A presença feminina no mundo dos negócios tem se destacado não apenas pelo número de empreendedoras, mas pela forma única de liderar. Diferentemente de seus colegas masculinos, muitas mulheres optam por empreender buscando flexibilidade, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, ou uma oportunidade de transformar habilidades em renda, ao invés de apenas maximizar lucro.
Datas sazonais, como a Páscoa, se tornaram verdadeiros laboratórios de negócios para mulheres no Brasil. O mercado de ovos e chocolates artesanais cresce a cada ano, impulsionado por consumidores que valorizam produtos personalizados, de qualidade e feitos à mão. Essa movimentação permite que muitas empreendedoras iniciem com baixo investimento, construam clientela e até formalizem seus negócios.
Empreendimentos como os de confeiteiras em Alagoas mostram que atenção ao detalhe, estética e inovação são diferenciais estratégicos. Além de atender à demanda crescente por alimentos mais saudáveis e sofisticados, essas empresas transformam criatividade em lucro e reforçam a presença feminina na economia. Dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) e de bancos como Itaú e Banco do Nordeste mostram que o protagonismo feminino no empreendedorismo segue em expansão. Hoje, mais da metade das empresas iniciadas no país são lideradas por mulheres, que se destacam também por priorizar sustentabilidade, impacto social e inovação digital.
Contudo, o crescimento exige novos desafios. Muitas empreendedoras precisam evoluir de “faz-tudo” para gestoras estruturadas, desenvolvendo processos, liderança e equipe. A profissionalização se torna essencial para transformar entusiasmo em resultados consistentes e permitir a expansão segura dos negócios.
Um exemplo de sucesso é a empreendedora Raiza Tavares, 31 anos, ela é a força por trás da Doçuras de Paris, em Paripueira, no Litoral Norte de Alagoas. Há quatro anos, ela decidiu transformar sua paixão por chocolates em negócio, conciliando a produção com as demandas da casa e dos filhos. “Comecei para ter uma renda extra e ajudar nos custos de casa e com as crianças”, conta Raiza.

A empresa trabalha com chocolates e sobremesas durante o ano todo, incluindo trufas, bombons e pirulitos, mas é na Páscoa que o negócio realmente dispara. “O movimento triplica. Já começamos nossa produção voltada para venda no varejo e também no atacado, atendendo escolas e empresas. Hoje, quase 90% da nossa agenda está fechada”, explica. Para fidelizar clientes, Raiza oferece descontos para pedidos antecipados e brindes para compras acima de determinado valor.
O crescimento da Doçuras de Paris foi construído com apoio de familiares e amigos, além de investimento inicial do esposo de Raiza. “No início, ele investiu um pouco até conseguirmos tirar da própria venda o valor necessário para comprar os insumos seguintes”, lembra.

A capacitação também foi essencial para o sucesso do empreendimento. Raiza participou de cursos oferecidos pela Aleplast, ministrados pela professora Thaiana Amorim, e recebeu consultoria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Alagoas, aprendendo detalhes fundamentais sobre manuseio e técnicas do chocolate. Hoje, sua empresa é referência local em qualidade e atendimento, mostrando que paixão, dedicação e planejamento podem transformar uma ideia simples em um negócio lucrativo e consolidado. Para quem deseja conhecer melhor o empreendimento basta acessar o perfil no Instagram @docurasdeparis.
“Enquanto grandes redes buscam escala e padronização, essas mulheres trabalham com humanização do consumo, personalização e cuidado com a comunidade'', Fábio Leão, economista
Empreendedoras da Zona da Mata transformam a Páscoa em negócio de sucesso
Carla Cristynne e Ana Theresa Alves, também são exemplos de mulheres que transformaram a paixão pela confeitaria em uma oportunidade de negócio nas cidades de Chã Preta e Paulo Jacinto, na Zona da Mata de Alagoas. Ambas trabalham com encomendas e entregas na região, oferecendo chocolates e doces artesanais que conquistam clientes pela qualidade, criatividade e atenção aos detalhes.
Carla, 25 anos, é dona da confeitaria Dolce Cá (@dolceca_oficial) criada em Chã Preta, mas que atualmente se expandiu com espaço físico também em Paulo Jacinto. Ela conta que começou a produzir ovos de Páscoa em 2020 e que, desde então, o negócio cresceu a cada ano. “Trabalho com a produção de ovos de chocolate há seis anos, e a cada Páscoa surge uma nova expectativa de boas vendas. Felizmente, esse período vem crescendo bastante, com aumento significativo na procura”, diz Carla.
