Petrucia Camelo

O APRENDIZ

Petrucia Camelo 22 de maio de 2026

Ao que se crê, é errôneo pensar que o sucesso de toda a criação depende somente e exclusivamente da vontade de Deus, principalmente em tudo o que diz respeito ao ser humano, porém, o que se deve entender é que Deus, ao manifestar a Sua criatividade, tornou-a partícipe das responsabilidades inerentes a cada espécie.

Lê-se na introdução do Livro de Josué: A graça não é dom paternalista de Deus, deixando o homem passivo. Ela é o dom que Deus faz das possibilidades já contidas na estrutura de toda a criação, principalmente na pessoa humana.

Deus concebeu a vida, a graça dos dons e concedeu o livre arbítrio, dando oportunidade para que a Sua criação se desenvolvesse a contento na conquista do sucesso, bebesse da alegria de se autorrealizar ou chorasse por não ter utilizado os seus talentos a contento. Notadamente, Deus colocou a participação de Sua criação no projeto de sua realização, oportunizando o reparo das falhas ou celebrando a partilha do sucesso.

Responsabilizando Deus por todos os fatos e acontecimentos, o os indivíduos seriam um fantoche, uma marionete, um zumbi, uma cópia falsificada e se teria de responsabilizar Deus por todas as nossas falhas. Entretanto, ainda está longe a compreensão da mensagem de Deus sobre o Seu planejamento; o que se vê em realidade é o ser humano implorando a Deus uma solução para todos os seus problemas, e Deus esperando do homem uma colaboração na evolução de Sua criação.

E nessa suposta parceria entre Deus e os homens: Deus dá o talento e o homem o desenvolve; basta que se observe o que circunda a vida: uma nota que enche a audição de enlevo musical, somente é válida se alguém que a dedilha, estuda música com afinco e a reconhece como tal, porque porta a graça do talento dado por Deus, e, somada a essa composição tem-se a prática das qualidades humanas; assim, tem-se o mundo composto de possibilidades.

E, dentre as inspirações dos talentos e das realizações das conquistas, há também as tendências inversas, negativas, a má interpretação sobre a graça de Deus, que geram os desajustes, as imitações do real, a falta do conhecimento de si próprio, e, até mesmo, as manifestações do oportunismo; depois da tomada de consciência do erro de escolha, entender-se-á que foi um tempo perdido, e que nunca será recuperado.

As falhas, os erros devem ser vistos como má interpretação dos talentos, do despreparo, da natureza do indivíduo, pois, o talento não é um arranjo para aplainar deficiências; o talento é descoberta, é pessoal e intransferível, é competência armazenada, é a base da evocação da coisa a ser estudada, aplicada, caso contrário, passa-se às mãos da incompetência, que gera desastres. O ser humano, organizadamente, desenvolve os talentos na procura do aprendizado, na tentativa de sair da fase de aprendiz; eis o que dá cor ao triunfo.

Não se pode deixar de atentar para outra mensagem imbuída na graça de Deus: é preciso entender que o talento é para o bem servir e ser servido; pensando bem, pode-se até arriscar em dizer que essa é a base da felicidade universal, mesmo custando caro para aqueles que se propõem desbravar a escuridão da ignorância. E em Teilhard de Chardin, encontra-se a seguinte frase: Aquele que quer continuar a ver, deve lutar constantemente pela luz.

Nos registros da história humana encontra-se o sucesso laureado em palmas de ouro e também a cor cinza dos desastres gerados pelas falhas humanas, de natureza factuosa, pelas escolhas errôneas.

É preciso estar atento para ver e ouvir o que dizem as mensagens do cotidiano, inspiradas nas imagens do “slogan” apresentado, nos discursos do momento vivenciado, se tem como base raízes históricas confiáveis de talento bem desenvolvido.

Ver se são de origem comportamental duvidoso, incapaz de arregimentar recursos que geram soluções cabíveis, como se brotassem de uma árvore de tronco fragilizado pelo estágio de aprendiz, que não conseguiu desenvolver o dom da graça para superar os desafios, para alcançar a luz do sol.