Alisson Barreto

UTILIDADES FÚTEIS OU FUTILIDADES ÚTEIS?

Alisson Barreto 22 de junho de 2015

Utilidades fúteis ou futilidades úteis?

Dogmatização do acidental

Babá deve usar branco? Homem deve usar barba? Garfo tem que ficar na mão esquerda? Talvez não por você, mas essas e outras perguntas são feitas por muitas pessoas com, muitas vezes, repercussão em deveres de conduta. Até que ponto são aceitáveis e a partir de quando devem ganhar holofotes?

As perguntas supracitadas podem ser acrescidas de muitas outras, como – por ex. - tênis de estudantes e chuteiras de futebol deveriam ser pretos? Houve época em que as escolas e os times de futebol exigiam a padronização dos uniformes das camisas aos calçados. Da mesma forma, há ou houve locais em que as pessoas eram forçadas a escrever com a mão direita e/ou a comer com o garfo na mão esquerda; bem como a babá, a usar branco. Conveniências, convenções ou deveres sociais?

Da pergunta recém-colocada germina outra: norma de etiqueta gera dever-ser a um indivíduo? É possível que o leitor já tenha se perguntado como surgem e até que ponto são aplicáveis tais normas.

Se lhe perguntarem por que você toma sopa com colher e toma com garfo o arroz com feijão; provavelmente, a resposta será porque, diferentemente do arroz com feijão, faz parte substancial da ingestão de sopa degustar o líquido, o qual é melhor retido pela colher. A propósito, sim, você toma arroz com garfo, toma e come. Diferentemente do suco, o qual você o toma e bebe.

Se a pergunta for acerca da colocação do garfo no lado esquerdo do prato a resposta conveniente é “o garfo tomado pela mão esquerda para que a mão direita utilize a faca, tendo que a direita teria mais força para cortar a carne, por ex.”. A tal resposta cabem outras perguntas como “e no caso dos canhotos?” ou “e se o indivíduo tiver força suficiente com a esquerda e cordenação motora melhor com a direita para manusear o garfo com esta?”. Alguém pode insistir que regras são para serem obedecidas, mas é rigoroso lembrar que sem o postulado da proporcionalidade é cegueira intelectual obedecê-las. E a compulsoriedade ao comportamento de cegueira intelectual é desrespeito à natureza pensante do ser humano. Ou seja, e se a ideia de usar o garfo com a mão esquerda for uma camuflada imposição de um sinistro e a de usar a caneta com a mão direita, imposição oculta de um destro?

Quando ocorrem utilidades fúteis e futilidades úteis?

Algumas futilidades são úteis para criar falsas necessidades, úteis a algumas pessoas: eis as futilidades úteis. As futilidades úteis são, portanto, utilidades para quem as manipula. Há também coisas tidas como utilidades ou mesmo necessidades que, na verdade, têm naturezas dispensáveis: as utilidades fúteis.

Ambas as concepções acima são acidentais, tendo em vista que o ser humano pode viver sem tais coisas, ou seja, não lhe são essenciais.

O problema se dá quando engendra um maquinário cognitivo que gera na mente do indivíduo que algo lhe é necessário, que sem o qual a pessoa não possa viver. Há, observe, uma grande diferença entre o que é efetivamente necessário e “achologicamente” necessário. Este decorre do “achismo”; aquele, da natureza.

As empresas descobriram no marketing um importante instrumento de fazer dar status de necessário a algo, o que podemos chamar de dogmatização do acidental. Alguns políticos descobriram ser a revolução esse instrumento ou a manipulação da informação como meio eficaz à manipulação das mentes. As forças armadas descobriram os jogos e os desenhos; televisão descobriu a novela; o socialismo descobriu a destruição: ora livros, ora famílias, dentre outros.

A manipulação dos símbolos, das palavras e de seus significados são os grandes agentes da época para se conseguir o que se quer. Assim, por ex., os homoafetivos passaram a utilizar o símbolo da antiga aliança como seu símbolo: o arcoíris.

Não se pode esquecer da manipulação de movimentos. Nesse sentido, o socialismo hodierno faz uso dos homoafetivos ou multiafetivos para combater o matrimônio, visando à redistribuição dos patrimônios e redirecionamento do poder, buscando tornar como célula-mãe da sociedade não mais a família, mas o partido político.

Nessa conjuntura, o partido político é um dos acidentais que são úteis a alguns, impostos como essenciais à população e, sem que se dê conta, corrompe a sociedade; particionando-a entre interesses partidário-ideológicos, em vez de uni-la no bem-comum. Nesse caso, devemos chamar de futilidade mesmo ou mesquinhez pertinaz? Dogmatização do acidental.

Dado em Maceió, 22 de junho de 2015.

Alisson Francisco Rodrigues Barreto.1

1Poeta, filósofo; bacharel em Direito, pós-graduado. Autor do blog “A Palara em palavras”, na Tribuna.