Petrucia Camelo
ONDE PULSA O CORAÇÃO
No índice populacional do Brasil, o maior número de indivíduos é considerado do sexo feminino. Entretanto, a importância maior desse índice deve ater-se ao sentido qualitativo. É preciso atenção aos dados coletados, inspecionando-se o celeiro cultural, para ver-se em que patamar a mulher está inserida, sobretudo detectando-se a sua contribuição como partícipe no desenvolvimento do seu local de origem, como um ser, com capacidade intelectual.
Na historicidade do feminino, a maternidade teve papel preponderante, mas a mulher conseguiu o controle da prole e sobreviveu ao peso das virtudes como se lhe fossem cruzes, pois inúmeras sucumbiram nos subterrâneos da ignorância em função da cultura da época.
Para se ter uma melhor ideia do que foi a via dolorosa do seu caminhar, cita-se o que diz Isabelle Ludovico: “em 485, no concílio de Mâcon, na França, foi discutido se a mulher poderia ser qualificada como criatura humana e na votação para concluir se ela tinha alma, apenas uns poucos se posicionaram ao seu favor”.
Apesar de, na contemporaneidade, os meses de março, abril e maio comportarem datas comemorativas que celebram acontecimentos pertinentes a marcos da evolução do feminino: 8 de março (dia Internacional da Mulher); 30 de abril (Dia Nacional da Mulher); 2º domingo de maio (dedicado à mulher mãe). Porém, nota-se que esses indicativos mostram apenas o embrião de lutas na reivindicação de direitos. As transformações foram paulatinas, ininterruptas.
Haja vista, a gama de mulheres que, nos seus mundos, se notabilizam no fazer feminino, mas foram consideradas adiantadas para os padrões da época, quase sempre sofrendo sanções sociais, principalmente no profissionalismo dos seus talentos.
Hoje, já não se pode conter o desenvolvimento da mulher; ele gira sistematicamente no mundo do saber, das artes, da política, da ciência etc. E aqui se louva a orientação de uma grande mestra alagoana, Renira Lisboa de Moura Lima, em aulas: é preciso se preparar até mesmo para saber se defender.
Por tratar-se de um assunto sempre em pauta, pois os direitos da mulher ainda não foram de todo reconhecidos, ainda se mata mulheres incentivados por sentimentos negativos, pela perda do controle emocional. No entanto; é possível minorar essas atitudes negativas, jogando-se na educação de base o aprendizado sobre os direitos igualitários e a importância dos valores femininos.
E não se deve deixar de enaltecer as qualidades da mulher heroína do cotidiano, incontáveis! Anônimas, escondidas como a flor da violeta, mas resolutas, aguerridas no desempenho dos seus papéis na sociedade, embora frequentemente sejam, nas mais das vezes, totalmente desprovidas de maior apoio.
As mulheres que compõem a base da pirâmide social, que apenas sobrevivem com o mínimo de recursos, o que elas têm de mesmo é o que se encontra na bolsa a tiracolo, para se posicionarem perante as suas necessidades que lhes são impostas.
Petrucia Camelo
Sobre
Petrucia Camelo é Assistente Social, nasceu em Viçosa-AL. Casada com o médico e escritor Arnaldo Camelo. Possui 14 livros publicados, dois livros premiados. Pertence a Academia Alagoana de Letras. Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Sócia da UBE-PE. Fundadora e Presidente do Clube Café, Vinho e Arte - CCVA.



