Ailton Villanova

9 de janeiro de 2021

Explicação muito simples

Em que pese ter um filho engenheiro civil (o doutor Ednaldo), uma filha médica (a doutora Renilda) e três netos de menor idade, todos residindo na capital, o produtor rural Setembrino Ferreira era um matuto tradicionalista. Sua vida, ele dedicou inteiramente à agricultura e aos familiares mais próximos, no caso, os acima citados. Seu xodó, entretanto, era o neto caçula Setembrininho, a quem presenteou, certa feita, com um casal de canários.

Setembrininho não manjava nada de passarinhos e ficou encafifado com o presente.

– Vô, qual será o macho e qual será a fêmea? – indagou o garoto, segurando a gaiola com os saltitantes emplumados.

O velho Setembrino riu com a indagação do garoto :

– É fácil saber, meu filho…

– É, mas como?

– Bom, é o seguinte: você pega a gaiola e leva lá pra beira do riacho. Depois, tira os passarinhos…

– A propósito, vô, que passarinhos são esses?

– São canários, meu filho. São bastante cantadores, você vai ver. Bem, prosseguindo… pra saber qual o macho, e qual a fêmea, você pega eles e bota naquela terra fofinha da beira do riacho. Depois, cavuca bem, até achar umas minhocas…

– E depois, o que eu faço com as minhocas?

– Você deixa elas rastejando no chão. O passarinho que comer o minhoco macho, você já sabe… é o passarinho macho. O passarinho que comer a minhoca mulher, naturalmente que é a passarinha fêmea, entendeu?

 

 

Confissão na marra!

 

A época em que o colega jornalista Valmir Calheiros era ginasiano e ocupava um cargo na direção da Casa do Estudante, mantida pela Uesa – isso nos anos 60 -, aqui em Maceió, começaram a desaparecer coisas dalí. Logo, ele e demais companheiros de diretoria suspeitaram de uma das faxineiras e o Valmir a encaminhou ao então delegado do 1º Distrito, Valdemar Tenório, de saudosa memória, sendo ela própria a portadora de um bilhete vazado nos seguintes termos:

“Amigo Valdemar,

“Está havendo uma série de furtos aqui na pensão. Desconfio da portadora. Sugiro ouví-la em confissão.

“Grato, o Valmir.”

Horas depois, infeliz da doméstica retornava à Casa do Estudante, toda desmantelada, com um cartão do delegado:

“Caro Valmir,

“A portadora é inocente, mas resolveu colaborar, depois de uma rápida sessão de “pau-de-arara”. Caso solucionado. Disponha sempre. Valdemar.”

 

 

Baixinha pechincheira

 

A pequenitota Tercilinha Cabral deu-se à satisfação de ir a um mecadinho perto de casa, no bairro do Poço. Chegou lá, toda emperequetada e cheia de educação:

– Bom dia, seu Ozimário.

– Bom dia, Tercilinha. O que é que você manda?

– Quero ovos. Qual o preço da dúzia?

– Doze reais. Mas se você levar esses quebrados eu lhe faço por 2 centavos cada um.

– Que maravilha, seu Ozimário! Nesse caso, o senhor me faça o favor de quebrar duas dúzias!

 

 

Economia demais!

 

Folheando uma papelada que acabara de retirar da pasta, o advogado e poeta Givan Lúcio invocou-se com um detalhe escrito, a próprio punho, no testemento de um cliente seu. E ligou para ele:

– Por bondade, senhor Odsmobílio, por que está escrito aqui em seu testamento que o senhor não quer morrer depois do meio-dia?

– Simples, doutor. É pra economizar almoço!

 

 

Presente de grego

 

Depois do casório, os nubentes se achavam a sós, no quarto de dormir, conferindo os presentes que haviam ganhado. Ai, o noivo  apontou para um deles e falou para amada:

– Está vendo esse faqueiro que o tio Cassimiro nos deu? Não é de prata coisa nenhuma!

E a noiva:

– Por que, amor? Você conhece a prata?

– Não, minha querida. Eu conheço bem é o tio Cassimiro!

 

 

Guia muito eficiente

 

Depois de um dia inteiro de caminhada, o caçador Maguinibaldo  e seu guia, o pernambucano Itamar Lucco chegaram finamente ao pico da montanha Matungo, nos confins da África. ´`A noite, em torno da fogueira, os dois conversavam:

– Sabe, Itamar, você é um grande guia e me inspira total confiança. Mas fico pensando numa coisa: se por acaso eu sofresse algum acidente, como você faria para me levar de volta para a

cidade, eu com os meus 110 quilos?