Embora a Páscoa seja o período mais intenso, ela explica que a produção é constante ao longo do ano: “No decorrer do ano, trabalho só com confeitaria mesmo, e é possível lucrar neste período usando criatividade, acompanhando tendências, escolhendo um bom chocolate e planejando a dinâmica de vendas”.

Para atrair clientes, Carla conta que aposta em sorteios no Instagram, brindes, descontos especiais e pronta entrega. “É uma forma de agradecer aos clientes pela preferência, oferecendo sempre algo a mais. Nossa produção é familiar. Todos são envolvidos, minha irmã, minha mãe, até primas ajudam nas embalagens e embrulhos e os homens da família ficam responsáveis pelas entregas”.
Ana Theresa Alves, 35 anos, também atua com encomendas e entregas de chocolates e doces artesanais na região. Ela reforça o potencial de crescimento da Páscoa como oportunidade de renda na @Donaanaconfeita. “Sim, dá para lucrar bastante se a produção for bem organizada. A procura aumenta muito nesse período, e quem planeja direitinho consegue atender ao público com qualidade e rapidez”.
Ambas destacam que, no início, não contaram com cursos específicos nem consultorias formais, nem buscaram empréstimos em instituições financeiras. “No começo, tudo era feito com o que tínhamos em casa. Investimos pouco a pouco e, com a experiência adquirida, conseguimos montar nossa própria cozinha e organizar melhor o negócio”, explica Carla.
Entre os produtos mais procurados estão trufas, bombons, pirulitos de chocolate e, claro, os ovos de Páscoa, que variam entre R$ 5 e R$ 150, dependendo do tamanho e acabamento. O movimento da Páscoa, segundo as empreendedoras, é intenso: “Nossa agenda vai até o domingo de Páscoa, mas sempre temos uma vaga para encomendas de última hora e opções de pronta entrega para quem não quer esperar”, afirma Carla.

Como única fonte de renda atual, Ana Thereza também ressalta a importância do apoio do esposo. “É possível obter um bom lucro nesse período, principalmente com organização. Este ano, por exemplo, conseguimos melhorar os preços em relação ao ano passado justamente por uma melhor gestão dos custos. A média de valores dos ovos varia entre R$ 40,00 e R$ 80,00. Já temos um bom número de encomendas, e a agenda continua aberta. Aceitamos pedidos até o domingo de Páscoa, e também trabalhamos com pronta entrega, organizando a produção conforme a demanda dos clientes. A produção é familiar — meu esposo e eu trabalhamos juntos na fabricação dos ovos, especialmente os ovos de colher. Fazemos um investimento inicial com a compra de toda a matéria-prima e, a partir disso, acompanhamos a lucratividade’’.
Alagoas registra crescimento histórico de MEIs e empresas lideradas por mulheres
Em 2025, Alagoas bateu recorde na abertura de empresas, com mais de 45 mil novos negócios formalizados, segundo dados da Junta Comercial do Estado de Alagoas (Juceal). Mais de 70% dessas empresas foram constituídas como Microempreendedores Individuais (MEIs), evidenciando o protagonismo das micro e pequenas empresas na economia local. O crescimento foi impulsionado por políticas de desburocratização e incentivos fiscais, com destaque para Maceió, que liderou as aberturas.
Até março de 2026, o estado contabiliza 59.838 MEIs em nome de mulheres, compondo o total de 105.699 empresas lideradas por mulheres, incluindo MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte. O número representa um aumento de 9,21% em relação ao ano anterior, consolidando o empreendedorismo feminino como um dos pilares da economia alagoana. Micro e pequenas empresas continuam dominando o cenário empresarial, e plataformas como o Contrata+Brasil apontam o mercado aberto para aproximadamente 13 mil MEIs neste início de 2026. Embora os números finais do ano ainda não estejam disponíveis, o ritmo de formalização segue em alta, reforçando a trajetória de crescimento empresarial em Alagoas.
Aberturas e áreas de atuação
No ano passado, mulheres abriram 12.797 empresas, com destaque para os setores de comércio (4.381), alojamento e alimentação (2.123), indústrias de transformação (1.720), atividades administrativas (1.464) e outras atividades de serviços (1.643), evidenciando a força feminina no empreendedorismo, especialmente nos setores de serviços e comércio.
