[caption id="attachment_312441" align="alignnone" width="300"] José Paulo Gabriel e Antonio Pereira nos primeiros anos da Cooperativa[/caption]
Fotos: Olívia de Cerqueira
O ano era 2007, depois de uma tenebrosa greve, com abandono dos então chamados 'donos' do Jornal Tribuna de Alagoas, exaustos e famintos jornalistas, gráficos e funcionários administrativos resolveram ocupar o prédio do jornal, construído a mando do empresário Paulo Cesár Farias, o PC Farias, que tinha idealizado o projeto para ser o 'maior jornal do Nordeste'.
Ao ocupar o prédio, logo veio a ideia de editar o Jornal Tribuna de Alagoas semanalmente com uma linha editorial totalmente raivosa e cheia de acusações contra aqueles que tinham abandonado mais de 300 funcionários à própria sorte. Tratava-se do grupo político do ex-governador Ronaldo Lessa, com parceria com o empresário Robert Lyra, o Bob Lyra. Os dois indicaram parentes e diretores de confiança, numa demonstração inequívoca de incompetência gerencial, levando o jornal a bancarrota.
Em algum momento das extensas assembleias quase diária que fazíamos na redação do jornal falido veio a ideia de criar uma cooperativa para tocar as coisas até que a Justiça do Trabalho resolvesse a vida dos demitidos e desamparados profissionais.
Coube a mim entrar em contato com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) secção de Alagoas. Imediatamente liguei para o número que aparecia na busca do google, sendo atendido por uma doce e destacada líder do cooperativismo brasileiro. Seu nome: Márcia Túlia Pessoa, que determinou todos os passos a serem seguidos por nós durante os primeiros anos conturbados da primeira e única Cooperativa dos Jornalistas e Gráficos do Estado de Alagoas - Jorgraf, fundada no dia 10 de julho de 2007.
Os primeiros dias foram os mais intenso da minha vida de jornalista, com experiência na edição de jornal impresso. Com pouco mais de R$ 7 mil e cinco bobinas de papel que haviam 'sobrado' da antiga Tribuna de Alagoas, surgiu a Tribuna Independente, cujo nome tenho a honra de ter batizado.
No primeiro mês de efetivo trabalho todos os cooperados, independente da função receberam R$ 200 como repasse da nova Cooperativa. Ao longo dos anos esse repasse forjou praticamente uma nova geração de jornalistas recém-formados, levando dezenas de gráficos a conseguirem aposentadorias especiais, graças a ação da Cooperativa, que conseguiu regularizar a situação.
Vale um parenteses para duas pessoas também importantes nesse processo. O gráfico José Paulo Gabriel e a gráfica e depois diretora comercial do jornal Tribuna Independente, Marilene Canuto.
Paulo Gabriel formou comigo uma dupla de direção da Cooperativa, eu como presidente ele como diretor Administrativo-Financeiro. Ao longo de quase nove anos pudemos sofrer juntos e vibrarmos juntos a cada derrota e também a cada vitória da Cooperativa.
Marilene Canuto é uma dessas pessoas iluminada. Nunca havia tempo ruim para ela. Incansável, trabalha mais de 15 horas todos os dias. Uma das primeiras a chegar no jornal e uma das últimas a sair. Seu trabalho foi responsável pela sobrevivência da Cooperativa até hoje. Ela consegue levar à frente o nome do Jornal Tribuna Independente, sendo, inclusive 'coroada' pelas agências de publicidade que trabalham com o jornal como Miss Simpatia. Temos ainda os gráficos Carivaldo e Edmilson.
Nessa história da Cooperativa não podemos esquecer um dos momentos mais emocionantes e decisivos quando adquirimos a máquina rotativa em um leilão da Justiça Federal. Ao ser dono do meio de produção, já que a máquina é a responsável por imprimir o jornal, os cooperados tiveram certeza de que poderiam sonhar ainda mais alto. Sempre digo a todos que a aquisição desta máquina não seria possível sem a participação decisiva da jornalista Eliane Aquino, sua ajuda foi substancial para a conquista desta importante vitória.
Um agradecimento especial ao jornalista Guilherme Lamenha e ao empresário Luiz Otávio Gomes, então secretários do governo Teotonio Vilela Filho.
Outra pessoa que tem forte atuação e merece ser lembrada aqui é o também jornalista Gabriel Lins Mousinho, nosso eterno editor-geral, responsável pela existência da Cooperativa no antigo prédio na Avenida Expressa. Mousinho figura no rol dos que apadrinharam a Cooperativa, numa demonstração de desprendimento pessoal e forte afeto humano.
Já que estamos citando nomes, quero lembrar dos primeiros cooperados e suas participações neste processo épico de criação e sustentação de uma Cooperativa. Vamos lembrar do bravo Sandro Lima, que nos primeiros momentos, atuava como repórter fotográfico de dia e nas madrugadas entregava jornal em sua moto. Vamos lembrar também do lutador gráfico Alexandre Moreira, um guerreiro monstruoso. Líder de uma equipe que virava as madrugadas imprimindo o jornal, mesmo quando faltava energia, faltava dinheiro, mas nunca o jornal deixou de ser impresso.
Outros nomes merecem estar aqui neste artigo, como Ricardo Castro, nosso editor até hoje. João Dionísio e Flávia Amaral, dois dos mais abnegados jornalistas no início deste processo. Vamos lembrar também do rabugento, mas competente Paulo Holanda Cavalcante, um gênio das artes gráficas, juntamente com sua equipe de trabalho, tendo Jairo Queiroz, José Derivaldo e Wilson Barros. Lembro ainda de Salvador Henrique e Genilson nas fotos e tratamento de imagem. Nunca esquecerei o trabalho avinco de Mara Goes e Carla Regina.
Na redação tivemos ainda Olívia de Cerqueira, Adailson Calheiros, Plínio Nicácio, Ana Márcia, Jerônimo Vicente, Jaime Feitosa, Ailton Vilanova, Elenilson Gomes, Alvaro Brandão, Júnior Melo, Pelezinho, Flávio Miguel de Oliveira Peixoto, Ana Paula Omena, Billo, Debora Freire, Edmilson Teixeira, Roberto Baía, Felipe Camelo, Eulália Lima, Bartolomeu Dresch, Flávio Gomes de Barros, Valdirene Leão, Nigel Santana, Rivison Batista, Bruno Martins, Petrônio Viana, Andrezza Araújo, Luciana Martins, Luciana Araújo, Gabriela Rodrigues, Emília Bezerra, Gilson Monteiro e tantos outros bravos desbravadores da notícia.
Vendo agora, 12 anos depois, tenho um orgulho que não cabe no meio peito. Foram anos de aprendizado e autoconhecimento. Evolui com homem, como profissional. Nunca vou esquecer que ajudei a criar algo tão bonito e tão marcante na vida de tantas pessoas.
Viva a Cooperativa dos Jornalistas e Gráficos - Jorgraf. Viva o jornalismo.
Antônio Pereira