Enio Lins
Assembleia renovada e grandes expectativas no ar
Ontem a Assembleia Legislativa de Alagoas iniciou seus trabalhos 2023. As notícias sobre o dia primeiro da nova composição da Casa de Tavares Bastos podem ser devidamente apreciadas nas páginas de Política desta Tribuna. Aqui vamos comentar genericamente.
Este período, 2023/2026, aparece como coisa diferenciada em relação às demais legislaturas. Descontado aí tempos inusuais quando, sem eleição direta para o governo, cabia à Assembleia, na cabeça de um Colégio Eleitoral, escolher quem ocuparia o Palácio dos Martírios. O poder dessa Legislatura se assemelha àquele tempo, só que maior agora.
O fato novo é que, desde a escolha do nome que completaria o mandato de Renan Filho, considerando a vacância do cargo de vice-governador, o Poder Legislativo assumiu o papel de protagonista na ocupação de espaço no Poder Executivo. Paulo Dantas não foi só o nome votado pela ALE, ele é o nome da Assembleia Legislativa, veio dela e chegou representando-a para a titularidade no governo alagoano.
A reeleição de Paulo Dantas para o mandato 2023/2026 fez compartilhar sua condução com o conjunto do eleitorado, é verdade. Todavia isso não reduz significativamente sua ligação e origem, e o Poder Legislativo segue sendo mais influente no Poder Executivo que em outra qualquer quadra de tempo.
Isto indica que o Legislativo terá bem mais responsabilidades neste quadriênio. A tentação de cogovernança será grande, independente da vontade de cada um. Evidentemente que tanto Paulo Dantas como Marcelo Victor estão preparados para esse risco, e – jovens experientes – têm como manter os poderes autônomos e desvinculados. Inobstante, há de se entender o gigantesco fascínio que essa nova realidade causa particularmente à Assembleia.
Ao longo dos próximos quatro anos essa propensão natural terá de ser observada, contornada, castrada. Péssima é a sobreposição de dois dos três poderes constituídos numa sociedade democrática. Cada qual em seu vértice é o triângulo equilátero perfeito, a base da harmonia entre iguais, e da saudável esgrima dos entendimentos e procedimentos, envolvendo Executivo, Legislativo e Judiciário.
Dado importante a ser considerado é a renovação na Casa Tavares Bastos: 40,7% de estreantes, o que é muito bom para a oxigenação do poder, mesmo que a expectativa de mudança de ideias não siga semelhante percentual. Aguardemos o andar da carruagem, torcendo pelo avanço de Alagoas em todos os campos.
HOJE NA HISTÓRIA

2 de fevereiro de 1997 – Chico Science, cantor e compositor pernambucano, morre num acidente de carro entre Recife e Olinda. Criador do movimento “manguebeat”, sacudiu o cenário musical brasileiro com apenas dois discos, entre 1994 e 1996.
Gilberto Gil, no final do Século XX, segundo a Wikipédia, considerou Chico Science como “o que surgiu de mais importante na música brasileira nos últimos vinte anos”. O gênio baiano acrescentou o grupo Olodum como outra novidade no mesmo nível, mas com todo respeito, não há como comparar – em minha modestíssima opinião. Chico Science, sozinho, foi a grande explosão inovadora (conceito, música e letra) de seu tempo.
O Manguebeat, com sua peculiar fusão de estilos, foi a novidade no cenário musical brasileiro em, pelo menos, 30 anos – os 20 listados por Gil e mais 10 por minha conta e risco. Mas não entendo de música, falo isso por atrevimento. A inovação, entretanto, não resistiu à morte do homem-caranguejo-eletrônico. Desde então não surgiu nada parecido com “Da lama ao caos”, de 1994, e “Afrociberdelia” de 1996. No tempo em que existiam discos, esses dois aí ganharam o cobiçado Disco de Ouro, cada um vendendo mais de 100 mil cópias.
Francisco de Assis França, morto às vésperas de completar 31 anos, entrou para a história da música brasileira numa passagem meteórica. Seu legado ficou como lembrança de algo único.
Conheça mais:
https://www.youtube.com/watch?v=j299EbU-UnQ
(documentário no Youtube)
Enio Lins
Sobre
Enio Lins é jornalista profissional, chargista e ilustrador, arquiteto, membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Foi presidente do DCE da UFAL, diretor do Sindicato dos Jornalistas, vereador por Maceió, secretário de Cultura de Maceió, secretário de Cultura de Alagoas, secretário de Comunicação de Alagoas, presidente do ITEAL (Rádio e TV Educativas) e coordenador editorial da OAM.



