Enio Lins
Milhões de razões para o crime organizado disparar
Reportagem da BBC Brasil em 27 maio de 2019 fez uma conta simples: “O novo decreto sobre armas do governo de Jair Bolsonaro (PSL) autoriza a compra de pelo menos 2,1 bilhões de munições, a partir deste ano, por brasileiros que já possuem registro de arma de fogo. Essa quantidade é suficiente para que 5,7 milhões disparos sejam efetuados por dia no país”. Era assim no tempo do Jair, e se Flávio for eleito, esse carnaval armamentista voltará a cartaz, para alegria da bandidagem.
Tal tsunami de balas foi barrada pelo governo Lula, que cancelou a legislação gangsteriana de seu antecessor. Comparação rápida: Para a defesa pessoal Jair liberou 600 balas por ano e Lula devolveu a quantidade permitida pelo Estatuto do Desarmamento: 50 balas. Para caça e tiro esportivo Jair tinha liberado 180 mil munições por ano(!), e Lula fixou dois limites, cinco mil para calibres “civis” e mil para calibres de uso restrito.
Lógico que nem os ultra-hiper-maníacos por tiro disparam 180 mil projéteis por ano (493 tiros por dia, ou 20 disparos por hora!!). Nem John Dillinger ou Billy The Kid, americanos que fizeram fama na rapidez no gatilho, seriam capazes de tamanha proeza. Obviamente que a legislação de Bolsonaro era voltada para a circulação livre, leve e solta do “excedente” de munição. Ganha uma bala (confeito!) quem adivinhar os compradores...
Mas algo complica esse tráfico: a identificação exigida por lei. O fluxo da munição é facilmente atestado pelo número de série gravado em cada cápsula (policial e militar) ou cada lote (defesa pessoal, caça e tiro esportivo). Esse “pequeno detalhe” é o que o senador Flávio suou para eliminar e não conseguiu. Ainda. Mas, se presidente da República, abrirá as torneiras “balísticas” para a felicidade total do tráfico: Iuurrruuuuuu!!! – Como gosta de zurrar seu mitológico pai...
Enio Lins
Sobre
Enio Lins é jornalista profissional, chargista e ilustrador, arquiteto, membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Foi presidente do DCE da UFAL, diretor do Sindicato dos Jornalistas, vereador por Maceió, secretário de Cultura de Maceió, secretário de Cultura de Alagoas, secretário de Comunicação de Alagoas, presidente do ITEAL (Rádio e TV Educativas) e coordenador editorial da OAM.





