Petrucia Camelo

Eleição - o dia

Petrucia Camelo 01 de outubro de 2026

A vida é uma viagem no tempo. Acompanhando o calendário, têm-se as trilhas do caminho. Outubro é a estalagem de agora, que, de início, apresenta-se chuvoso e soprado pelo vento, introjetado por fatos sociais comemorativos, cívicos e religiosos e, de complemento, apresenta situações conflitantes que mexem com a passividade ordeira brasileira.

E no indicativo do calendário, pode-se comprovar algumas datas que norteiam os fatos; tem-se o dia primeiro de outubro dedicado ao idoso; é um fato social comemorativo, em favor da chamada terceira idade, uma faixa etária que empreendeu viagem no tempo, muito antes, primeiramente chegou e trabalhou; e vendo a paisagem, lendo-a nas entrelinhas, vê-se o idoso da classe pobre, viajando sozinho, atribulado, doente e como testemunha viva de que a riqueza existente foi produzida com o trabalho de todos.

Acompanhando os dias, chega-se ao dia 4, neste outubro, é eleição em todo o país. O povo vai às urnas votar; o povo mexe-se numa movimentação interna, em uma viagem cíclica, cujas fotos representativas logo desbotam; não dá para guardar, pois não há valor estimativo; também não há imposição, há escolhas suscetíveis, e têm muito a ver com a conscientização do indivíduo partícipe, pois há quem diz: “eu não sou um povo; sou um homem”, e age assim, vive assım, sem laços com a comunidade, como se fosse só, dono da lua, do sol, como se o mundo não esperasse nele e a morte um dia não viesse pegá-lo; coisa alguma existe além dele, vive na noite, sem testemunhas, sem compartilhar, sem tomar conhecimento do que é fracasso, do que é sucesso; sorve o chá da omissão, que não é curativo, que faz vítima e deixa sequelas; esquece que as coisas vêm de nós e voltam para nós.

Não viaja em classe doméstica, mas à parte, em classe especial; não se registra na hospedagem com o nome verdadeiro. Na trajetória da viagem empreitada pela vida em trânsito, o tempo é demarcado por estações de paradas Assim é o agora, debruçada sobre o parapeito da eleição, observando a história das vitórias ou colhendo as lágrimas da derrota.