Petrucia Camelo
O PRAZER ESTÉTICO
A verdade das coisas eternas é um rio subterrâneo correntes em nossas entranhas, apelando para ser descoberto. Nessa reflexão insere-se o fazer da arte. O artista não sabe, não conhece propriamente o que lhe acomete, simplesmente ignorando os resultados deixa-se conduzir pela intuição do talento valendo-se do seu conhecimento de mundo para a sua inspiração de acordo com a sua sensibilidade.
E os significados de sua arte se apresenta, prima pela estética do Belo; e há de haver uma intencionalidade que não se importa com maiores explicações, supondo que na arte as explicações não são devidas; basta ser sentidas.
E o que quer em realidade o artista? Ele quer expor a verdade que o domina, quer tocar o outro por meio de sua arte, quer preencher a sua solidão, maneirar o “pesadume” do seu intelecto, mostrar o novo, o que não se deve dar lugar comum.
Talvez o artista com a sua sensibilidade aguçada sinta ou saiba que coisa alguma é nossa e que coisa alguma sabemos sobre o que nos é circundante. Segundo a psicanalista Françoise Dolto: o que temos é a nossa identidade: a data do nosso nascimento e o nome dos nossos pais, o resto é sonho, é devaneio. Será, então, que somente a arte resgata a nossa condição humana?
Basta-nos observar a obra de arte, a verdade contida no artista, aquilo que estava em seu interior, o seu prazer estético. E os efeitos que a obra de arte causa aos observadores? Como atrai e desperta o desejo de possuí-la.
E como enternece em pensar no esforço do artista em exprimir, dar forma a obra, que, por vezes transgride o mostruário incolor da tela, alterando-a com as cores de suas tintas.
De ter em seu imaginário a sonoridade do entalhe da pedra bruta que parece cantar, como se estivesse a pedir-lhe que dê vida ao que dentro dela dormita, e assim procede enquanto vivo for o talento do escultor. E quantas vezes o autor da arte escrita vela o papel em branco, deitando-lhe a palavra que o acorda em meio da noite, embora mude de sentido ao arraiar do dia!
O que faz a arte? Expõe a verdade explicita na universalidade do ato criador: como se a mente do artista fosse mais abrangente que o ceu que o assiste.
Que exigência, digna de um Deus!
Petrucia Camelo
Sobre
Petrucia Camelo é Assistente Social, nasceu em Viçosa-AL. Casada com o médico e escritor Arnaldo Camelo. Possui 14 livros publicados, dois livros premiados. Pertence a Academia Alagoana de Letras. Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Sócia da UBE-PE. Fundadora e Presidente do Clube Café, Vinho e Arte - CCVA.



