Gerônimo Vicente

9 de agosto de 2020

O acordão para sepultar a Lava Jato é um festival de “gente inocente”

Um texto do competente jornalista Luis Nassif referiu-se na semana passada (costumo contar o domingo como primeiro dia da semana) a  um articulado acordo para pôr fim a desgastada e desacreditada Operação Lava Jato. Seria uma forma de os principais atores dessa investida malograda das instâncias judiciais saírem pela porta de trás sem serem percebidos e esquecidos de que foram algozes do caos ao lançarem o país na maior crise democrática de sua histórica, arruinarem a economia nacional, inclusive no âmbito externo e contribuírem para a produção de atos fascistas em escala ao darem corda a representantes desse cruel movimento para que alcançassem o último degrau que é o poder de Estado.

Nos últimos cinco anos, as instituições públicas parecem que resolveram subestimar a inteligência do brasileiro. Imagine só que, na semana passada, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia afirmou que o crime de “pedaladas fiscais” promovido por Dilma Rousseff na Presidência da República é mais grave do que os atos do atual governo de insuflar aliados contra os demais poderes, inclusive ao que ele pertence. Outro fato que tenta diminuir nossa capacidade intelectual: “medalhões” do jornalismo brasileiro, representantes dos maiores conglomerados de comunicação e que foram decisivos para o estabelecimento do descontrole social e econômico no país, agora, afirmam que foram vítimas dos erros das instituições ao tentarem combater a corrupção, mesmo eles sabendo dos desatinos de autoridades judiciais, a  exemplo dos grampos ilegais, da censura à defesa dos réus, das denúncias de negociação de delação em troca de propinas e outras irregularidades reveladas pelas reportagens da Vaza Jato do site The intercept.

Ocorre que o mesmo mercado econômico que, ferozmente, se lançou contra os governos petistas para defender seus privilégios, ajudou a destruir seus próprios patrimônios e sua reputação no exterior. A engenharia nacional até 2014, era apontada como uma das mais eficientes do mundo com história e tradição em países africanos e do Oriente Médio desde o início do Regime Militar na década de 1960. Construção de estradas, pontes, plataformas petrolíferas e de modernos edifícios fizeram com que a construção civil brasileira fosse tão saudada em países como Irã, Iraque, Arábia Saudita,Líbano,Egito, Omã, Moçambique, Angola, África do Sul e outros, quanto eram Pelé e Zico. No livro, produzido  pelo Organizações Roberto Marinho, chamado “Correspondentes”, alguns repórteres da Rede Globo ao contarem suas trajetórias afirmam terem sido salvos de bombardeios por conterrâneos das empresas de engenharia brasileiras sediadas no Oriente Médio. Essa página foi virada e amassada e jogada no lixo pela Operação Lava Jato.Não se fala, mas em engenharia nacional como antes e até esses jornalistas medalhões já admitem a desgraça que foi pré-anunciada logo no início da série de espetacularização que lhes rendeu audiência.

No âmbito das instâncias superiores da Justiça Brasileira, o discurso começou a ser ensaiado com  duas decisões importantes ocorridas na semana passada em favor do ex-presidente Lula. A anulação da delação do ex-ministro Antonio Palocci, divulgada pelo juiz Sérgio Moro a seis dias da eleição presidencial de 2018 e segundo a decisão do STF com o intuito de prejudicar a campanha do petista Fernando Haddad e abertura dos softwares da empresa Odebrecht  com documentos sigilosos sobre delações de executivos da empresa para defesa do ex-presidente. Ministros do STF, segundo texto de Nassif, também já admitem terem sido influenciados por um juiz de primeira instância em decisões polêmicas, como a da prisão de réus em segunda instância, essa uma clara aberração contra a Constituição que, não fossem as revelações do site The Intercept sobre interferência da cúpula da Lava Jato nos assuntos da mais alta corte do país até hoje essa decisão era válida. O caso do veto a Lula por ser réu de se tornar ministro de Estado, mas não a  Moreira Franco  que na mesma condição foi  liberado para exercer o cargo, demonstra, claramente, o evidente “bate-cabeça” do STF.

