Petrucia Camelo

POETAS – ECTOPLASMA VERBAL

Petrucia Camelo 20 de outubro de 2026

O dia 20 do mês de outubro é dedicado ao poeta, esse transgressor das realidades humanas, com suas rupturas ocasionais do que é considerado tradicional. Apesar de eu estar na idade em que as flores esperam que eu as veja, tal é o meu engolfamento com as atividades do cotidiano e de subsistência que me restringem de desfrutar melhormente do que recebo da atmosfera do irreal.

Recorro ao tempo, esse construtor e avassalador de sonhos, para me dar, de quando em quando, uma trégua, e logo corro a sentar-me no patamar da materialização do irreal para dar uma espiada no mundo poético.

E é-me difícil voltar à realidade, pelo menos ao mediano das propostas, pois o que nos salva da nossa condição humana é a realidade das coisas eternas que promovem essa fugídia expansão do espírito regada do conhecimento do que nos rodeia e da volátil intencionalidade do abrigo da palavra.

A poesia, essa deusa assentada nos continentes navega sob os espelhos dos 5 oceanos, tão cantantes, como se fossem o canto das sereias de Ulisses, escritos em Odisseia a hipnotizarem quem as houve.

A poesia, vestida e revestida, uniformizada de sentimentos, leva as emoções a passeio nas alcovas dos poetas e poetisas, reacendendo os seus ânimos no enfrentamento dos abusos mundanos.

É o seu olhar um pedido de socorro para os seus súditos; o seu perfume, uma vontade de se fazer amar; sua febre, os calafrios do corpo poético açoitado pela sensibilidade, os desejos das inspirações um toque nas estrelas; e ficamos à espera do que está por vir.

Desse modo, poetisas e poetas se tornam donos não da verdade, mas da comunicação, embora nem sempre seja compreendida. Diz-se que o poeta é aquele que sonha, mas não é verdade; o poeta é aquele que traz a capacidade de ler nas entrelinhas o momento em que se torna visível a cor, o som, a luz, o aroma, a lágrima, símbolos maiores da inspiração.

É como diz o poeta Goethe “a poesia não tem explicação” e sabe-se que basta que os versos toquem o outro, em explosão arrebatadora da palavra inesperada, diferente. A poesia faz os pensamentos correrem em aventuras atemporais e, sem discriminar o seu porta-voz, apresenta a qualidade sobrenatural da palavra em verso”.

E na obrigatoriedade da pausa, pois o tema vai até os confins da terra, dos mares e dos céus encerra-se com os dizeres do escritor Manuel Bandeira “Em poesia tudo é relativo: a poesia não existe em si, será sempre uma relação com o mundo inteiro do poeta, com a sua sensibilidade e a sua cultura e o mundo daquele que o lê.