta pode começar na infância. A forma como as crianças aprendem — ou deixam de aprender — a lidar com dinheiro influencia diretamente decisões futuras, consumo e endividamento.

O alerta é do analista Fábio Leão, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Alagoas, que defende a educação financeira como parte da formação desde os primeiros anos de vida. “Não se trata apenas de ensinar contas, mas de construir comportamento”, aponta.

Segundo Fábio Leão, a infância é o período em que padrões de consumo são definidos. A ausência de orientação nessa fase pode resultar em decisões impulsivas e dificuldade de controle financeiro no futuro.

O aprendizado inclui reconhecer limites, entender o valor do dinheiro e diferenciar necessidade de desejo — fatores que influenciam diretamente o consumo.

Outro ponto é a capacidade de esperar. Aprender a adiar compras e planejar objetivos contribui para decisões mais conscientes ao longo da vida.

Fábio Leão afirma que a forma como a criança aprende a lidar com dinheiro define decisões financeiras na vida adulta (Foto: Edilson Omena)


ENDIVIDAMENTO E ANSIEDADE 

TÊM ORIGEM NO DESCONHECIMENTO

A falta de educação financeira também está ligada a problemas recorrentes na vida adulta, como dívidas e estresse.

De acordo com Fábio Leão, pessoas que crescem sem noção clara sobre dinheiro tendem a enfrentar mais dificuldades para organizar a própria vida financeira.

Em contrapartida, o conhecimento desde cedo amplia a autonomia e melhora a tomada de decisão.

DINHEIRO E EMPREENDEDORISMO SEGUEM JUNTOS

A relação com o dinheiro não se limita ao consumo. Ela também influencia a capacidade de gerar renda.

Para Fábio Leão, educação financeira e empreendedorismo são processos complementares. Um ensina a administrar recursos; o outro, a criar oportunidades.

Essa combinação permite avaliar riscos, planejar ações e entender resultados antes de tomar decisões.

ENSINO PRECISA ACOMPANHAR A IDADE

A introdução ao tema deve ser feita de forma progressiva. Na infância, o contato é básico, com noções de troca e identificação do dinheiro.

Com o tempo, entram conceitos como limite de gastos, planejamento e comparação de preços. Na adolescência, surgem temas como juros, inflação e uso de serviços financeiros.

EXEMPLO DENTRO DE CASA DEFINE COMPORTAMENTO

O ambiente familiar tem papel central na formação financeira. O que os pais fazem pesa mais do que o que dizem.

Para Fábio Leão, incluir os filhos em decisões simples e mostrar a realidade do orçamento contribui para criar consciência sobre dinheiro.

A prática também envolve estabelecer limites e permitir que a criança enfrente consequências de escolhas.

ESCOLA REFORÇA APRENDIZADO COM PRÁTICA

Além da família, a escola atua como complemento na formação. O ensino pode incluir conceitos financeiros em diferentes disciplinas e atividades práticas.

Projetos e simulações ajudam a aproximar o conteúdo da realidade e estimulam o pensamento crítico sobre consumo.

ROTINA VIRA FERRAMENTA DE APRENDIZADO

A educação financeira pode ser aplicada no dia a dia. Situações simples, como compras no supermercado, podem ensinar planejamento e limite de gastos.

Outras estratégias incluem divisão do dinheiro em categorias, pesquisa de preços e controle de impulsos.

MESADA ENSINA, MAS EXIGE REGRA

A mesada é apontada como ferramenta de aprendizado, desde que usada com orientação.

Segundo Fábio Leão, o recurso deve servir para ensinar gestão e não como forma de recompensa ou punição. O erro faz parte do processo.

ERROS DOS PAIS COMPROMETEM O FUTURO

Alguns comportamentos podem prejudicar a relação da criança com o dinheiro, como esconder dificuldades financeiras ou usar consumo como compensação emocional.

Outro erro é evitar que o jovem enfrente consequências, o que impede o aprendizado.

IMPACTO VAI ALÉM DAS FINANÇAS

A educação financeira interfere diretamente na vida adulta. Mais do que renda, o conhecimento influencia escolhas, estabilidade e comportamento.

Para Fábio Leão, o resultado aparece na autonomia, no controle emocional e na capacidade de planejar o futuro.

Fampe amplia acesso ao crédito e cobre até 100% de garantias

O Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe) tem sido utilizado como instrumento para viabilizar crédito a pequenos negócios. De acordo com Fábio Leão, o mecanismo atua como garantia complementar nas operações realizadas junto a instituições financeiras.

“O Fampe funciona como um aval de crédito. Ele entra para facilitar a aprovação do financiamento junto aos bancos”, destacou. 

Na prática, segundo ele, o fundo cobre parte do risco da operação. Caso haja inadimplência, o Sebrae realiza o pagamento ao banco, mas a dívida continua sendo de responsabilidade da empresa. “O banco fica coberto, mas o cliente segue inadimplente até quitar a sua posição”, afirmou.

QUEM PODE ACESSAR E QUAIS OS LIMITES

O acesso ao Fampe está disponível para microempreendedores individuais (MEI) e micro e pequenas empresas (MPEs) que estejam com cadastro regular. Conforme destacou o analista, os valores variam de acordo com o porte:

- MEI: até R$ 100 mil;

- Microempresa: até R$ 400 mil;

- Empresa de pequeno porte: até R$ 700 mil.

Fábio Leão pontuou que o fundo pode garantir até 80% do valor financiado em empresas tradicionais e até 100% nos casos de negócios administrados por mulheres.

Ele acrescentou que o uso do Fampe pode substituir garantias exigidas pelos bancos, dependendo da linha de crédito. “É possível sim substituir garantias reais e até avalista, dentro desses limites”, disse.

PLANEJAMENTO É ETAPA DECISIVA ANTES DO CRÉDITO

O analista ressaltou que o acesso ao crédito deve ser precedido de planejamento financeiro. Segundo ele, o Sebrae oferece atendimento prévio para orientar empresários antes da ida ao banco. “Recomendamos uma consultoria antes de buscar financiamento. Nessa etapa, o empresário consegue analisar fluxo de caixa, capacidade de pagamento e nível de endividamento”, salientou.

Ele também citou erros comuns cometidos por pequenos negócios ao contratar crédito, como falta de planejamento, ausência de controle financeiro e alto nível de dívidas. “Sem essas informações, aumenta o risco de inadimplência”, considerou.

USO DO RECURSO E IMPACTO NAS EMPRESAS

O Fampe pode ser utilizado em diferentes modalidades de crédito, incluindo capital de giro, investimento ou operações mistas. Segundo Fábio Leão, o principal efeito do fundo é ampliar a capacidade de crescimento das empresas.

“Ao facilitar o crédito, o Fampe permite expansão de mercado e aumento do faturamento”, afirmou. Ele também destacou reflexos na economia. “As empresas passam a produzir mais, contratar mais e recolher mais impostos”, pontuou.

ORIENTAÇÕES AO EMPRESÁRIO

Para acessar o crédito com apoio do Fampe, o Sebrae orienta que o empresário organize a documentação da empresa, verifique possíveis pendências financeiras e elabore um plano de negócios. Fábio Leão ressaltou ainda a importância da qualificação. “Não é obrigatório, mas cursos de gestão ajudam na tomada de decisão”, disse.

Ele concluiu destacando a necessidade de compromisso com o financiamento. “É fundamental honrar o crédito contratado e executar o projeto conforme planejado”, concluiu.

O fundo de aval do Sebrae é usado por micro e pequenas empresas para facilitar acesso a financiamento junto a bancos (Foto: Reprodução)