Enio Lins
Alagoas e alguns de seus cenários para 2027 – parte 1

Mudanças antagônicas no governo alagoano não acontecem desde 1999, quando Ronaldo Lessa tomou posse depois do trágico período marcado pela crise que derrubou Divaldo Suruagy em 1996, mandato concluído por Manoel Gomes de Barros. Lessa passou a cadeira para Téo Vilela em 2007 sem atritos, assim como Renan Filho recebeu o cargo de Vilela em 2015 em transição tranquila. Nesta virada de 2026 para 2027 inexistem pontos de convergência, nem diplomacia, entre quem sai e quem chega.
Com o governo Lula, entretanto, JHC não encontrará dificuldades. Luiz Inácio jamais discriminou governantes que não tenham votado nele. Só para citar o quadriênio que se encerra, a atitude republicana da presidência Lula com seu mais ferrenho opositor, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é uma eloquente prova da correção do presidente reeleito, que não economizou verbas para projetos paulistas como a estratégica obra do Túnel Imerso Santos–Guarujá. E mais: JHC, não declarou apoio a Lula, mas não pediu um voto sequer para o cãodidato hoje derrotado e fugitivo.
Reconheça-se esse mérito no governador eleito. Segurou a peteca no 1º turno, sem receio de represálias bolsonaristas, e manteve a neutralidade oficial durante toda a tensa disputa no 2º turno, expondo-se a vinganças na hipótese de vitória do filho de Jair. JHC contribuiu com a Democracia mantendo-se em silêncio no Estado nordestino onde o bolsonarismo tradicionalmente zurra seus melhores resultados (41,32% em 2022; 39,33% em 2026), e cuja capital segue sendo a única na Região onde Bolsonaro ainda vence (57,18% em 2022; 52,01% em 2026).
Mas se o novo governador de Alagoas pode contar com o governo federal, desde agora topa com uma Assembleia Legislativa disposta a não lhe proporcionar sombra nem água fresca – a não ser que aceite compartilhar espaços reais de poder, atitude estranha à trajetória política de JHC. Aí, sim, agora é parada dura.
Enio Lins
Sobre
Enio Lins é jornalista profissional, chargista e ilustrador, arquiteto, membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Foi presidente do DCE da UFAL, diretor do Sindicato dos Jornalistas, vereador por Maceió, secretário de Cultura de Maceió, secretário de Cultura de Alagoas, secretário de Comunicação de Alagoas, presidente do ITEAL (Rádio e TV Educativas) e coordenador editorial da OAM.




