PSICÓLOGA SONJA CAMELO
A CONQUISTA DE NÓS MESMOS
Há pessoas que passam a vida inteira conquistando o mundo e chegam à velhice sem jamais terem conquistado a própria impaciência.
Aprenderam a abrir portas, mas não a fechar os lábios diante de uma provocação. Acumularam títulos, mas não aprenderam a pedir perdão. Venceram grandes disputas, mas continuaram perdendo pequenas batalhas contra o próprio orgulho.
E então me pergunto: de que vale conquistar tanto lá fora, quando ainda somos tão pouco senhores daquilo que acontece dentro de nós?
Vivemos em busca de reconhecimento, sucesso e realizações. Mas, enquanto aprendemos a administrar tantas coisas, nem sempre conseguimos governar nossas emoções, nossos desejos e nossas palavras.
Lembro-me de uma criança que, contrariada, atirou um brinquedo ao chão. A mãe, cansada, respirou profundamente. Por um instante, duas impaciências estavam prestes a se encontrar.
Mas ela escolheu a serenidade.
Naquele pequeno gesto, não estava apenas educando o filho. Estava também educando a si mesma.
E talvez seja justamente aí que comece as virtudes, elas aperfeiçoam nossas capacidades e nos inclinam a agir conforme o verdadeiro bem.
A prudência nos ajuda a discernir. A justiça nos ensina a respeitar o outro. A fortaleza nos sustenta nas dificuldades. E a temperança nos recorda que nem todo desejo precisa ser obedecido.
Porque ser livre não é fazer tudo o que queremos, mas aprender a escolher aquilo que verdadeiramente nos faz bem.
E existe algo ainda mais profundo: nossas virtudes nunca pertencem apenas a nós.
A paciência de uma mãe pode tornar-se segurança para um filho. A justiça de um pai pode ensinar pelo exemplo. A fortaleza de um casal pode mostrar que o amor também amadurece nas dificuldades.
Aquilo que cultivamos dentro de nós acaba florescendo, ou ferindo, a vida daqueles que nos cercam.
O tempo passa. Os títulos perdem o brilho, os aplausos silenciam e muitas conquistas ficam para trás.
Mas permanecem as marcas que deixamos no coração das pessoas.
Talvez, ao final da vida, a pergunta mais importante não seja:
O que consegui conquistar?
Mas:
Quem me tornei enquanto caminhava pela vida?
Porque a maior conquista não é fazer o mundo se curvar à nossa vontade.
É aprender a governar a nós mesmos para amar melhor.
E deixo uma última pergunta:
Que bem a minha vida está fazendo à vida de alguém?
PSICÓLOGA SONJA CAMELO
Sobre
Psicóloga Clínica e professora do Cesmac estudiosa da Psicologia Tomista, possue edição de livro infantil.





