Petrucia Camelo

DESENVOLVENDO A ARTE

Petrucia Camelo 20 de agosto de 2026

Tratando-se da natureza das coisas e dos seres com suas particularidades, acredito que nada temos para criar. O que temos realmente são os nossos talentos a serem desenvolvidos. Por meio da imaginação, damos uma nova roupagem ao que nos foi ofertado pela natureza, de tal forma que o que já existia parece novo.

E cheguemos à realidade num caminhar convidativo por entre antigos armazéns de açúcar em Jaraguá, onde me deparei com o Museu de Artes visuais pertencente à Fundação Pierre Chalita, localizado na Praça Manoel Duarte – Jaraguá, composto de dois grandes salões expositores em paralelos. Naquele momento, apresentavam uma exposição de grandes quadros, que repousavam em altas e largas paredes, retratando fatos históricos do Brasil, numa explosão de cor, forma e luz.

Chamava a atenção aquela exposição, pois era oportuna a ideia do artista que evidenciava um tema muito em voga no ano 2000, o aniversário de 500 anos do Brasil. O famoso artista plástico Pierre Chalita integrava-se às comemorações aniversárias do País, inaugurando, numa noite de sucesso total, a I Exposição de Pintura: Brasil: 500 Anos de História, com 18 grandes telas. E tudo levava a crer que assim ele procedeu, arrebatado pela loucura que somente acomete aos grandes talentos!

Sua esposa, Solange Berard Lages Chalita, companheira de vida conjugal e também das artes plásticas, acompanhava pari passo o artista e o conjunto de sua obra, com tal precisão que coisa alguma poderia faltar. E essa cumplicidade de amor e arte refletia no todo apresentado com tamanho realismo como se fosse um flash de luz e encantamento, energizando os visitantes mais sensíveis.

Denota-se que a excitante e atualíssima temática composta e apresentada por Pierre Chalita fora incrementada no silêncio de seu ateliê com empenho e extrema dedicação na escolha das personagens do tema, deixando no expectador leigo, nos quais me incluo, uma grande mensagem sobre a História do Brasil, além de uma emoção cível, uma sutil chamada para a reflexão quanto ao nosso posicionamento e a nossa contribuição nas ações que podem salientar os esforços dos heróis que iniciaram a vida política brasileira.

Tocou-me mais profundamente, dentre outros, o quadro inspirado no fato histórico, ou melhormente dizendo, nas atrocidades da rainha D. Maria I de Portugal, que com coroa e cedro segura pelos cabelos a cabeça decepada de Tiradentes. No entanto a abordagem dessa figura tão cruel em nossa história realça a glória de um simples alferes martirizado e morto pelo o seu sonho de liberdade, por seu amor à Pátria. Esse episódio leva-nos à reflexão de que se mata a criatura, mas os seus ideais perduram através dos tempos.

E eis aí o grande artista Pierre Chalita e sua obra, cujo nome de batismo é Pierre Gabriel Najm Chalita, com formação acadêmica em Arquitetura, no Rio de Janeiro, e nas Artes plásticas, em Madri e França. Nessa exposição aborda fatos ocorridos nos 500 anos de descobrimento de nossa Pátria mais precisamente no período colonial. Com as nuances de suas tintas, ele realça fatos da História brasileira, vivificando-a pelas cores, dando a sua interpretação por meio de sua criatividade, por meio de seus pincéis dando a visão sangrenta e cruel da História.

Assim, somos levados a procurar no artista algo extraordinário, o que ele possui no mais íntimo do seu ser, o grau de sua sensibilidade, de sua inspiração que o acomete, algo de sua irreverência contra tudo e a todos que se antepõem a sua criatividade, ao seu amor à Arte, em exposição pelos instrumentos de seu trabalho.

E sem se importar, o artista deixa-se, então classificar-se e permite ser imolado pela interpretação do seu público, pois a intimidade de sua obra somente a ele pertence. É como se a sua criatividade fosse um chão sagrado e somente a ele fosse dado o direito de pisar, e conclusivamente passamos a entender a obra como influência da cultura sob o talento nato.