Bartpapo com Geraldo Câmara
OS CAVALOS NA OUVIDOR
Corriam os idos de 1968, no Rio de Janeiro. Eram 5 horas da tarde. Hora em que eu costumava sair do trabalho e encontrar minha mãe e suas amigas para um chá na Confeitaria Colombo, uma espécie de ritual que seguíamos quase sem falhas.
A Rua do Ouvidor, a mais elegante do centro do Rio, fervilhava de gente que ia e vinha de um a outro canto, vendo vitrines, apressando-se para os encontros ou simplesmente fazendo um “footing”, como diriam os ingleses. Isso é a eleição de determinada rua como a da moda, a visível, a chique. E as pessoas se mostravam umas as outras e se cumprimentavam como se fossem íntimas. O que acabava sendo verdade.
De repente, em questão de segundos, aquela gente, incluindo a mim, passou a correr desesperadamente pela Rua do Ouvidor, buscando entrar nas lojas, enquanto essas mesmas lojas cerravam suas portas, meio ao medo de estragos em suas preciosas mercadorias. Lembro-me que fui empurrado para dentro de uma delas e não consegui entrar, já que a porta de sanfona já estava a apenas meio metro do chão. Foi quando, deparei-me com a cavalaria do Exército Brasileiro, aos galopes, empurrando e derrubando gente, “sem que nem pra que”, sem nenhum motivo aparente, numa demonstração de força que refletia, nas ruas, a barbaridade, a injustiça, a desumanidade do Ato Institucional 5, recentemente assinado pelo Governo ditatorial do General Costa e Silva.
A Rua do Ouvidor foi transformada num caos absoluto. Quase vazia, com alguns poucos, entre eles eu, imprensado na parede de uma de suas lojas quando, volta a cavalaria e, num relance, milhares de bolinhas de gude são jogadas de um primeiro andar, no meio daquela rua de pedestres. O suficiente para que os cavalos deslizassem sobre elas e se esmoronassem no chão com os seus respectivos cavaleiros que, aos brados de fúria, iniciaram um tiroteio para os ares, muitas balas atingindo janelas e letreiros luminosos da Ouvidor.
Um pequeno fato, uma amostra da fragilidade do povo diante do AI5 que cassou gente, torturou, matou. Mas, lamentavelmente, os “Pinochets” da nossa ditadura viveram e, alguns, morreram, absolutamente impunes. Um drama, hoje, simplesmente, um “causo”. Mas um “causo” que nos marcou a todos e que permitiu que perguntássemos anos depois “quem deseja isso de volta”? Quem em sã consciência quer viver à margem de uma democracia ainda que ela esteja sendo vilipendiada por quem preferiria a lei da força à lei da coerência, da constituição definida, moderna e viva?
Difícil questionar e colocar esses pontos no mundo de hoje onde o radicalismo bate à porta e que temos a sensação de que a próxima campanha eleitoral virá cercada de muitos problemas, muitos atritos, quem sabe até de muita violência.
Melhor comprarmos milhares de “bolinhas de gude”. Ou, simplesmente, não.
FOTONOTAS

CARLOS CONCE – Um pulo atrás do outro tem caracterizado a carreira fantástica de Carlos Conce, este conhecido professor de oratória que tem uma lista imensa de alunos importantes que por si passaram. Agora, Conce deu um pulo extraordinário e foi proferir palestra de profunda importância no coração palpitante do mundo que é a cidade de Nova York. Na mesma ocasião, aproveitou para lançar internacionalmente seu livro “Como falar bem, Aprenda o Método Conce – Comunicação Oral, Natural, Consciente e Eficaz”. Parabéns, amigo!

FLORACY CAVALCANTE – Nem preciso falar da notoriedade de Floracy, a Dama do Rádio Alagoano, uma figura que sempre impactou a sociedade no uso dos microfones, levando suas mensagens e seus comentários de maneira eficaz, atingindo em cheio o que dela esperavam os seus ouvintes, Além do mais, Floracy é de uma educação e gentileza notáveis e consegue agradar ao público atrás das câmeras e microfones e à frente deles. De uma simpatia contagiante nos deixa a todos sempre encantados em sua presença.
PARE PRA PENSAR
A política tem coisas inimagináveis. Saltos imprevisíveis, encontros e desencontros inesperados e resultados que ninguém imagina. Versátil, não é?
