Ailton Villanova

4 de junho de 2020

E lugar de defunto, onde é??

O amigo Dirceu Norberto é um sujeito muito pacato. Herança de família. Seus pais, tios e todos os irmãos são pessoas gentis, educadas.

Entretanto, como não há bom sem defeito, Dirceu não poderia ser a exceção da regra. “Ele também tem o seu defeitozinho” manifesta a sua distinta e caríssima consorte, dona Zélia Norberto. Realmente. O cara vira fera quando alguém lhe falta com o devido respeito ou lhe dirige uma grosseria.

Com muito esforço, Dirceu construiu uma casa bacana num recanto tranquilo do bairro do Farol. Todavia, a paz, algo celestial no ambiente, foi quebrada dia desses, não fazia nem um mês que o amigão se estabelecera no novo endereço.  É que um sujeitinho muito do safado, cuja identidade não foi levantada, parou o carro à porta do gentilíssimo Dirceu e enfio o dedo na buzina – prrrrraaaaammm… prrrraaaaaammmmm… – isso por volta das 10 horas da noite. O barulho foi tremendo.

O estardalhaço promovido pelo indivíduo era, justo, para chamar a atenção da namorada, que reside num prédio de apartamentos localizado em frente a casa do Dirceu.

E tome buzina – prrrrraaaaammmmmmm…

O amigo Dirceu, cuja esposa estava acamada em razão de uma forte enxaqueca que a persegue desde criança, foi lá falar com o cara. Educadamente, disse pra ele:

– Boa noite, senhor… Eu ficaria muito agradecido se sua pessoa desse uma paradinha nesse buzinaço.

Irreverente e ousadamente o cara respondeu:

– E por que devo parar? Qual é o problema?

– O problema é que minha esposa está adoentada…

O canalhinha nem deixou o Dirceu terminar de falar. Sacou essa na maior grosseria:

– Lugar de doente é no hospital, meu!

Dirceu indignou-se. Fechou os olhos, contou até três e, quando acabou, chamou o vigia da rua, que se encontrava um pouco afastado:

– Me empreste o seu revólver, seu Orlando!

Doido pra ver um desmantelo, o vigilante passou-lhe a arma já engatilhada. Dirceu encostou-a no ouvido do buzinador e completou:

– Lugar de doente é no hospital, não é? Agora me responda, seu cabra safado: e lugar de defunto, onde é?

O camarada apavorou-se. Abriu a porta do carro e saiu disparado, rua afora. O barulho dos pés batendo na bunda era escutado a quilômetros de distância.

 

Questão de escolha

O garçom Geremoabo Bezerra, também conhecido como “Geremum” é outro “caboco” finíssimo. Pra ele, todo freguês tem razão, seja ele quem for.

Faz poucos dias que um grupo de turistas resolveu pegar um rango esperto no bar e restaurante onde ele trabalha e que fica na orla marítima. Todos foram atendidos gentilmente por Geremum, mas um deles achou de reclamar em voz alta, para a clientela toda escutar:

– Garçom, não estou gostando nada dessas moscas no meu prato!

Educadamente, Geremum respondeu ao sujeito:

– Perfeitamente, cavalheiro. Vou abrir as janelas e deixar entrar outras moscas para que o senhor possa escolher, à vontade, as que mais lhe agradar!

 

Hemorroida contaminadora

Final de tarde, maior agito na Assembleia Legislativa Estadual. O gabinete do então deputado Délio Almeida estava entupido de gente, dada a grande popularidade do parlamentar. E chegando mais amigos e correligionários. O único assento vago no ambiente era, justo, o do deputado, que se ausentara do ambiente “por alguns instantes”.

Nisso, baixou lá um penetra todo cheio de liberdades e achou de sentar na cadeira do Délio. Ah, pra quê! O berro que escutou o deixou meio zonzo. É que um dos assessores do parlamentar ao reparar no intruso ocupando a cadeira do chefe abriu o bocão:

– Levanta já daí, condenado! Você tá querendo botar hemorroida na cadeira do deputado?!

 

A mancada do deputado

Famoso pelos escândalos que tem provocado, determinado deputado atendia um monte de gente, espichado numa rede armada no alpendre de sua fazenda.

A fila de populares era grande. Serpenteava pela propriedade e o parlamentar todo cheio de importância, distribuía migalhas aos coitados.

Em dado momento, chegou um rapaz bem apessoado, abraçando um monte de papeis e se plantou diante do bacanão:

– Excelência…

E ele, baforando um charuto, só para se exibir:

– Quíe qui hai, rapaz?! Você furou na fila, não foi? Volte já pro seu lugar. Quando chegar a sua vez, eu lhe atendo!

– Mas deputado… – o rapaz tentou explicar-se.

– Já falei, não falei? Você é mouco? Volte pro fim da fila, porra!

O rapaz voltou para o final da fila e ficou lá, só na dele.

O dia estava acabando quando, finalmente, conseguiu chegar junto do figurão:

– Pronto! Agora chegou a sua vez, seu “avexadinho”. E fale rápido o que você quer. Você não tem pinta de necessitado…

– Realmente, deputado. No caso, o necessitado aqui é o senhor. Eu sou oficial de justiça…

O político deu um pinote da espreguiçadeira:

– Virgem Minha Nossa Senhora! Oficial de Justiça, é? Mas por que o senhor não disse logo quem era, doutor?

– E o senhor me deixou falar, deputado?

– Mas o que deseja de minha pessoa tão nobre e distinta autoridade?

Muito tranquilamente, o engenheiro passou-lhe uns papeis e disse:

– Está aqui a ordem de despejo, expedida pelo excelentíssimo senhor juiz de direito. A contar de hoje, tem cinco dias para desocupar esta propriedade, sob pena…

– Pelamordedeus, doutor…! Cadê o juiz, onde ele tá? Chame ele aqui pra gente conversar…

– Não tem conversa, deputado. O senhor teve todas as chances e não deu a menor importância…

– Mas não faça isso…

O tal deputado tentou os cinco dias do prazo tentando falar com o juiz e não conseguiu. Perdeu o patrimônio e a arrogância. A vergonha já havia extraviado há muito tempo.

 

Com Diego Villanova

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