Petrucia Camelo
JESUS CRISTO: À SOMBRA DA CRUZ
O que somos e o que seremos sem a fé? Sente-se que há sempre uma necessidade interior de se ter a fé em Deus, que abre caminhos para as coisas do bem, e não se deve ficar alheio a essa condição. Como se sabe, crendo que Jesus Cristo histórico foi imerso num mar de sofrimento, mesmo nesse sentido interpretativo não é um rio de cruz e sangue, e, sim, um mar de amor e vida, desde o seu nascimento até os dias de hoje, e que por meio da palavra bíblica, atos e ações Ele se faz religião, têm-se os Seus ensinamentos, as Suas orientações: Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, até os confins da terra (At.8; Le 24,47).
Viver em conformidade com as coisas mundanas é saber senti-las, pois muitas das vezes sentem-se como se fossem pancadas, cuja dor passa, mas as marcas ficam e recorrem-se ao poder da fé, procura-se estar na luz da fé, procura-se estar à sombra da Cruz e da ressureição, esperando pela ressonância da divina personalidade e ensinamentos do Cristo e entende-se que, se se está com Ele, bebe-se da mesma fonte.
Mas se deve compreender que nem por meio da fé se pode penetrar nos mistérios espirituais de Jesus Cristo, mas pode-se Vê-lo no sentido de Sua humanidade, desde a Sua organização para iniciar a vida pública, quando saía a arregimentar apoio para o Seu ministério, quanto surpreendia a Sua forma de escolher, de encontrar pessoas, pois Ele não procurava a perfeição nas pessoas; como Ele podia ler o interior de cada um, buscava o que tinham de melhor interiormente. Para Ele, esses poderiam fazer parte do Seu reino.
Talvez, aí, esteja uma das formas utilizadas por Deus para o perdão das atrocidades humanas. Deus vê o que cada um tem de bom em seu íntimo; somente assim se explica o que Jesus fazia, ao relacionar-se com elementos de princípios não muito aceitáveis: cobradores de impostos, prostitutas, leprosos, centuriões... Ele não os condenava e nem os marginalizava: aceitava-os como eram e passava os Seus ensinamentos. Era a Sua forma de perdoar, de resgatar aquele ser e de amar por excelência.
Compreende-se, então, que a mínima partícula de bondade existente na natureza de cada um, é justamente aí que está atribuída à ação salvífica de Deus: a bondade interior é o sinal para Deus encontrar os seus filhos, essa é a ligação com o Divino; é a porta da salvação eterna; não importa que seja apenas uma pequena chama, pois, soprada pelo vento das boas obras, pode tocar fogo na floresta inteira. Jesus Cristo era conhecedor profundo da alma humana, por isso tinha o poder de encontrar pessoas com características de quem poderia auxiliá-Lo e ser salvos, fazendo jus à Sua misericórdia missionária.
Mas, mesmo aqueles que escutaram o Seu chamamento e conviveram com Ele, que era um privilégio, além de um aprendizado, não foi o essencial para os isentarem do sofrimento. E a humanidade continua à sombra da cruz, permeada de atribulações e sofrimentos. Sente-se, então, que somente há um meio para apaziguar as provações: é cultuar no interior a partícula divina de ser bom e por meio da fé, que a tudo se pode enfrentar lembrar de Jesus Cristo de quem tudo lhe foi tirado, chagado no corpo e dilacerado na alma, continuou perdoando e amando a humanidade. Se alguém me quer servir, siga-me! (Jo 12,26) Era o ideal de Jesus Cristo.
Petrucia Camelo
Sobre
Petrucia Camelo é Assistente Social, nasceu em Viçosa-AL. Casada com o médico e escritor Arnaldo Camelo. Possui 14 livros publicados, dois livros premiados. Pertence a Academia Alagoana de Letras. Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Sócia da UBE-PE. Fundadora e Presidente do Clube Café, Vinho e Arte - CCVA.