ALERTAS DO DIA
* Eu estava lendo sobre o posicionamento do Senador Renan Calheiros, a quem sempre admirei e vi que ele abriu as portas do MDB para que o prefeito JHC possa entrar com toda a sua trupe, se assim o desejar e se tiver problemas com o PL e, agora, com o deputado Arthur Lyra. É impressionante o jogo de cintura deste senador da república que já teve todas as experiências políticas imagináveis e que continua mais ágil do que nunca. O que se passa por sua cabeça não sei, mas que deve haver algum “golpe de mestre”, no bom sentido, passando por ela, nem tenho dúvidas.
* Muita gente que me conhece sabe que eu falei, depois de ter assistido ao filme “O Agente Secreto” que, apesar de bom, não era filme para o Oscar. E todos ficaram um pouco céticos com essas declarações porque achavam que eu não tinha visto direito, que não era bem assim e por aí vai. A distância entre ele e o do ano passado era imensa. Apesar de bem localizado no nordeste, o que muito me agradou, apesar de ser um filme muito bem interpretado e dirigido, ainda não estava pronto para aquela premiação. Vamos ver e torcer pelos próximos.
* Li o artigo de nosso companheiro de jornal, Jair Barbosa Pimentel Vital, sobre os trens de passageiros que circulavam em algumas regiões do Brasil, inclusive em Alagoas. Me bateu um saudosismo quando me lembro do Vera Cruz, o trem que ligava o Rio a São Paulo e que eu usava com bastante frequência., Hoje não existe mais. Tenho escrito que o Ministro Renan filho deveria pensar como o saudoso presidente Juscelino Kubistchek que, se tivesse sido reeleito presidente da república – a revolução cassou – seu grande projeto era cortar o Brasil por todos os cantos e com ferrovias e trens transportadores de cargas e de passageiros.
* Ancelotti parece que disse para o que veio e começou a trabalhar para formar a seleção que irá para a Copa do Mundo, este ano. Sem dar muita bola para a fama ou para o que os outros dizem, fez a primeira lista convocatória e não colocou nomes esperados como os de Neymar e Lucas Paquetá. Já tem gente piando, dizendo que o técnico não sabe de nada. Claro que sabe. E o detalhe é que ainda existe uma última convocação em 18 de maio, com tempo para o Andeotti se definir e o Neymar se firmar.
POR AÍ AFORA
# O Irã anunciou Mojtaba Khamenei como seu novo líder supremo. A sua missão será suceder o próprio pai, o aiatolá Ali Khamenei, morto na operação militar de Estados Unidos e Israel que, há nove dias, deu início a uma guerra no Oriente Médio. Com o regime dos aiatolás sob ataque, a própria sobrevivência da teocracia persa se vê sob risco. Após a morte de Khamenei, um conselho interino foi formado para assumir as suas funções até que um novo líder supremo fosse eleito. A escolha dessa figura, que carrega não só grande poder político, como também simbolismo religioso.
# Cabe à Assembleia de Peritos, um órgão composto por 88 clérigos, eleitos a cada oito anos e, em grande parte, idosos. O governo iraniano rejeitou veementemente que o presidente dos EUA, Donald Trump, pudesse influenciar a decisão, tal como o próprio indicara após a morte de Khamenei. Segundo o americano, um novo líder, que já é sancionado pelos EUA, não deverá "durar muito" sem a sua aprovação.
# O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cogitou nesta terça-feira (10) a hipótese de conversar com as lideranças do Irã para acabar com a guerra, embora autoridades de Teerã tenham insistido nos últimos dias que não querem negociar. "É possível, dependendo dos termos", disse o republicano em entrevista à emissora Fox News. "Você sabe, nós meio que não precisamos conversar mais, se você pensar bem, mas é possível", acrescentou.
Amanhã, sábado é dia de “BARTPAPO com Geraldo Câmara”. Na BAND, canal 38.1 aberto; NET CLARO, canais 18 e 518; BRISANETE, canal 14; VIVO, canal 519. Das 8 às 9h da manhã. Assista e inscreva-se também pelo Youtube no canal “Programas do Geraldo Câmara”. Fale conosco pelo [email protected] ou pelo Whats’App 82 99977-4399
Bartpapo com Geraldo Câmara
Sobre
Jornalista, apresentador do programa Bartpapo na Band Maceió e Diretor de Comunicação do Tribunal de Contas de Alagoas



