Enio Lins

Alagoas e alguns de seus cenários para 2027 – parte 2

Enio Lins 06 de novembro de 2026

Não é novidade o avanço galopante do poder do Legislativo sobre a raia do Executivo. Da instituição do antigo “orçamento participativo” a coisa pulou para as emendas impositivas e daí para as famigeradas emendas pix. O exemplo federal migra para Estados e Municípios. É o tal semiparlamentarismo. Em Alagoas não é diferente.

Mas Alagoas é diferente. De certa forma, sempre foi. Por aqui não é novidade estar à vanguarda: Hermeto Pascoal e Nise da Silveira não foram casos isolados. Na política, o posicionamento de Calabar – no século XVII – foi pioneiro e ainda hoje é discutido. Para citar um exemplo fora da curva, em 1957, aqui rolou o primeiro processo de impeachment (conhecido) na América Latina, com o então governador Muniz Falcão sendo absolvido ao fim e ao cabo, num processo no qual estreou – com grande impacto internacional – a modalidade “Tiroteio no Plenário”. Na atual quadra de tempo, sem alarde, o Legislativo alagoano tem acrescentado poder a si próprio de forma diferenciada do resto do Brasil.

Esse compartilhamento inusitado se deve à capacidade da Casa Tavares Bastos se postar de forma unânime quando estão em jogo questões estratégicas para a administração pública, seja no Executivo ou no Judiciário. O arquiteto dessa unidade chama-se Marcelo Victor, cujas repetidas eleições para a presidência da Mesa Diretora pelo placar 27 x 0 querem dizer alguma coisa além do que a vã filosofia possa supor.

Está definida no parlamento alagoano uma estratégia de largo espectro, e não tática transitória, de substituição do modelo clássico “situação versus oposição” (ainda manifestado, em termos ideológicos, no plenário) para uma unidade de ação, prática, férrea, em torno dos interesses daquela casa. E qualquer governador terá que considerar essa questão – e não é mero detalhe.