No recorte entre janeiro e março, as novas aberturas também cresceram, passando de 3.536 em 2025 para 3.989 em 2026. Entre os setores liderados por mulheres nesse período, o comércio registrou 1.328 novas empresas, seguido por alojamento e alimentação (645), indústrias de transformação (531), atividades administrativas (495) e atividades profissionais, científicas e técnicas (376). Áreas como educação (386), transporte (303) e saúde (96) também tiveram participação, enquanto indústrias extrativas, eletricidade, atividades financeiras e administração pública não registraram aberturas, mostrando que o empreendedorismo feminino se concentra majoritariamente em serviços e comércio, conforme o levantamento solicitado pela reportagem a Juceal.
Renata Cristina transforma datas comemorativas em tradição em Paulo Jacinto
Renata Cristina, 42 anos, é a mente por trás da Rebolos Casa do Bolo & Confeitaria (@reebolos_), em Paulo Jacinto. Com mais de 15 anos de experiência no ramo da confeitaria, Renata iniciou sua carreira em Curitiba, Paraná, em 2008, trabalhando com encomendas de bolos e doces artesanais, e posteriormente trouxe seu talento para Alagoas, conquistando clientes fiéis na região.
“Atuo desde 2008 no ramo da confeitaria e sempre produzi ovos de Páscoa, bolos, docinhos”, conta Renata. Para ela, a Páscoa é mais do que uma data comemorativa, é um período estratégico que garante lucro e movimenta o negócio. “Sim! A Páscoa é minha principal fonte de renda, mas durante o ano produzo encomendas de bolos personalizados, kits para festa, pães caseiros, salgados… uma infinidade de produtos artesanais”, explica.
Renata destaca que a produção é familiar, com a participação de familiares no preparo e entrega dos produtos, mantendo o toque artesanal que é marca registrada da Rebolos. Para atrair clientes, a confeiteira aposta em promoções e brindes especiais. “Nesta Páscoa teremos o ‘Dia do Ovo Maluco’, com várias opções com 50% de desconto”, revela.
Os valores dos ovos variam conforme a gramatura, entre R$ 20 e R$ 80, e a agenda para encomendas ainda está aberta. “Sim, já temos muitas encomendas, mas sempre atendemos pedidos de última hora”, completa Renata.
Além da experiência prática, Renata é confeiteira formada por curso profissionalizante, garantindo qualidade e consistência em cada produto. Diferentemente de outros empreendedores, ela não buscou empréstimos ou consultorias, preferindo crescer de forma orgânica e com recursos próprios. “Sou grata a Deus por cada cliente que confia no meu trabalho. Quem prova a Rebolos sabe o toque especial que nossos produtos artesanais têm”, finaliza Renata, mostrando que dedicação, tradição e criatividade são os ingredientes do sucesso de sua confeitaria em Paulo Jacinto.
Arquiteta une profissão ao hobby e transforma paixão pela culinária em renda extra na Páscoa
Unir criatividade, técnica e paixão foi o caminho encontrado pela arquiteta Katiléia Melo para empreender. À frente do “Nego Bom Art”, ela transformou o amor pela cozinha em um negócio que ganha ainda mais força durante a Páscoa, com a produção de ovos de chocolate artesanais. A ideia de trabalhar com ovos de Páscoa surgiu em 2016, um ano após iniciar o empreendimento com brownies. Segundo Katiléia, o interesse nasceu ao acompanhar tendências do mercado.
“Eu comecei com o Nego Bom mesmo em 2015. Comecei fazendo brownie, né, é o principal foco. E aí, na Páscoa de 2016, me surgiu essa ideia. Eu vi que tava em alta essa questão de ovo de colher e aí comecei a fazer”, relembra.
Desde então, a produção dos ovos se tornou uma tradição, mesmo conciliando com a carreira na arquitetura. “Teve anos que eu fiz e anos que eu não fiz, porque eu sempre juntei essa questão do Nego Bom com a minha profissão, né, eu sou arquiteta. Mas sempre gostei muito de cozinhar. Então eu disse: ‘poxa, eu gosto tanto disso, vou transformar esse hobby numa forma de ter uma renda extra’. E aí, desde então, na Páscoa, é de lei sempre ter esses ovos de Páscoa do Nego Bom”, afirma.
Mesmo sendo uma produção artesanal e em pequena escala, Katiléia garante que o retorno financeiro é significativo. “É tudo baseado no tempo que você investe, é totalmente proporcional ao que você ganha. No meu caso, eu realmente levo essa questão dos ovos dessa forma tradicional, mesmo como uma renda extra. Dá para tirar um dinheiro bom. Eu sempre passo aí dos mil, mil e quinhentos, e olha que eu faço algo bem reduzido”, explica.

