Dr. Wanderley Neto

PREVER O FUTURO

Dr. Wanderley Neto 06 de janeiro de 2022
A vida só se percebe depois de vivida. Apesar de alardearmos que temos que viver o presente, a grande verdade é que o presente não existe. Não fui eu o autor da constatação. A afirmação é de Helmut Shoboda para ele, “só existe passado e futuro. A idéia de existir um presente não passa de uma superstição amplamente divulgada ou manipulação mental da realidade”. Faz sentido. O presente se esvai a cada segundo, a cada gesto, a cada respiração e passa a ser passado. É um natimorto. Partindo da suposição de que estamos certos, temos mesmo que pensar no futuro, que nos persegue e engole. Charles Kettering afirmou que, “meu interesse é no futuro, por que é lá que passarei o resto da minha vida”. Em relação ao futuro, costuma-se dizer que a Deus pertence. Mas é conveniente lembrar que é bom dar uma ajudazinha ao chefe, digo Deus, afinal ele só costuma ajudar a quem faz por onde. O mundo está cheio de pessoas que se dizem com falta de sorte ou melhor sem boa sorte. Uma análise simplificada mostra que não se dão nem ao trabalho de botar a cara na janela e assim darem uma chance de serem atropelados pela dita cuja. Um campo bastante arriscado é o das previsões, principalmente sobre o futuro. No ramo do vaticínio há de tudo, mas o que predomina mesmo é o viés catastrófico. Há alguns anos, a Universidade da Califórnia chamou dez futurólogos e fez uma encomenda de previsões. Dez anos depois, foram conferir e constataram que todos erraram e para menos. Um alento para os otimistas. Apesar de muita coisa negativa advinda do futuro, as coisas boas superam as ruins. Para encerrar cito algumas “previsões” feitas por pessoas que ocupavam funções importantes no meio empresarial e cientifico ao redor do mundo. Vamos lá. Robert Milican, premio Nobel de Física saiu-se com essa pérola: “o homem nunca será capaz de usar o poder do átomo”. O presidente da Warner Brothers Pictures, Henri Wamer, profeciou em 1927, na era do cinema mudo: “quem no mundo gostaria de ouvir atores falando?”. Já o presidente da gigante IBM, também em 1927, declarou: “acredito que o mercado mundial não comporta mais que cinco computadores”. E em 1977, o diretor da maior companhia de vendas de computadores nos EUA, a Digital Equipaments (que foi comprada pela Compaq/HP), Ken Olsen estimava que: “não existe nenhuma razão para alguém ter um computador em casa". Ufa! Ainda bem que erraram e feio. Façam suas previsões e não se preocupem em acertar. O que vale mesmo é viver.