Petrucia Camelo

FORTALEZA DO AMOR MATERNO

Petrucia Camelo 08 de maio de 2026

Ó mulher, amas o fruto da carne e do sangue das tuas entranhas, como Deus a ama. Bem vês como as lágrimas te acompanham dia e noite, quer sejam de alegria, por terem o filho nos braços ou pelos os seus malfeitos que a possam ter enchido de espanto e de desânimo!

Mãe, tu és a misericórdia personalizada, representando a imagem do semblante divino de Maria ao pé da cruz, a chorar o filho Jesus, num pranto em convulsão, na tentativa surreal de aveludar os vértices do madeiro, azeitar os cravos que Lhe transpassavam os punhos; até que, com olhar turvo pelo sofrimento, vê-O inanimado, morto e, aa ser retirado da cruz, recebe-O em seus braços, tenta reanimá-Lo, banhando-lhe com o sal das lágrimas, o corpo chaguento.

Mulher que não desce do altar, pois é santificada pelo amor de mãe, mesmo acompanhando o desenvolvimento do mundo e do tempo. Esse amor, que não escolhe cor, raça, religião e cultura, dá-lhe os traços fisionômicos da face marcada, pelo comportamento materno, a conduzir o filho na senda do aprendizado, como se fosse um passaporte apresentado em cada passagem de existência.

Ressalta-se que não há decadência no amor maternal, salvo se houver insanidade mental; há, sim, a consciência de fazer mais e melhormente: bordados, cantos de ninar, perfumes, incensos, aulas de catecismo, de promover amabilidades, sutilezas gastronômicas, cuidados e serviços de primeiros socorros, disposição para passar os demais ensinamentos da enciclopédia do aprendizado da vida.

A renúncia é uma constante nessa santificação: a mulher mãe se doa, como se sofresse uma pena de reclusão; coloca o filho em redoma de vidro e, paulatinamente, vê o rebento caminhar com os próprios pés, mas a sensibilidade materna é tamanha que, ao longe, ainda o acompanha em largos cuidados de proteção, e mesmo, ao mostrar sorrisos e olhar de ternura ao ouvir as vitórias do filho; mas se algo surgir que o possa ofender, ela avança como Joana D’Arc o fez, ao defender os filhos da pátria.

De forças restauradas a cada amanhecer, imbuída das atividades que tem que desenvolver, sem se importar com as dificuldades a vencer, a mulher mãe cuida da prole, com o coração sempre pronto a servir bem, vivendo o dia, como se fosse o primeiro de uma série de outros, preocupada em passar exemplos comportamentais de fortaleza e de ânimo a serem seguidos principalmente por mães que criam os filhos sozinhas.

Porém, há de se considerar a evolução do tempo atual na trajetória do universo feminino; há o surgimento da mulher com amplos direitos à vida pessoal, independentemente de atribuições familiares, considerando os papéis familiares tradicionais como modelo ultrapassado.

Entretanto, se bem se olhar para o mundo que rodeia a mulher de hoje, vê-la diariamente dando mil voltas no corpo para pôr em prática as responsabilidades sociais e profissionais assumidas, mas sem nunca faltar em seu semblante a preocupação da reserva de um tempo parar tratar de assuntos familiares, fazendo com que se sinta mais confortável a alimentar a sua natureza feminina, fazendo o que realmente gosta, o que ditam as suas responsabilidades maternas.

A mulher contemporânea, com suas qualidades natas, com inúmeras tarefas que tende a realizar com organização e sabedoria, poderá criar o seu espaço, sem deixar de desempenhar as tarefas que lhe são peculiares.

À natureza feminina, palavras que o tempo não recolhe: “Olha, ó incrédulo! E o que vês nesse semblante de mulher ao teu lado, adornado por cabelos brancos, de rugas manifestas pela dureza da labuta diária que encobre a outrora beleza da juventude? Olha, e haverás de encontrar nesse semblante de mulher, como se estivesse marcada por ferro em brasa, a fortaleza do amor materno”.