Enio Lins

Comentando o pós-convenções eleitorais em Maceió – capítulo dois

Enio Lins 08 de agosto de 2024

Rafael Brito, com razão, ficou entusiasmado com a convenção que selou seu nome como candidato para a prefeitura de Maceió. Além da animação de mais de cinco mil pessoas que esborraram do Ginásio do Colégio Fantástico e se espalharam pelas ruas nas vizinhanças do Terminal de Ônibus do Benedito Bentes, as atas registraram uma composição partidária invejável, reunindo PSD, PSB, PDT, Federação (PT, PV, PCdoB) ao MDB. Um ótimo começo, finalizando um período de imensas pressões dos adversários para isolamento de sua pré-candidatura. Primeira fogueira pulada.

MAIOR POTENCIAL

Dentre os nomes que se apresentaram para enfrentar o atual prefeito, Rafael Brito sempre foi o com maior potencial. Em 2022, marinheiro de primeira viagem, saiu vitorioso com 58.134 votos (3,51% do eleitorado) em todo Estado e, destes, 15.124 sufrágios conquistados em Maceió (3,36%), onde foi o deputado federal do MDB com maior votação – e numa maré desfavorável, pois, no primeiro turno, Jair Messias embolsou 240.053 votos (49, 59%) contra 195.714 votos (40,43%) depositados em Lula. Simone Tebet, do MDB, levou 25.840 votos (5,34%). Com base nesses números de dois anos atrás, não existe nome melhor, em termos de voto na urna, para o posto, posto no campo do presidente Lula, apenas Paulão teve melhor performance, com 28.408 votos (6,31%), mas, em função de seu papel no Congresso, declinou da tarefa de pleitear a prefeitura neste ano, sugerindo Ricardo Barbosa pelo PT.

UNIDADE SUADA

Unir essas siglas todas em torno de um nome da oposição não seria fácil qualquer que fosse o sugerido. E assim foi. Nessa caminhada, com a base de apoio a Lula desunida na capital alagoana, o governador Paulo Dantas entrou em campo como conciliador e fechou um compromisso entre o MDB e a Federação (PT, PV, PCdoB) para unidade num segundo turno, e a coisa serenou. Em seguida esquentou novamente pela decisão do Diretório Nacional do PT em não lançar candidatura própria em Maceió - como parte de um acordo de abrangência nacional com o MDB, onde as duas siglas permutaram apoios mútuos nas cidades mais importantes. Enfim, a base estava formalmente unida novamente. Mais uma fogueira pulada, mas...

VICE DIFÍCIL, VISSE?

Fogueira acesa novamente, desta vez pela indicação para vice da chapa de Rafael Brito. Na Federação, PV e PCdoB sugeriram o deputado petista Ronaldo Medeiros, mas o Partido dos Trabalhadores reusou ocupar a vice (decisão legítima, mas que foi interpretada, e festejada, pela extrema-direita, como uma ruptura da esquerda maceioense). Na sequência, a vereadora Gaby Ronalsa (PV), a mais votada em 2020, foi escolhida para compor a chapa. Que maratona! Gaby chega com a capacidade de atrair parte do eleitorado conservador e traz para a majoritária uma estrutura de reconhecido poder eleitoral (criada, há muitos anos, pelo ex-vereador Carlos Ronalsa, seu pai, e experiente ex-militante do sindicalismo metalúrgico de esquerda em Alagoas). Pode até não se refletir em votos, mas a confirmação da vereadora do PV como vice de Rafael Brito assustou e incomodou sobremaneira o exército situacionista, cujas mídias “jotaagacistas” têm se esmerado, desde então, a tentar “melar” a escolha com manchetes nervosas como “PT humilhado”, “Bolsonarista é vice de Rafael Brito”, e outras passadas de recibo do tipo. Enfim, Rafael tem razão no seu entusiasmo: pulou todas as fogueiras amigas, e fechou a chapa mais ampla deste ano. Mas a batalha será duríssima, e agora começa o fogo inimigo.