Enio Lins

Enfim, Alagoas volta a visitar Graciliano Ramos em grande estilo

Enio Lins 13 de março de 2025

DAQUI A UMA SEMANA, entre os dias 19 e 21, Palmeira dos Índios sediará o I Encontro de Gracilanistas. Uma grande iniciativa com a assinatura de Cosme Rogério, inquieto intelectual palmeirense cujo resumo do Lattes ocuparia toda esta página. De chegada, a coluna aqui aplaude o camarada responsável por essa fantástica agenda.

É “DE PRIMEIRA” A AGENDA gracilianista. Especial de seda, como se dizia no linguajar que saiu de moda faz tempo. Durante todo evento estará disponível uma mostra de fotos de Evandro Teixeira (1935/2024), um dos maiores repórteres-fotográficos da história. Sete palestras e/ou debates se distribuirão pelos três dias, envolvendo 31 palestrantes e/ou debatedores. Todos os itens da agenda serão cumpridos no Auditório da Faculdade Cesmac do Sertão, salvo duas exceções: Espaço Tatipirun, momento programado para as crianças, no Espaço Magia da Terra, na Aldeia Indígena Mata da Cafurna; e a Trilha de Caetés, definida como “um passeio histórico literário pelos logradouros e lugares da memória graciliânica na cidade, com a participação do Clube de Leitura Passarinhar”.

ESTÃO NA ESCALAÇÃO da intelectualidade palestrante: Ailton Costa Júnior, Ana Cláudia Martins, Ana Quitéria Oliveira, Bruna Alves, Chico de Assis, Cida Pedrosa, Cosme Rogério, Cristiano Silva, Deisy Bezerra, Fábio Lins, Jasmin de Taddeo, Luciano José, Marcone Correia, Marcos Serafim, Marta Eugênia, Sidney Wanderley e Xico Sá. A aula-magna de abertura será ministrada por Douglas Apratto Tenório, historiador, escritor e professor, vice-Reitor do CESMAC, personagem estelar da cultura alagoana que dispensa apresentações. Todos os nomes do mais alto nível, à exceção, com todo respeito à organização do encontro, do curioso escolhido para mediar a mesa “Graciliano Ramos: contribuições à historiografia alagoana” – mas nem tudo pode ser perfeito, e os debatedores compensam de sobra essa bonomia excessiva da curadoria.

APLAUSOS TAMBÉM para a formatação da página de divulgação e inscrição. Alta tecnologia e eficiência. Vá lá, em https://www.even3.com.br/gracilianistas/, confira, e se inscreva sem pestanejar – enquanto ainda têm vagas. Igualmente, aplausos para a SECULT/Governo de Alagoas, na operacionalização do Edital de Fomento à Produção Cultural Constantino Sobral Tsangaroupulos, que, através da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), aprovou o projeto em tempo hábil e garantiu a liberação dos recursos para a viabilizar a iniciativa. Logicamente, loas também são dirigidas, por puro mérito, ao Governo Federal, através do Ministério da Cultura.

ALAGOAS PRECISA INCENTIVAR, patrocinar com força, atividades permanentes em torno de suas principais figuras históricas. Trata-se de uma questão estratégica de política cultural, pública, gerando ações ininterruptas, transparentes e consistentes. Projetos estimulados através de editais próprios, voltados para o autoconhecimento enquanto comunidade. Abrir horizontes com revisitas às contribuições alagoanas fundamentais para a cultura local e nacional. Precisam ser relembradas, todos os anos, a vida e obra de genialidades como Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Hekel Tavares, Nise da Silveira, Augusto Calheiros, Jararaca, Peterpan, Gerson Filho, Zagalo, Dida, Paulo Gracindo, Sadi Cabral, Cacá Diégues... só para citar alguns nomes emblemáticos no Século XX e que já encerraram suas jornadas. Sem esquecer – nos séculos anteriores – Zumbi, Calabar, Tavares Bastos, Visconde de Sinimbu, Rosa da Fonseca, Deodoro, Floriano... Muito menos deixar pra lá estrelas radiosas em plena atividade, como Hermeto Pascoal, Djavan, Marta... Fato é que precisaríamos de um ano com uns mil dias para poder usar o potencial de todas essas histórias de vida em agendas de debates e estudos. Mas vamos tentar!