Enio Lins

Assembleia renovada e grandes expectativas no ar

Enio Lins 02 de fevereiro de 2023

Ontem a Assembleia Legislativa de Alagoas iniciou seus trabalhos 2023. As notícias sobre o dia primeiro da nova composição da Casa de Tavares Bastos podem ser devidamente apreciadas nas páginas de Política desta Tribuna. Aqui vamos comentar genericamente.

Este período
, 2023/2026, aparece como coisa diferenciada em relação às demais legislaturas. Descontado aí tempos inusuais quando, sem eleição direta para o governo, cabia à Assembleia, na cabeça de um Colégio Eleitoral, escolher quem ocuparia o Palácio dos Martírios. O poder dessa Legislatura se assemelha àquele tempo, só que maior agora.

O fato novo é
que, desde a escolha do nome que completaria o mandato de Renan Filho, considerando a vacância do cargo de vice-governador, o Poder Legislativo assumiu o papel de protagonista na ocupação de espaço no Poder Executivo. Paulo Dantas não foi só o nome votado pela ALE, ele é o nome da Assembleia Legislativa, veio dela e chegou representando-a para a titularidade no governo alagoano.

A reeleição de Paulo Dantas 
para o mandato 2023/2026 fez compartilhar sua condução com o conjunto do eleitorado, é verdade. Todavia isso não reduz significativamente sua ligação e origem, e o Poder Legislativo segue sendo mais influente no Poder Executivo que em outra qualquer quadra de tempo.

Isto indica que
o Legislativo terá bem mais responsabilidades neste quadriênio. A tentação de cogovernança será grande, independente da vontade de cada um. Evidentemente que tanto Paulo Dantas como Marcelo Victor estão preparados para esse risco, e – jovens experientes – têm como manter os poderes autônomos e desvinculados. Inobstante, há de se entender o gigantesco fascínio que essa nova realidade causa particularmente à Assembleia.

Ao longo dos próximos 
quatro anos essa propensão natural terá de ser observada, contornada, castrada. Péssima é a sobreposição de dois dos três poderes constituídos numa sociedade democrática. Cada qual em seu vértice é o triângulo equilátero perfeito, a base da harmonia entre iguais, e da saudável esgrima dos entendimentos e procedimentos, envolvendo Executivo, Legislativo e Judiciário.

Dado importante
a ser considerado é a renovação na Casa Tavares Bastos: 40,7% de estreantes, o que é muito bom para a oxigenação do poder, mesmo que a expectativa de mudança de ideias não siga semelhante percentual. Aguardemos o andar da carruagem, torcendo pelo avanço de Alagoas em todos os campos.

HOJE NA HISTÓRIA


2 de fevereiro de 1997
– Chico Science, cantor e compositor pernambucano, morre num acidente de carro entre Recife e Olinda. Criador do movimento “manguebeat”, sacudiu o cenário musical brasileiro com apenas dois discos, entre 1994 e 1996.

Gilberto Gil, no final do Século XX, segundo a Wikipédia, considerou Chico Science como “o que surgiu de mais importante na música brasileira nos últimos vinte anos”. O gênio baiano acrescentou o grupo Olodum como outra novidade no mesmo nível, mas com todo respeito, não há como comparar – em minha modestíssima opinião. Chico Science, sozinho, foi a grande explosão inovadora (conceito, música e letra) de seu tempo.

O Manguebeat, com sua peculiar fusão de estilos, foi a novidade no cenário musical brasileiro em, pelo menos, 30 anos – os 20 listados por Gil e mais 10 por minha conta e risco. Mas não entendo de música, falo isso por atrevimento. A inovação, entretanto, não resistiu à morte do homem-caranguejo-eletrônico. Desde então não surgiu nada parecido com “Da lama ao caos”, de 1994, e “Afrociberdelia” de 1996. No tempo em que existiam discos, esses dois aí ganharam o cobiçado Disco de Ouro, cada um vendendo mais de 100 mil cópias.

Francisco de Assis França, morto às vésperas de completar 31 anos, entrou para a história da música brasileira numa passagem meteórica. Seu legado ficou como lembrança de algo único.

Conheça mais:

https://www.youtube.com/watch?v=j299EbU-UnQ
(documentário no Youtube)