Gerônimo Vicente

29 de setembro de 2018

Torcer pelo CSA na torcida do CRB ou vice-versa; antes uma aliança, hoje um desafio

Talvez o torcedor de  CSA e CRB   custe a acreditar  no conteúdo deste texto, mas em meio à disputa jurídica, ocorrida nesta semana sobre participação das duas torcidas no clássico deste sábado (29), afirmo que já cumpri  esse desafio  que foi:  torcer uniformizado pelo CSA na torcida do CRB e torcer pelo CRB trajando camisa e bandeira azulina.

No entanto, isso ocorreu há mais de 40 anos e um detalhe importante foi que  a campanha de união dos torcedores das duas agremiações partiu de uma iniciativa da crônica esportiva alagoana.

Na década de 1970, o estádio Rei Pelé tinha uma capacidade que alcançava a 80 mil  pessoas. Somente na geral, que era espaço parecido ao fosso que circunda o estádio e sem as mínimas acomodações, o total de torcedores chegava a 20 mil. Nesse local, aglutinavam-se  ambas as torcidas, pois era destinado aqueles beneficiados com preços de ingressos mais baixos. E ali, muitos passavam até cinco horas em pé durante os jogos. Bandeiras com pau, garrafas de cachaça ou de cerveja, rojões, bombas caseiras, arremesso de bagaço de laranja em direção aos jogadores, tudo isso ocorria, com normalidade e sem repressão. As brigas se resumiam à ação ousada de  bêbados ou trocas de empurrões devido à lotação. As confusões logo eram apartadas pela polícia.

As grandes arquibancadas sempre foi  o local preferido da torcida azulina e a superstição era tanta no lado adversário que em dias de jogos do  CRB, sem ser o clássico, a torcida regatiana evitava ocupar aquele espaço, tanto por acreditar em mau olhado como por uma questão de segregação social. Ocorria que à época, ser  CRB significava ser nobre pelo fato de o clube situar-se no bairro da Pajuçara, pela maioria dos políticos influentes na estrutura do poder público torcer pelo Galo, a exemplo de governadores e vices e porque, o CRB era uma agremiação social promotora de bailes sociais e carnavalescos, frequentados pela chamada “nata social”. Já o CSA tinha  como maioria dos torcedores, a população de baixa renda dos bairros periféricos e não possuía a estrutura social do adversário. O estádio Gustavo Paiva se resumia a um lamaçal durante o inverno e não foram poucas, as vezes em que assisti a treinos coletivos em campo com lama no lugar de grama, resultando em sérias contusões.

O estado de Alagoas nesse período tinha 70% de sua população sem saber ler e escrever, porém prevalecia os valores e o respeito mútuo entre cidadãos e, principalmente de crianças em relação aos adultos e vice-versa.

Daí retomo a história do desafio de torcer pelo CSA na torcida do CRB que não era só meu, mas de qualquer torcedor que fosse assistir ao verdadeiro espetáculo com talentosos craques como, Soareste, Roberto Menezes, Reinaldo, Gilmar,  Djair, Espinosa e Ferreti. Assim era comum, um torcedor acompanhar o amigo rival na torcida adversária e uniformizado.

Em 1978, por iniciativa de uma das emissoras de rádio (não lembro se Difusora e Gazeta) foi iniciada uma campanha para que torcedores  do CSA torcessem pelo CRB no campeonato brasileiro de 1978 e vice-versa pois ambas as equipes representavam Alagoas na competição nacional. Assim, nos jogos do CRB era comum  haver bandeiras do CSA e as flâmulas azulinas na partida do Galo.

Quem se atreve a cumprir esse desafio nos  dias de hoje, onde a rivalidade entre a torcidas se transformou em situação de ódio e  não por amor ao clube?

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