PSICÓLOGA SONJA CAMELO

A CONQUISTA DE NÓS MESMOS

PSICÓLOGA SONJA CAMELO 26 de outubro de 2026

Há pessoas que passam a vida inteira conquistando o mundo e chegam à velhice sem jamais terem conquistado a própria impaciência.

Aprenderam a abrir portas, mas não a fechar os lábios diante de uma provocação. Acumularam títulos, mas não aprenderam a pedir perdão. Venceram grandes disputas, mas continuaram perdendo pequenas batalhas contra o próprio orgulho.

E então me pergunto: de que vale conquistar tanto lá fora, quando ainda somos tão pouco senhores daquilo que acontece dentro de nós?

Vivemos em busca de reconhecimento, sucesso e realizações. Mas, enquanto aprendemos a administrar tantas coisas, nem sempre conseguimos governar nossas emoções, nossos desejos e nossas palavras.

Lembro-me de uma criança que, contrariada, atirou um brinquedo ao chão. A mãe, cansada, respirou profundamente. Por um instante, duas impaciências estavam prestes a se encontrar.

Mas ela escolheu a serenidade.

Naquele pequeno gesto, não estava apenas educando o filho. Estava também educando a si mesma.

E talvez seja justamente aí que comece as virtudes, elas aperfeiçoam nossas capacidades e nos inclinam a agir conforme o verdadeiro bem.

A prudência nos ajuda a discernir. A justiça nos ensina a respeitar o outro. A fortaleza nos sustenta nas dificuldades. E a temperança nos recorda que nem todo desejo precisa ser obedecido.

Porque ser livre não é fazer tudo o que queremos, mas aprender a escolher aquilo que verdadeiramente nos faz bem.

E existe algo ainda mais profundo: nossas virtudes nunca pertencem apenas a nós.

A paciência de uma mãe pode tornar-se segurança para um filho. A justiça de um pai pode ensinar pelo exemplo. A fortaleza de um casal pode mostrar que o amor também amadurece nas dificuldades.

Aquilo que cultivamos dentro de nós acaba florescendo, ou ferindo, a vida daqueles que nos cercam.

O tempo passa. Os títulos perdem o brilho, os aplausos silenciam e muitas conquistas ficam para trás.

Mas permanecem as marcas que deixamos no coração das pessoas.

Talvez, ao final da vida, a pergunta mais importante não seja:

O que consegui conquistar?

Mas:

Quem me tornei enquanto caminhava pela vida?

Porque a maior conquista não é fazer o mundo se curvar à nossa vontade.

É aprender a governar a nós mesmos para amar melhor.

E deixo uma última pergunta:

Que bem a minha vida está fazendo à vida de alguém?