Gerônimo Vicente

15 de junho de 2019

O polêmico refrão que Martinho da Vila fez virar homenagem 40 anos depois

Não  digo que paguei pra ver, porque  fui beneficiado por uma cortesia para assistir ao show, mas Martinho da Vila na noite do sábado passado (8 de junho) proporcionou a quase  mil pessoas presentes ao Centro de Convenções de Maceió, além de um espetáculo  uma cena inimaginável  no período quando o sambista carioca lançou, há 40 anos, exatamente em 1979, a música Teka Rendeira que tem como título original “Só em Maceió” canção que abriu às portas para o reconhecimento nacional do artesanato alagoano e, consequentemente, o início do “boom” turístico  no “Paraíso das Águas”.

O refrão da música  diz o seguinte:

E depois vou vadiar com as meninas do Mossoró.

Só em Maceió, Só em Maceió.

É que se pode vadiar, com as meninas do Mossoró.

Com as meninas do Mossoró.

Com as meninas do Mossoró.

Com as meninas do Mossoró.

Com as meninas do Mossoró.

Mossoró era o apelido dado ao dono de um dos cabarés mais famosos da região Nordeste e que se instalou em Maceió, no bairro Canaã até o final da década de 1980.Antes funcionou no Jaraguá, sob o nome de Tabaris, mas foi expulso do bairro histórico por decreto do governo do Estado no final da década de 1960. Chamado de Boate Areia Branca era um local democrático por reunir, no mesmo espaço,  pobres e ricos, pessoas comuns, autoridades e até celebridades à procura de sexo e boêmia.O local chamado de “baixo meretrício”  na linguagem dos programas policiais daquela época tinha como maior marketing o aspecto folclórico de seu proprietário Benedito Alves dos Santos,(conheça mais no site História de Alagoas).

A música “Só em Maceió” estourou nas paradas de sucesso com Martinho da Vila em 1979 e  alguns atribuem a canção a uma peça publicitária da Prefeitura de Maceió   para impulsionar o turismo na cidade. O prefeito à época era Fernando Collor de Mello que chega a ser citado na letra, como uma das coisas que se pode encontrar na cidade, além do sururu, lagoa Mundaú e Manguaba, a cachaça Azuladinha e o rifle de papo-amarelo. O cantor vinha muito a Maceió por influência da  socialite carioca  Lilibeth Monteiro de Carvalho, então esposa do prefeito.

As rádios da cidade tocavam a música à exaustão e enchiam de orgulho os alagoanos por ouvir as belezas de seu  Estado citadas na voz de um cantor tão famoso.No  entanto, famílias tradicionais e de classe média consideravam inadequada a alusão feita às  “Meninas do Mossoró” no samba de Martinho da Vila. Jovens flagradas naquela época  cantando esse trecho do refrão da música sofriam reprimenda dos pais do tipo: “Está vadia menina?”. Eu era adolescente e testemunhei esse tipo de censura naquela ocasião.

E neste aspecto, percebi que, no show, o sambista promoveu uma mudança no comportamento social feminino depois de 40 anos,  ao cantar “Só em Maceió”. A  maior parte do público foi formada por pessoas entre 40 a 80 anos, com predomínio  para a faixa etária entre 50 a 80.Havia muitas mulheres, entre as quais, certamente, algumas que foram repreendidas por cantar o trecho polêmico. Desta vez, talvez  tenha passado despercebido pela maioria delas, mas  o que foi censura naquela época passou a ser, naquele momento, uma homenagem daquela geração feminina, hoje mães e avós, àquelas  mulheres marginalizadas e que, atualmente, também  matriarcas  de novas gerações.

Cante  Só em Maceió

25 de maio de 2019

Para 2019 se assemelhar a 1984 só falta a formação da aliança democrática

Desde que o golpe parlamentar, aplicado contra a presidente Dilma Rousseff, começou a se instalar sob a articulação do deputado Eduardo Cunha (PMDB), imaginei ser ali o início de um retrocesso político, econômico, social e histórico do país. No entanto, jamais imaginava que  a geração millenium (nascida entre o final da década de 1990 e […]

19 de maio de 2019

A história da mineração em Maceió e a busca por um culpado

Você leitor, quase quarentão, aposto que no início dos anos 2000,  a depender de seu grau de instrução, tentou escolher uma profissão que fosse vinculada às áreas de petróleo, gás natural, engenharia naval, soldagem, tubulação e saneamento.Foi época da descoberta dos campos de pré-sal em Santos e na bacia da Petrobras Sergipe-Alagoas. O país, diferentemente […]

12 de maio de 2019

Prátika: o jornal laboratório que antecipou o fenômeno causado por mineraçao

Reportagem de 1985 fez alerta sobre situação no Pinheiro. Esse título foi publicado no portal Tribuna hoje no dia 12 de janeiro deste ano e até hoje, é  um dos assuntos mais comentados em redes sociais, desde que começou a desconfiança popular de que a mineração havia causado erosões subterrâneas no bairro Pinheiro, parte alta […]

29 de setembro de 2018

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Talvez o torcedor de  CSA e CRB   custe a acreditar  no conteúdo deste texto, mas em meio à disputa jurídica, ocorrida nesta semana sobre participação das duas torcidas no clássico deste sábado (29), afirmo que já cumpri  esse desafio  que foi:  torcer uniformizado pelo CSA na torcida do CRB e torcer pelo CRB trajando camisa […]

27 de agosto de 2018

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O leitor deve ter prestado atenção às  reportagens sobre o dia-a-dia dos candidatos à presidência da República transmitidas  pelas emissoras de televisão, notadamente  pelo Jornal Nacional da Rede Globo, onde a exibição da campanha do candidato Lula, por determinação da própria emissora, está proibida de aparecer. Nas imagens, mostra-se, claramente,  o desinteresse da população pelo […]

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Desde quando a Copa do Mundo de Futebol passou a ser transmitida ao vivo para todo o Brasil, em 1970,   as atenções da imprensa e dos torcedores concentraram-se na formação da equipe e no comando técnico. Na Era do rádio,  poucos viam ou sabiam quem era o treinador da Canarinho, a não quem tinha […]

24 de junho de 2018

A história do fim do jornalismo impresso que ganha outro rumo

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