Petrucia Camelo

ACUIDADE DA HISTÓRIA

Petrucia Camelo 21 de julho de 2026

Observam-se, nos registros da História, inúmeras controvérsias quanto à aplicação das medidas de sanções penais a serem impostas a indivíduos ou grupo de indivíduos, por determinados segmentos da sociedade, principalmente de origem pública, privada, e, ou mesmo religiosa, que impuseram penalidades, por conta de adulterações em seus processos de investigações ocasionadas por fatores diversos, dentre os quais a má interpretação dada à lei em que se funda a ação; o despreparo profissional daqueles que diretamente agilizam os mecanismos das ações de investigações.

A necessidade do imediatismo em apresentar resultados quantitativos, as fortes influências recebidas do poder vigente e talvez o mais inconsequente, preocupante e assustador: o tráfico de influências anônimas, impessoais, aleatórias empregadas por informantes resultam no processo de coleta de dados, que, geralmente, servem à investigação sem base científica, evoluindo para um pré-julgamento. Lê-se em Pierre Levy: nunca aja movido pela urgência do sentimento, governado por um sentimento automático, que é quase forçosamente falso.

Esses elementos insufláveis, quando são utilizados como contatos exteriores, provocam adulterações nas provas apresentadas, mesclam, interferem de forma direta na lisura dos processos de sanções penais, impostas aos indivíduos indiciados por crimes ou contravenções, causando efeitos tão nefastos quantos são as consequências da impunidade.

Encontram-se na memória do passado exemplos de erros dessa natureza, compartilhados pela influência dos sentimentos inferiores do ser humano, que, aliados ao despreparo profissional daqueles que comandam a ação, emergem das profundezas da alma, fazendo-se presentes como se fossem infecções oportunistas a acometerem um corpo fragilizado. Geram, em consequência, punições ser o respaldo do conhecimento de causa, levados pela intriga, recalques, disputas por lideranças, por interesses financeiros contrariados, ocasionados pelo orgulho, o ciúme, a vaidade, a inveja, o oportunismo; os requintes da perversão utilizados pelo uso do domínio da força física que impõem o medo à tortura.

São Principalmente colhidos nos efeitos da pobreza econômica, nas vítimas do terror da guerra e das revoluções sociopolíticas, fazendo-nos lembrar o significativo poema do Padre e Frade, o herói Frei Caneta, um intelectual que acreditava na liberdade, o qual, quando preso, assim compôs: Não posso contar meus males/Nem a mim mesmo em segredo/E tão cruel o meu fado/Que até de mim tenho medo.

Há, ainda, as vítimas dos efeitos do radicalismo do sentimento político religioso e, nesse aspecto, encontra-se como maior exemplo da história humana, escrito na leitura sagrada, o processo de julgamento de Jesus Cristo, a quem, ainda no ressoar dos tempos, oferecem-se flores de indulgências por meio da fé, influenciada pelo poder político e religioso da época, quando a multidão, ao ser consultada, fora prontamente instigada a gritar: Solta Barrabás!

E de tantos outros eventos da História humana, que fizeram vítimas inocentes, até por defenderem o bem, tiveram os seus processos mal conduzidos e julgados pelo uso e abuso do poder pessoal ou público, que, sem indulto, fizeram o indivíduo atingido perder a própria vida ou a condição de viver em plenitude com seus direitos de cidadão, e ainda deixaram resíduos às suas gerações; e aos seus executores, o peso da nódoa atravessando a História, a do seu despreparo incompatível com o desenvolvimento de um trabalho sério, baseado no conhecimento da ética e da moral, somente adquirido no preparo do talento.

Portanto, faz-se necessário, e é digno de nota e de louvor, ter na prática das investigações o elemento base somente propício à investigação científica.

É preciso limpar o sistema de coleta de dados com a isenção das influências empíricas. É se valendo dos instrumentos do respaldo da ciência, que se denota a sabedoria a serviço da justiça. A acuidade da História serve ao presente, como parâmetro, para evitar novos erros.