PSICÓLOGA SONJA CAMELO
A PAUSA QUE A VIDA NOS PEDE
Quando foi que parar se tornou perder tempo?
Há uma pressa silenciosa tomando conta da humanidade. Corremos para chegar, para responder, para conquistar. Preenchemos os dias de compromissos e os pensamentos de preocupações, como se a vida só tivesse valor enquanto estamos fazendo alguma coisa.
E, nessa corrida, esquecemos que até a música precisa de pausas para que a melodia faça sentido.
A natureza, tão sábia em seus ritmos, parece nos ensinar aquilo que insistimos em esquecer. A terra repousa antes de florescer. A noite interrompe o dia. A semente permanece escondida antes de romper o chão. Nada disso é tempo perdido. É tempo de preparação.
Na perspectiva da Psicologia Tomista, o homem não nasceu para ser escravo de seus impulsos. Foi dotado de inteligência para conhecer a verdade e de vontade para escolher o bem. Mas como discernir quando não encontramos tempo sequer para escutar a própria consciência?
A pausa abre espaço para a prudência. Entre aquilo que sentimos e aquilo que fazemos, existe a possibilidade de refletir, ordenar os afetos e escolher livremente.
Talvez por isso precisemos ensinar também às crianças a beleza de parar. De contemplar uma formiga carregando uma folha, de observar a chuva escorrendo pela janela, de descobrir que o silêncio não é vazio, mas um lugar onde a imaginação floresce e a interioridade começa a ganhar profundidade.
Nem toda espera é atraso. Nem todo silêncio é ausência. Nem toda pausa é desistência.
A grande sabedoria da vida não esteja em aprender a correr cada vez mais depressa, mas em reconhecer quando é preciso diminuir o ritmo .
Porque a pausa não nos leva o tempo. Ela nos devolve a possibilidade de estar verdadeiramente presentes na vida que estamos vivendo.
PSICÓLOGA SONJA CAMELO
Sobre
Psicóloga Clínica e professora do Cesmac estudiosa da Psicologia Tomista, possue edição de livro infantil.