Ela destaca que praticamente todo o processo é feito por ela mesma, desde a produção até a embalagem. “Basicamente sou eu. Às vezes tenho ajuda, mas é tudo muito artesanal. Eu faço embalagem, impressão, tudo. Realmente é uma forma tradicional de trabalhar”, diz.
Na divulgação, o principal aliado ainda é o boca a boca, embora as redes sociais também contribuam. “Principalmente boca a boca. Hoje em dia o Instagram ajuda muito, mas eu invisto pouco em tráfego pago. Como é uma produção pequena, acabo indo mais no orgânico. Então são amigos, família, um indicando para o outro”, conta.
Para esta Páscoa, a expectativa é positiva. A agenda já está aberta e recebendo encomendas. “Está boa, já está aberta. Eu geralmente aceito encomendas até o dia da Páscoa. Inclusive, uma dica é deixar alguns ovos prontos no dia, porque sempre aparece alguém querendo comprar de última hora”, orienta.
Sobre os sabores, Katiléia explica que aprendeu, com o tempo, a importância de trabalhar com um cardápio definido. “No começo, o cliente escolhia tudo. Mas percebi que é melhor ter um cardápio pré-estabelecido, porque às vezes o cliente nem sabe o que quer. Hoje trabalho com oito a dez opções, como brigadeiro, brownie, ninho com Nutella, torta de morango com geleia artesanal. Mas sempre dá para adaptar”, afirma.

Os preços variam conforme o produto, com opções mais acessíveis e outras mais elaboradas. “Os mini-ovos e as barras recheadas variam de R$ 42 a 48. Já os ovos de colher têm duas opções: os simples, por 72 reais, e os especiais, por 82. O chocolate aumentou muito, então a gente precisa repassar, mas sempre prezando pela qualidade”, explica.
Para quem deseja encomendar, o contato é feito principalmente pelas redes sociais. “Quem quiser fazer encomenda, o Instagram é @negobomart. Lá tem todas as informações e o link para o WhatsApp. É só chegar que a gente está atendendo”, finaliza.
Os negócios de proximidade dos bairros e as oportunidades de datas comemorativas como a Páscoa
Em Alagoas, muitas mulheres têm aproveitado datas comemorativas, especialmente a Páscoa, para produzir ovos de chocolate artesanais e gourmet. Mais do que uma renda extra, essas iniciativas refletem um movimento de economia de proximidade, impulsionando o comércio local, promovendo autonomia financeira e fortalecendo a identidade territorial.
“Para muitas dessas mulheres, a Páscoa funciona como um ‘13º salário autônomo’. A renda que elas geram é, na grande maioria, reinvestida no próprio bairro, o que beneficia desde mercadinhos e padarias até escolas e salões de beleza locais”, explica Fábio Leão, professor, economista e analista do Sebrae Alagoas.
Segundo Leão, os impactos econômicos podem ser analisados em três níveis. Primeiro, na economia familiar, onde o lucro obtido garante segurança financeira e capacitação empreendedora. “Quando a mulher controla sua própria fonte de renda, pesquisas mostram que cerca de 90% do valor é direcionado para educação, saúde e alimentação da família. Além disso, elas aprendem precificação, marketing digital e logística, habilidades que permanecem no núcleo familiar mesmo após a data comemorativa”, destaca o economista.
O segundo efeito ocorre no bairro, caracterizando uma economia circular. Diferente dos ovos industrializados, cujos lucros vão para grandes corporações, os ovos artesanais mantêm o dinheiro circulando localmente. “O ciclo da riqueza é simples: compram-se insumos no comércio do bairro, o lucro é gasto em serviços e produtos locais, e o dinheiro troca de mãos várias vezes antes de sair da comunidade. Isso fortalece a economia do bairro de forma direta e sustentável”, comenta Leão.

No contexto da cidade, a prática fortalece o microempreendedorismo e a identidade territorial. Com tecnologias de pagamento digital como Pix e Drex, a economia de bairro tornou-se mais rastreável e potente. “Essas mulheres são potenciais microempreendedoras individuais (MEIs). Ao se formalizarem, elas têm acesso a microcrédito orientado, que permite a aquisição de equipamentos melhores e o crescimento do negócio em anos seguintes. Além disso, a produção artesanal cria orgulho e visibilidade para o bairro, gerando capital social e inclusão produtiva”, observa o analista do Sebrae Alagoas.