 Já os representantes dos segmentos econômicos se dizem decepcionados com o que eles mesmo criaram, mas insistem em ludibriar a sociedade com estatísticas fantasiosas como a tal “retomada” da economia prometida, desde 1º de setembro de 2016, data seguinte à conclusão do impeachment de Dilma Rousseff .Basta que 100 mil pessoas no universo de 14 milhões de desempregados conquistem empregos para haver comemoração geral e isso ser chamado de “crescimento”. Ora!, Em 2011, o país era a sexta economia assumindo o posto da Itália no ranking entre os países mais ricos do mundo. A taxa de desemprego era de 6% uma das mais baixas do Planeta. A extrema pobreza em 2011 era compatível com o valor global da época para ser assim definida , de US$ 1,25 por dia.

O país foi jogado às traças e, essa realidade nem a minha, nem as próximas quatro gerações irão reviver. Não é justo que esses atores do caos venham agora com “cantigas de ninar” para tentar convencer a sociedade de que foram enganados por eles mesmo  e tentem sair do “terror tocado” como gente inocente.

25 de julho de 2020

O  poder digital vulgarizou a arrogância do “sabe com quem está falando”

                      Na década de 1980 o ponto de encontro de jovens estudantes, servidores públicos, profissionais liberais, jornalistas e intelectuais era o espaço na praia de Ponta Verde, em frente ao hotel de mesmo nome. As barracas do Zé e do Siri eram os locais, habitualmente […]

12 de julho de 2020

Brasil, o avesso do avesso até na pandemia

  “O brasileiro tem que se estudado”. Qualquer internauta já escutou ou ouviu essa frase nas redes sociais quando a excentricidade de nossos compatriotas torna-se um absurdo sem precedentes. Muitas vezes, o absurdo parece ser surreal, mas é tão verdade quanto a imagem que ilustra a abertura deste texto. O infográfico trata-se de dados sobre […]

7 de junho de 2020

Jornalismo científico pandêmico existe, mas a política não o deixa respirar

Até antes de a pandemia chegar ao  mundo inteiro, o jornalismo global somente se referia à saúde, quando o assunto era falta de leitos, de valorização profissionais e de equipamentos de mobilidade de pacientes. Ao desembarcar no Brasil,  o vírus  alterou a forma e o conceito sobre como os veículos de comunicação e  seus profissionais […]

31 de maio de 2020

A epidemia de “#infodemia” que causa evolução na pandemia

Um final de semana reativo marcou o último sábado e domingo em parte do mundo.Grupos sociais organizados reservaram os dois  dias para mostrarem a importância de sua presença no Mundo e o mais incrível que pareça em meio a pandemia do coronavírus que  já custou mais de 500 mil vidas no Planeta. Os antirracistas e […]

24 de maio de 2020

Cólera em Alagoas, no século 19, foi notícia no New York Times

                    A primeira notícia que se tem sobre epidemia em Alagoas é datada de 1855, talvez a pioneira disseminação de doença desde quando o estado foi emancipado em 1817. Tratou-se do cólera (o vírus)  ou a cólera (a doença) que entrou no território alagoano pelo município […]

17 de maio de 2020

Atos fascistas no Brasil, podem tornar os brasileiros vítimas do fascismo no exterior

                          Os atos que pregam ações antidemocráticas no Brasil podem trazer sérias consequências para os brasileiros que moram ou visitarão o exterior no período pós-pandemia. É necessário que tenhamos consciência de que o país se direciona para ser o próximo epicentro do coronavírus […]

10 de maio de 2020

Coincidências entre a Revolta da Vacina e a atual negação sanitária

Dias atrás, um grupo de pesquisadores  da área de saúde foi ameaçado  por investigar quais seriam os efeitos da cloroquina em um paciente infectado pelo coronavírus. A ação criminosa de grupos fascistas, aportados no atual governo, tinha como objetivo evitar que o discurso governamental de que o medicamento era eficaz no combate à doença fosse […]

3 de maio de 2020

Ignorância voluntária e a dominação de uma nova Era

Não basta afirmar que a ignorância tomou conta do poder no Brasil e que o país, hoje,  é controlado por uma pessoa com transtornos de personalidade. É preciso entender qual o motivo de muitos adeptos a este modelo perverso de gestão serem, propositadamente ignorantes, apesar de ter obtido conhecimentos suficientes  para apontar que o fato […]

26 de abril de 2020

Pandemia, jornalismo móvel e o grito de comunidades esquecidas

  Quarta-feira, 22 de abril de 2020 – Blumenau-Santa Catarina Aglomeração com idosos e crianças no meio das pessoas recepcionadas  sem álcool gel.Corredor polonês de aplausos que podem disseminar vírus. E, para completar, um músico tocando saxofone soltando salivas para tudo quanto é lado. Essa foi uma das cenas  mais esquisitas e, ao mesmo tempo […]