– Nenhum problema, doutor. No ano passado desci sozinho esta montanha levando nas costas um javalí de mais de 200 quilos.

– Duzentos quilos???!!! Sozinho???!!! Como você fez isso, rapaz?

– Uma dez viagens, doutor.

 

NOTA DO EDITORDesde após a internação do Ailton Villanova para tratamento da covid, dia 25 de dezembro, temos republicado colunas antigas, sempre na expectativa de seu restabelecimento e retorno ao batente. Infelizmente, isso não acontecerá. Ailton sucumbiu à enfermidade e nos deixou. 

Estamos órfãos de sua genialidade em criar estórias bem humoradas ou adaptações de causos verdadeiros do nosso cotidiano.

Assim, com o coração partido, encerramos nesta edição a publicação da coluna do Ailton Villanova, conscientes de que permanecerá em nossa memória e na história do jornalismo alagoano.

7 de janeiro de 2021

Como ela não usava…

Indivíduo simples e pacato, o professor Periosto Astragalo só foi feliz no seu casamento com dona Antúrcia até o quinto ano. Depois daí, o parangolé desandou. Prepotente, vaidosa e besta, ela exigia tudo do infeliz, que pra ser santo só faltava mesmo as asas. Nos últimos tempos, para conversar com a esposa, mesmo sobre os […]

6 de janeiro de 2021

Planos bastante diferentes

Faço questão de declarar que minha candidata à presídente do Brasil é a senadora Marina Silva, mas não posso deixar de reconhecer que o professor José Serra foi um dos maiores ministros que o país já deu. Ele escreveu o seu nome na história da administração pública nacional através da realização de obras importantes na […]

5 de janeiro de 2021

Não era crucifixo. Era o namorado!

Todos os tipos – possíveis e imagináveis -, de remédios indicados para a engorda de criatura humana, fabricados aqui e no exterior, o distinto cidadão Anilésio Quintino já experimentou. Todos. Mas continua mais fino do que uma folha de papel, apesar de gozar de boa saúde. Dada a sua magreza, Anilésio ganhou o apelido de […]

4 de janeiro de 2021

Manchete preconceituosa

Contam que num domingo festivo de bate-bola, dois garotos tinham acabado de sair do estádio do Morumbi, em São Paulo, quando um deles foi atacado por um feroz rottweiler. O colega do garoto, num excepcional lance de coragem, utilizou-se de um grosso pau de bandeira que havia sido largado na rua, e aplicou violenta porrada […]

31 de dezembro de 2020

A mancada do “doutor”

Dentre aqueles que atuaram na Rádio Progresso de Alagoas dos velhos e bons tempos, não há quem não tenha guardada na memória a bizarra figura do “Doutor”. Baixinho, andar trôpego, olhos sempre vermelhos, míope que nem uma toupeira. Queridíssimo do pessoal da emissora, Doutor era uma espécie de faz-tudo na Progresso, desde que o trabalho […]

30 de dezembro de 2020

Rigoberto, o sonhador

O pai era catador de sururu na lagoa de Bebedouro e a mãe exercia a atividade de lavadeira, no mesmo bairro. A vida do Rigoberto não poderia ser um mar de rosas, conforme sói acontecer como todo pobre que vem ao mundo embalado pela cantoria de sapo cururu. Quando Rigoberdo abriu os olhos para o […]

29 de dezembro de 2020

Apenas para tirar a dúvida

O distinto cidadão intitulado Rodinaldo Messias foi dono de um açougue no Tabuleiro do Martins, que funcionava de segunda a sábado, o dia todo. A freguesia era fidelíssima. De vez em quando, pintava gente nova na relação dos frequentadores do açougue, que vendia até picolé, fabricado por dona Epifânia, mulher do Rodinaldo. Numa certa ocasião, […]

28 de dezembro de 2020

Bom de batuque

Na época em que o capitão Virgulino Ferreira, o proverbial e indefectível Lampião andava pelejando pelas regiões agrestinas e sertanejas de Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Bahia, existia na banda de cá, um certo major Ariosto Febrônio, que era brabo virado no cão. Ariosto Febrônio era dono de um mundão de terras no Agreste e no […]

23 de dezembro de 2020

Um Conto de Natal

    O NASCIMENTO DO MENINO JESUS   Sol causticando. O esquelético jumento é puxado por um homem de caminhar vacilante, trôpego. O homem para, olha adiante. Só vê estrada acidentada e poeirenta. Vira-se e fala para a mulher que está montada no animal:   – Tá doendo muito, Maria?   Ela gemeu e apertou […]