Petrucia Camelo

CASA-MUSEU-ARTE: A CASA DE Nº 158-RUA AMBRÓSIO LYRA, FAROL

Petrucia Camelo 06 de agosto de 2026

Um chalé de estilo liberty mostra a sua imponência, iluminado pelos raios mornos do pôr do sol. Figuras do imaginário circundantes no cotidiano por todas as salas: personagens históricos, criaturas diáfanas, corcéis dos pampas em quadros que se derramam pelas paredes, compreendendo a poesia na arte. Prateleiras dispostas atravessando armários guarnecidas de livros e peças de antiquários à mostra, apresentando mais um de seus significados casa-museu-arte.

À mesa, nau-capitânia, convidados e familiares conversam animadamente, como se estivessem a viajar, atravessando mares, ou caminhando no deserto, deliciando-se com iguarias com sabor de oásis. Um som musical extraído de teclas de piano magistralmente tocadas, irrompe da sala contígua, ganha o alpendre e se junta aos convidados e aos sons do jardim – perfume de almíscar se espalha.

Num voo que não de pássaro, pousam de retorno os proprietários desse imaginário que sabem viver nessa casa-museu-arte. Trazem na bagagem os originais de uma nova fase, recebendo, em volta de si, criaturas aladas, que descem preocupadas em beber água formadas pelas águas que jorram em abundancia da grande fonte.

O ato criador, esse aliado, continua ali, lado a lado, com sua marcha incontida, mas incólume, é como existisse à parte, acompanhando o casal de artista nos passos da paixão da criatividade, inspirando o processo de novas metas, o mais imprevisível, limitado a imaginação sem limites.

Tudo se repete na história do homem e no mundo das artes, embora com novas roupagens. É o que nos conta o legado artístico do Aleijadinho, no seu caminhar, seguro, fervoroso, mas por vias dolorosas. Miguel Ângelo – artista plástico – crucificado de costas sobre andaime, registra na historiografia de época, a inspiração sublime, divina – o imenso fresco intitulado de O juízo final. Cada figura é criada sob o teto, preenche os espaços, altos, escuros, da abobada da Capela Sistina – dificuldades acrescidas pelas exigências da voz do vaticano.

Mas é justamente na hora do sofrimento, dor e temor, que o artista é tomado pela genialidade. A vida não é mais que a hora, o momento a intuição. No demais somos todos convalescentes.