Enio Lins

A censura feroz de volta à raia, galopando num dark horse

Enio Lins 16 de outubro de 2026

Historicamente, a Justiça Eleitoral brasileira tem sido alvo de críticas, muitas imerecidas. Mas, neste pleito de 2026, os ministros André Mendonça e Kássio Marques têm se excedido, especialmente esse último. Desde agosto, pelo menos, posições desses dois magistrados têm sido questionadas pelos próprios colegas do Tribunal Superior Eleitoral, conforme retratado pela imprensa. Mesmo assim seguem alçando voo decisões escalafobéticas dessa dupla aerodinâmica.

Em 8 de setembro, a revista Cenarium estampou: “com Nunes Marques e André Mendonça, TSE tem 77% de decisões favoráveis ao PL e 35% ao PT [percentuais referentes aos 100% de demandas apresentadas por cada partido]”. Um mês depois, O Globo, no Facebook, reconheceu que “os ministros Kássio Nunes Marques e André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assinaram uma série de decisões para derrubar publicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus aliados pelo fato de apresentarem um ‘cenário catastrófico de desamparo social’ atribuído a um eventual governo Flávio Bolsonaro”. São inegáveis imposições da censura ao debate político, vetos unilaterais ao exercício da liberdade de opinião.

“Cenário catastrófico de desamparo social num eventual governo de Flávio B” pode até ser interpretado como opinião – sim, por que não? Mas, verdade seja dita, isso é previsão óbvia e ululante, decorrente da comprovada realidade catastrófica de desamparo social no governo do atual presidiário Jair, governança que Flávio promete repetir. Afinal, o corte anunciado de R$ 250 bilhões vai desamparar quem e o que?

Mais escandaloso de tudo foi que Sua Excelência Kássio quis cassar, repetidas vezes, numa histeria censória, o grupo de Zap “Exército de Lula” sem ser capaz de apresentar uma única motivação amparada em lei, sendo contraditado pelo Corregedor do TSE e pela equipe técnica da Corte. Que mais se pode esperar?