Petrucia Camelo

MULHER PORTADORA DO AMOR

Petrucia Camelo 05 de maio de 2026

Sabe-se que, no sentido da criação, e em especial do gênero humano, o feminino e o masculino são intermediários entre Deus e a vida; porém, coube ao feminino o dom da maternidade, tornando-o um ser especial, de sensibilidade aguçada e de sentimentos elevados.

A vida humana traz o início do seu curso no ventre de uma mulher, que se apodera do seu corpo desde a concepção, alterando os seus contornos corporais, e dele extrai todas as necessidades orgânicas necessárias para o seu desenvolvimento, até abrir-lhe as entranhas para ser expelida. A vida, com suas particularidades assim procede com todos os seres viventes, inclusive com a mãe terra, e coisa alguma pode restringir esse dom natural.

Daí, nesse cenário que lhe é inerente, explica-se, em parte, a fortaleza do sentimento materno. Sendo acolhedor e protetor, tem as suas particularidades. A mãe, em momentos cruciais, que envolvem membros de sua prole em situação de risco, para defendê-los, de pacata cidadã e de rosário à mão, não se vale apenas das lágrimas; muitas vezes, acentua o seu halo angelical para o sacrifício, em toda ou qualquer forma, desde a renúncia de si mesma à revolta explícita na explosão cega de sua natureza humana, retida no porão do seu subconsciente.

Mulher, mãe, que, no modelo familiar antigo, não falava sobre si mesma, não tinha a visão do eu, pois tinha a vida em doação, de forma tão intrínseca, que, aliada à restrição de seu desenvolvimento e de seus talentos, acabava por anulasse como indivíduo, tornando-a invisível na composição familiar, levando-a à consideração de um ser submisso, passivo, sofrendo retaliações com essa sua abnegação, muitas vezes mal interpretada, pois era reconhecida apenas pelos deveres matrimoniais, domésticos, definindo-os, como função principal, a maternidade.

E para complementar essa sobrecarga, debruçava-se sobre ela o olhar cultural, que, sem dar-lhe o seu perdão, concedia à mulher, como área de atuação, os espaços definidos pelo âmbito do seu lar, permitindo que os seus passos somente fossem direcionados numa exaltação aos modelos de sentimentos puros, sagrados.

É que nos padrões comportamentais de épocas, não se via que tal exigência fugia à regra da condição humana, que era preciso ver a mulher em sua individualidade, como ser pleno, com direito a desenvolver os talentos a uma vida pessoal independente de suas atribuições familiares.

Mas, nos tempos atuais, a mulher-mãe, amparada pela luta por direitos iguais e a profissão que abraça, ganha espaço e notoriedade como partícipe do aumento da geração da renda familiar. O seu papel tem uma importância maior, que até ter filhos é opcional.

A mulher, mãe, mesmo com o somatório de afazeres e ainda sobre os resquícios da pressão cultural, constrói uma nova imagem com a sua participação no desenvolvimento da sociedade onde está inserida.

Na contemporaneidade, a mulher, mãe, num processo de mudança, apreendido com o passar dos séculos, colocando na pauta, em favor do seu talento, a sua inteligência, o que não a fez deixar de sonhar e nem perder os sentimentos maternos, hoje a concilia as funções básicas da vida familiar, pessoal, profissional e pública, e coisa alguma faz que ela não assuma sua participação na modernidade como ser inteligente e capaz.