Ailton Villanova

13 de dezembro de 2018

E O VELHO JURA SE PERDEU!

Quando moço, ele era o cão chupando manga. Pagodeiro, boêmio e mulherengo, Juramildes Barbosa Xavier, o Jura, não parava quieto. Noites e madrugadas eram curtas para ele. Funcionário das docas de Jaraguá, emendava o expediente de conferente com a atividade de farrista. Na zona do meretrício do bairro portuário ele reinava.

Juramildes Barbosa era imbatível no barato birital. Quanto mais bebia, mais fogoso ficava e era essa peculiaridade que o time feminino mais apreciava nele. Os anos se passaram e Jura não teve como evitar a velhice, por mais exercícios praticasse e remédios tomasse. Mas com ele permaneceu a tara pelas mulheres, preferencialmente as mais jovens. Bem mais jovens.

Jura gozou bastante a vida e foi somente aos 97 anos, quando não prestava mais pra nada, que resolveu se casar. E levou ao altar uma morena curvilínea, que atendia pelo nome de Raquel. Mulherão de metro e oitenta de tamanho.

Certo dia de um mês de fevereiro, por insistência de Raquel, o velho foi, com a própria, à uma prévia carnavalesca na Avenida da Paz. No meio da multidão, perdeu-se da apetitosa amada. Desesperado, olhava para todos os lados à procura da Raquel. Nisso, aproximou-se dele um PM bastante atencioso:

– Posso ajuda-lo, vovô? O senhor parece que não está nada bem!

– É que estou preocupado com a minha esposa. – respondeu ele.

– É? Por acaso a sua senhora está doente?

– Tá doente não, meu filho. Ela tá muito bem de saúde. Tem 20 anos, é linda, muito gostosa e me adora! Faz tudo o que eu quero…

– Nesse caso, qual é o problema?

E o macróbio:

– É que esqueci onde moro!

 

Ele era analfabeto mesmo!

Encaminhado pelo colega Jairo Queiroz, o sujeito procurou o nosso editor-geral Ricardo Castro, e pediu pra ele um emprego de entregador de jornais. Aí, o Ricardo o encaminhou ao então diretor administrativo e financeiro José Paulo Gabriel, que imediatamente começou a sabatiná-lo:

– Sabe ler e escrever?

E o cara, todo atrapalhado:

– Bom, doutor… pra falar a verdade pro senhor, só sei escrever.

– Ah, essa não! Saber escrever e não saber ler? Incrível!

– Pois é.

– Tem certeza do que está dizendo?

– Claro! Sei escrever, mas não sei ler…

Gabriel resolveu pôr o indivíduo à prova. Pegou papel e caneta, deu pra ele e pediu:

– Escreva aí o seu nome!

O candidato pegou a caneta, abriu um olhão, fechou o outro, puxou a língua pro canto da boca, fez pontaria no papel e rabiscou lá uns garranchos. Quando acabou, devolveu o material pro Gabriel, que não conseguiu se segurar:

– Que diabo é isso, meu? Não estou entendendo nada do que você escreveu!

E o cara:

– Eu também não, doutor!

 

Um tirinho só!

Presa em flagrante no meretrício do Jaraguá, a mundana chamada Terta foi levada à presença do delegado Carlomano Miranda, da finada 2ª. Delegacia Auxiliar de Polícia da Capital, que funcionava na Praça Dois Leões, no mesmo bairro.

– Me conte a sua história, minha filha! – pediu Carlomano, excepcionalmente  gentil e calmo, naquela ocasião.

E ela, se ajeitando toda, na cadeira destinada ao interlocutor:

– Pois é, doutor…  Aconteceu que aquele grandalhão, que sempre  gostou de bater em mulher, pegou aquela mãozona pesada e sapecou na minha cara! Aí, doutor Carló, já viu, né?

– “Já viu” o quê?

– Dei um tirinho com meu revolverzinho nele. Aí, ele morreu!

 

E haja bebê!

Havia um tempão que eles não se encontravam, desde que Zé Tobias arribou de Ibategura com destino à capital.

Zé Tobias topou com o amigo de infância Inocêncio Porciúncula em plena fila do finado INPS. Depois do abraço, danaram-se a prosear:

– Ô Nucênço, cuma vai aquela sua irmã gordinha?

– A Tervina? Ah, num te conto, Zé Tubia…

– Ôxi! Pois conte, home!

– Tá certo. A Tervina morreu de tanto bebê!

– Valei-me meu Padim Ciço! A Tervina? Tô aqui qui num acredito! Taí, eu num sabia qui ela era cólatra!

– Cólatra? Qui danado é isso?

– Cólatra é a pessoa qui bebe dimais!

– Não, rapais! A Tervina num era nada disso aí! Ela morreu foi de tê bebê dimais! Teve oito bebê de uma vêis só. Aí, num aguentô e morreu!

 

O solzão que deu confusão!

