Enio Lins

Uma nova etapa nas relações trabalhistas no Brasil

Enio Lins 17 de outubro de 2026

É um tremendo avanço o fim jornada 6x1 (44 horas semanais, na escala de 6 dias trabalhados por um dia de descanso) e sua substituição para 40 horas trabalhadas por semanalmente, numa escala de cinco dias trabalhados por dois dias de folga. Isso para quem está sob a CLT, lógico. No serviço público, a jornada de trabalho padrão já é, faz tempo, de 40 horas por semana, na modalidade 5x2, flexibilizada para seis horas corridas (30 horas semanais) em inúmeras situações Brasil afora.

Japão, Alemanha e França há muitos anos praticam jornadas entre 40 e 35 horas por semana. A regra geral nos Estados Unidos – pasmem – é de 40 horas (migrantes, na prática, não têm regras). Mas em Uganda valem 48 horas de suor por semana. Argentina, Peru e Paraguai têm como limite 48 horas semanais de trabalho etc.

Bandeira histórica, o fim da escala 6x1 ganhou ímpeto depois que viralizou, no final de 2023, o desabafo de um jovem balconista de farmácia chamado Rick Azevedo. Ele foi eleito vereador carioca em 2024 pelo Psol, e conquistou uma cadeira de deputado federal nestas eleições de 2026. Lula, na condição de ex-operário na presidência da República, abraçou a legenda da redução da jornada como nos velhos tempos do ABC, sendo decisivo seu esforço para a aprovação da PEC.

No capítulo final, o fim da jornada 6x1 teve um único voto contrário no Senado: Hamilton Mourão. Vale a pena ressaltar a dignidade do senador gaúcho em manter seu voto coerente com seu pensamento, mesmo sendo minoritário. Já o senador Flávio B manteve coerência com a pusilanimidade típica da familícia Bolsonaro: Radicalmente contra, mudou de opinião às vésperas e declarou-se “a favor”, mandando recado a empresários “do contra” que a revogaria a lei “assim que fosse eleito”, mas no dia do voto correu a mais de mil do plenário do Senado. Tal pai, tal filho: covardia congênita.