Gerônimo Vicente

18 de agosto de 2019

A propaganda como prova do retrocesso

A elite que chegou ao poder depois de pressionar  um impeachment de um governo e mudar todas as circunstâncias históricas do país começa a mostrar o nível  de interesse que se escondia  por trás de tanta opulência.E, notavelmente não era por educação, afinal de contas palavras como “ cocô, bosta e peido” passaram a ganhar destaques no noticiário nacional por terem saído das bocas daqueles que durante as manifestações de 2015 e 2016 arrotavam civilidade ao limparem as ruas depois  dos protestos, demonstrarem poliglotismo e patriotismo, ainda que não tivessem decorado a letra do Hino Nacional. Mas parece que os representantes desses deixaram de consultar o manual morfológico da megalomania:um presidente da República desvia os assuntos nacionais mais sérios proferindo fezes em seus discursos e um procurador da República deu o tom da música “ Burguesia” do genial Cazuza.ao descrever o mau cheiro dos privilégios (Leia reportagem) .

Meses antes do alojamento  da representatividade elitista  no Palácio do Planalto, já era esperado o grau de retrocesso a que chegaria o país. Voltamos a  uma era de 80 anos atrás. quando questões como a misoginia, machismo e preconceito social de rico contra pobre hoje de volta eram retratadas por meio da propaganda em material gráfico.

Abaixo apresento  oito propagandas reais e  bizarras que representavam uma condição social da época e que comparadas ao contexto atual demonstram a conjuntura do atraso  a que atravessamos. Os dados foram colhidos no canal Propaganda Histórica.

1, Biotônico Fontoura – tradicional remédio contra a magreza e que tomei muito  na infância sem efeito positivo.

 No anúncio, dois rapazes, sendo comparados pelo porte físico nos anos de 1930: “Antes fraco e desanimado, um imprestável. Hoje cheio de saúde e vigor graças ao Biotônico Fontoura”. Ser magro nessa época significava sinônimo de miséria absoluta.

 

  1. Assédio sexual na propaganda

 

 No ínício dos anos de 1970, o Curso Oxford promovia seus cursos de Secretária Executiva para os cariocas em suas diversas unidades na capital fluminense. A imagem, uma jovial secretária fazendo uso de um estenótipo. O patrão acompanha o trabalho próximo a ela e o título instigava o leitor: “Seja cobiçada por milhares de homens bem situados na vida”. Em seguida um longo texto seguia: “Você despertará a cobiça nos empresário. Veja os anúncios pedindo secretárias. Preste atenção nos salários oferecidos. Observe o nome das empresas que anunciam”.

3.Desnutrição e pobreza

Como citei acima,  no passado ser magro era diretamente ligada à desnutrição, hábitos alimentares ruins e doenças. Ser mulher magra representava rejeição dos homens, pobreza, maus-tratos e exaustão de serviços domésticos. A propaganda do medicamento Vikelp era o  comprimido  que prometia eliminar o “complexo de magreza” e dá aparência de nobreza ao ganhar uns quilos a mais

 

  1. Favacu  no combate à violência contra mulher

A propaganda da farinha de fava A Mariazinha que circulou nos anos de 1950, apresentou uma solução caseira para as mulheres vítimas de violência dos maridos pelo visto muito corriqueira naquela época. O consumo da fava prometia uma força feminina capaz de jogar o companheiro pela janela.

 

  1. Fogão elétrico, Adultério e racismo

Mal chegava ao país na década de 1930 e o fogão elétrico abria polêmica ao insinuar subserviência da mulher e ao mesmo tempo racismo.Assim foi a peça publicitária da General Eletric cujo conteúdo denuncia essas particularidades de mau-gosto, porém consideradas como normal à época. “A boa mesa prende em casa os maridos. O texto seguia com a lógica do título: “Retenha em casa seu marido. Prepare-lhe um jantar gostoso”. O produto era enaltecido no restante do texto. Na imagem, além do casal, um mulher negra fazia o papel de servente do lar, mas a autoria do jantar era da esposa.

7.Crianças vadias

Outra propaganda que renderia muitos polêmicas e  impressa em 1918 foi a Chocolate Lacta. O texto lembra episódios atuais como a Escola Sem Partido e ensino sobre Karl Marx no ensino fundamental:“As crianças são geralmente vadias, e só gostam da escola por causa das aulas de recreio. Mas, se se lhes oferece o Lacta como prêmio, todas se tornam estudiosas e comportadas. É inútil, pois, facilitar o ensino por meio de métodos apropriados: o Lacta, como prêmio e estímulo, vale por todos os métodos”.

E para finalizar!

  1. A marca de todo retrocesso

Nada mais atual do que a propaganda da Mesbla exibida  nos anos de 1980 cujo título era “Seguro Você Vive Melhor. Só se deve usar armas em casa em caso de  extrema necessidades. Em situação de defesa, por exemplo.É nessas horas que você se sente mais seguro quando tem uma Taurus por perto. Esteja sempre preparados para imprevistos da vida.Venha até a Mesbla conhecer os últimos lançamentos da Taurus. Venha falar com quem mais entende de segurança.

Alguém ainda tem dúvidas do retrocesso a que nós nos metemos!

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Uma reportagem e o alerta sobre um novo caos social em Maceió

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Nos EUA as escolas de alfabetização de notícias são as armas contra fake news

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Países ricos discutindo desigualdade social: sinal de que pobres vão pagar a conta

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Prátika: o jornal laboratório que antecipou o fenômeno causado por mineraçao

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Torcer pelo CSA na torcida do CRB ou vice-versa; antes uma aliança, hoje um desafio

Talvez o torcedor de  CSA e CRB   custe a acreditar  no conteúdo deste texto, mas em meio à disputa jurídica, ocorrida nesta semana sobre participação das duas torcidas no clássico deste sábado (29), afirmo que já cumpri  esse desafio  que foi:  torcer uniformizado pelo CSA na torcida do CRB e torcer pelo CRB trajando camisa […]

27 de agosto de 2018

  Na campanha eleitoral sem as ruas, os bots são cabos eleitorais do mal

O leitor deve ter prestado atenção às  reportagens sobre o dia-a-dia dos candidatos à presidência da República transmitidas  pelas emissoras de televisão, notadamente  pelo Jornal Nacional da Rede Globo, onde a exibição da campanha do candidato Lula, por determinação da própria emissora, está proibida de aparecer. Nas imagens, mostra-se, claramente,  o desinteresse da população pelo […]