Hotel litorâneo de fama internacional hospedou uma manequim muito famosa, dessas de arrepiar cabelo de estátua. Necessitando realçar ainda mais o seu bronze, ela subiu ao terraço, onde encontrou um lugar para se ajeitar, longe dos olhares curiosos. Como não havia ninguém por perto, a divina arrancou tudo o que tinha no corpo e ficou peladona. Depois de reparar para todos os lados, deitou-se de bruços para tirar a marca do biquine no traseiro. Não demorou muito, apareceu o gerente Fernando Burity, com ar de doido:

– Pelo amos de Deus, moça! Você não pode tomar banho de sol desse jeito… despida! Poderia pelo menos colocar uma toalha, ou um fio dental?

– Que diferença faz? – retrucou a gostosura. – Até agora só o senhor veio me espiar aqui!

E o gerente:

– Você já reparou que está deitada justamente sobre o vidro por onde entra luz para o restaurante? Tá a maior confusão lá embaixo!

 

Com Diego Villanova

12 de dezembro de 2018

O INSUBSTITUÍVE MARAJÓ

Quando resolverem escrever a história dos grandes homens do jornalismo alagoano, José Aldo Ivo certamente figurará entre os primeiros. Defensor incansável de causas sociais que a memória tem reservado à ilustres homens desta terra, Aldo Ivo foi o principal responsável pela implantação do curso superior de jornalismo em Alagoas. Reconheça-se e registre-se que, com ele, […]

8 de dezembro de 2018

Apenas para tirar a dúvida

O distinto cidadão intitulado Rodinaldo Messias foi dono de um açougue no Tabuleiro do Martins, que funcionava de segunda a sábado, o dia todo. A freguesia era fidelíssima. De vez em quando, pintava gente nova na relação dos frequentadores do açougue, que vendia até picolé, fabricado por dona Epifânia, mulher do Rodinaldo. Numa certa ocasião, […]

7 de dezembro de 2018

Enfim, mataram a cobra

A casa estava mergulhada no mais profundo dos silêncios. Nem um zumbido de mosquito se escutava. De repente, surgiram gemidos e chiados, detalhes que colocaram em alerta o garoto Cacá, que dormia no andar de cima, no quarto pegado ao dos pais Carlão e Margô. – Hmmmmm… Ui, ui… Oooohhh… Aaahhh…  – eram os gemidos. […]

6 de dezembro de 2018

O vendedor frustrado

Garotão ainda, residindo na histórica Atalaia e “foca” de jornalismo com atuação na Gazeta de Alagoas, Valmir Calheiros de Siqueira determinado dia tentou conciliar o emprego de vendedor-propagandista de certo produto doméstico com a atividade de repórter. A ideia foi acolhida pela sua cachola a partir da uma sujestão apresentada por um “quase” parente, que […]

4 de dezembro de 2018

O velho (e saliente) Dedé

Todas as vezes que o velho Delúrbio Fragoso, 89 anos, popularmente conhecido – no Bom Parto e adjacências, como “Seu Dedé” – alardeava que ainda “dava no couro”, a turma caía na gaitada, zonava mesmo com ele. Certo dia, Seu Dedé contava suas proezas numa esquina do bairro (ah, tempos aqueles!), onde residiu a vida […]

1 de dezembro de 2018

Finalmente… mamãe!

Ela era uma balzaquiana ainda firme, realçada por curvas tentadoras e pernas sensacionais. Margarida Estefânia era por todos exaltada como mulher exemplar, honesta, decente, aproximando-se dos 50 janeiros em absoluto isolamento. Residia num casarão antigo, entretanto bastante conservado. Do seu passado nada se sabia. E era preciso? Uma criatura daquelas, tão bela, tão respeitável, tão […]

30 de novembro de 2018

Só tinha que broxar!

Quem vê a morena Matilde Maria desfilando sua pessoa por aí, não imagina os sacrifícios que ela fez para chegar onde chegou. Dona de um corpo espetacularmente sinuoso, possui o rosto perfeito, o que dá a impressão de ele ter sido lapidado a cinzel. Apesar de todos esses atributos, a garota é problemática, complicada e […]

29 de novembro de 2018

E o defunto e ganhou a corrida!

Nascido na Bahia, o engenheiro civil Arísio Monteiro Borges fincou raízes definitivas em Alagoas. Bom caráter, estava sempre bem humorado. Formou-se no Recife, onde também deixou grandes amigos. Enquanto cursava engenharia, vários alagoanos que frequentavam outras faculdades recifenses, se hospedavam com ele na mesma república, entre esses o anadiense Francisco Arlindo, de quem Arísio se […]

28 de novembro de 2018

A MELHOR DAS SOLUÇÕES

Todas as sextas-feiras meia dúzia de amigos – entre os tais a dupla Raulibaldo e Jeofrânio -, se reunia num determinado canto da cidade para um joguinho de cartas. Essa patota gastava uma nota preta no baralho. A jogatina iniciava às sete da noite, emendava com o sábado e terminava ao raiar do sol do […]