Leão também ressalta a importância da conexão dessas microempresárias com políticas públicas: “Pequenas medidas podem gerar grandes impactos. Por exemplo, a criação de cooperativas de compras para insumos ou linhas de microcrédito específicas para a Páscoa poderia reduzir custos e permitir expansão da produção. Prefeituras, governos estaduais e organizações como o Sebrae podem atuar diretamente, fortalecendo negócios de primeira instância e aumentando a eficiência dos recursos aplicados”.
O fenômeno evidencia que a produção artesanal não é apenas uma atividade sazonal, mas um motor de resiliência urbana, capaz de promover autonomia financeira, desenvolver competências empreendedoras e estimular a economia local em múltiplos níveis.
“Enquanto grandes redes buscam escala e padronização, essas mulheres trabalham com humanização do consumo, personalização e cuidado com a comunidade. É uma economia que transforma não apenas os lucros, mas vidas”, conclui Fábio Leão.
Sebrae/AL dá dicas para impulsionar vendas de ovos de Páscoa
A Páscoa é mais do que uma data simbólica, é também uma oportunidade para empreendedores aumentarem o faturamento, especialmente com produtos à base de chocolate. Para auxiliar pequenos negócios a se destacarem neste período, o Sebrae Alagoas recomenda estratégias práticas de marketing e vendas.
Para o comércio, a data está entre as datas mais importantes do ano e o planejamento para as vendas começa com meses de antecedência. O reforço nas equipes acompanha o crescimento da produção. Com o mercado aquecido, a indústria ampliou em 50% o número de empregos temporários em relação a 2025. O presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), Jaime Recena, afirma que o setor está otimista, e projeta uma Páscoa com ótimos resultados para toda a cadeia produtiva.
“Essa época do ano sempre movimenta o mercado e mexe com a nossa memória afetiva. Seja para presentear ou para consumo próprio, a demanda por ovos de Páscoa é intensa. Por isso, o empreendedor que fabrica e vende esses produtos precisa estar preparado para o aumento nas vendas. É fundamental utilizar as redes sociais de forma estratégica para se diferenciar e potencializar o alcance do seu negócio”, orienta Ariana Gonçalves, analista de Relacionamento Empresarial do Sebrae Alagoas.
Entre as principais recomendações do Sebrae estão:
Crie um plano de marketing: defina objetivos e metas claras, organize estratégias de vendas e cronograma de postagens para garantir consistência;
Use redes sociais com inteligência: promova produtos com fotos e vídeos atrativos, utilize hashtags relacionadas à Páscoa e mantenha atenção no atendimento ao cliente;
Invista em embalagens atrativas: ofereça opções personalizadas e variadas, pensando em diferentes perfis de consumidores;
Faça parcerias estratégicas: colabore com influenciadores ou outras empresas para ampliar o alcance da marca;
Tenha um diferencial competitivo: destaque-se com produtos exclusivos, entregas personalizadas ou ingredientes especiais para fidelizar clientes.

“Buscamos sempre identificar as melhores formas de auxiliar o empreendedor. Aplicamos um diagnóstico que avalia a saúde da empresa e aponta os pontos que precisam de melhorias imediatas. A partir disso, oferecemos consultorias, indicamos cursos e promovemos eventos, além de disponibilizar uma plataforma com diversos cursos gratuitos”, explica Ruan Lee, trainee de Relacionamento Empresarial do Sebrae Alagoas.
Com atenção a essas estratégias, pequenos negócios podem aproveitar a alta demanda da Páscoa, fortalecer a marca e garantir resultados mais consistentes ao longo do ano.
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA
Em 2025, micro e pequenos empreendimentos urbanos e rurais foram responsáveis por 67,56% do crédito contratado no estado, o equivalente a R$ 1,7 bilhão. O resultado representa um avanço de mais de 10 pontos percentuais em relação ao ano anterior e mostra a força dos pequenos negócios na economia alagoana.
Boa parte desse volume veio dos programas de microcrédito Crediamigo (urbano) e Agroamigo (rural), que juntos somaram cerca de R$ 1 bilhão em financiamentos. O primeiro contratou R$ 515 milhões e o segundo R$ 435,6 milhões, atendendo públicos como agricultores familiares, trabalhadores informais e microempreendedores individuais.
O desempenho reforça a relevância dessas linhas de crédito para geração de emprego e renda, além de ampliar o acesso de quem tradicionalmente fica fora do sistema bancário. Em Alagoas, os números evidenciam o papel estratégico dos pequenos negócios na movimentação da economia e na redução das desigualdades sociais.



