DR. ANTONIO ARNALDO CAMELO
PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE POESIA
Para o filósofo Platão (427-347 a.C): “O poeta é um ser sagrado porque está possuído pelos deuses”. Também o define como sendo: “Um ser alado leve e sagrado”. Octávio Paz (1914/1998) tão bem assim o definiu: “Cada poeta é diferente, único, insubstituível. A poesia não é mensurável, não é pequena nem grande - é simplesmente poesia”
Nos versos do poema de Cecília Meireles (1901-1964) ela sentenciou: “Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste, sou poeta”
Fernando Pessoa (1888-1935) também classificou: “O poeta é um eterno fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente”.
Meu dia a dia com a poetisa Petrúcia Camelo, mãe dos nossos cinco filhos, leva-me afirmar que o poeta vive noutra dimensão, expressa seus sentimentos, protestos, afirmação, negação, sua dor, seus sofrimentos, alegrias, tristezas e suas críticas por meio dos seus versos, seus poemas, mergulhando sempre no seu universo subjetivo, transcendental, que é produto de sua imaginação.
O poeta faz do dia, noite, da noite, dia. Vê luz nas trevas, lírio nos campos, sente o perfume das rosas, transforma sofrimento em poesia, dor em alegria, sabe ser romântico e triste ao mesmo tempo. Dialoga com as árvores, com as plantas, sonha acordado, acorda sonhando, às vezes fica ausente, mesmo estando presente. Transportando-se, vive a cada momento de forma intensa a sua inspiração e o seu talento, pois eles são únicos e efêmeros, por essa razão, chamado por Platão de: “um ser alado”.
Aqui vai uma confissão: um dia eu quis fazer poesia, até tentei... encontrava-me num Campo Santo assistindo a um velório de uma poeta e, de repente, bateu-me aquela inspiração. Eu disse a mim mesmo: é agora, chegou a hora, é o meu momento, não vou viver sessenta e dois anos com uma poeta sem nem sequer fazer o meu versinho.
Deixei pra lá as exéquias, peguei papel e lápis, e comecei a escrever: “Ah! Se eu pudesse parar o tempo agora”. Aí, o tempo parou, minha inspiração sumiu e ficou nisso mesmo, nunca mais concluí o meu soneto hendecassílabo e disse a mim mesmo: “Nunca comece alguma coisa quando não for capaz de concluí-la”.
Permaneço casado com uma poetisa há sessenta e dois anos e, não a admiro somente como intelectual, com seu vasto trabalho literário, mais de vinte livros publicados, dois deles premiados, sendo hoje imortal da Academia Alagoana de Letras, cadeira número 32, mas a admiro sobretudo como exemplo de mãe dos nossos cinco filhos, avó dos nossos onze netos e bisavó dos nossos nove bisnetos.
Para cada bisneto, ela escreve um livro, cada livro, uma história infantil. Uma vida a ser imitada e seguida.
Entre seus trabalhos publicados destaco as pérolas: “Eu passei por você”, “Miscigenação II”, “Flor de estufa”, “Canto ao mar”, “Trilhas de pioneiros”, “Mar de andorinhas” e “O tempo’.
E “pra não dizer que não falei de poesia”, um dos seus mais lindos versos estão no seu livro “Noite de vigília” intitulado “Flor de estufa”. “Mulher, flor de estufa/quebre a vidraça e olhe para o sol! /Lá fora está o vento, a chuva, as estrelas.../Mesmo que lhe queimem as pétalas, /não lhe torraram as raízes. (Petrúcia Camelo).
DR. ANTONIO ARNALDO CAMELO
Sobre
Médico, escritor e ex- político



