Ailton Villanova

20 de julho de 2018

Arma finalmente reconhecida!

No boteco intitulado Bar do Bode, inserido nas lonjuras do pedaço mais encardido do Tabuleiro do Martins, raro era o dia que não se registrava um conflito. A pinguçada do pedaço se reunia no local para biritar e bagunçar, não necessariamente nessa ordem. Quando o camburão da PM baixava no pedaço era nego (e branco também) espirrando por tudo quanto era buraco, que nem rato. Um dia, o entrevero descambou para a base do tiro: no meio de uma acalorada discussão, um tal de Lula Pezão tirou da cintura um “cospe fogo” e começou a distribuir tiros adoidado. Entre os presentes, se achava o baixinho Adunaldo Coelho, vulgo “Náu Dentinho”. Quando as balas começaram a voar de um lado a outro, ele se escondeu debaixo de uma mesa e ficou ali quietinho, esperando o “cessar fogo”, fato que somente aconteceu com a chegada da Rádio Patrulha.

Dia seguinte, todos estavam diante do delegado Mário Pedro dos Santos, titular do 4° Distrito de Polícia da Capital (naquela época não existiam nem o 5° e nem o 8° DPs), que chamou o baixinho Adunaldo ao cartório e lhe mostrou um revólver.

– Reconhece esta arma? – inquiriu Mário Pedro.

– Não senhor, doutor. Eu nunca vi essa arma na minha vida!

– Mas você estava presente no momento do tiroteio, não estava?

– Tava sim, senhor. Mas, naquilo que eu vi o atirador se coçar, advinhei que ia haver bala e aí me escondí.

– Escondeu-se aonde?

– Debaixo de uma mesa.

O delegado concluiu a primeira parte das oitivas e na semana seguinte, em razão da colheita de novas provas, mandou chamar de volta o Náu Dentinho. Mais uma vez, fez a mesma pergunta:

– Reconhece esta arma?

– Reconheço sim, senhor.

O delegado ficou na dúvida com a resposta do baixinho. De modo que pegou os autos do inquérito e começou a folheá-lo. Ao reparar direitinho no escritado, ele retirou os olhos da leitura dos autos e encarou o amarelinho:

– Acho que você está querendo brincar com a policia, seu cabra!

– Eeeeuuu, doutor?

– Você mesmo. No depoimento anterior, você disse que não reconhecia arma… Agora, está confessando que a reconhece. Qual é a sua, rapaz?

E o baixinho:

– Mas doutor, o senhor não me apresentou esse revólver na segunda-feira passada? Tá lembrado não?

 

 

Bom motivo pra divórcio

 

Certo dia, o jornalista e advogado Jalon Cabral foi abordado na rua por um conhecido, desde os tempos em que atuou no rádio:

– Doutor, um minutinho do seu precioso tempo… pode ser?

E o Jalon, como sempre bem educado:

– Fique à vontade. Tudo bem com você?

– Vou direto ao assunto, doutor… Fraqueza de cabeça pode servir de motivo para se anular um casamento?

– Bom, depende do grau da doença. Por exemplo: sua esposa estava doida quando se casou com você?

 

 

Respeito superior

 

Num dia de semana santa, dois velhos amigos chupavam picolé e trocavam idéias, bem acomodados num dos bancos da praça Marques da Silva, logradouro principal do centro comercial de Arapiraca. De repente, surgiu na rua um carro de som, convocando fiéis para uma cerimônia religiosa na Igreja Matriz. Nesse momento, um dos amigos aproveitou para perguntar ao outro:

– Ô cumpade Genoíno, me arresponda uma coisa, se vosmicê pudé…

– Possa fazê a pregunta, cumpade Jacinto! Tô de uvido aberto!

– Me diga, cumpade, Bispo é mais importante do que páde?

– Ora se é, cumpade!

– Entonce, de hoje em diante, em sinar de arrespeito, sô chamá vosmicê de cumbispo!

 

 

A maior prova da certeza

 

O delegado Amarílio Amaral Guedes, hoje gozando de justa e merecida aposentadoria, tomava o depoimento de um certo Inácio num caso de cartas anônimas, que haviam sido mandadas para algumas madames do bairro do Tabuleiro do Martins.

– Reconhece esta caligrafia? – indagou, exibindo uma das apócrifas missivas, a uns quatro metros de distância do interrogado.

– Arricunhêço não, doutor. – respondeu o cara, sem pestanejar.

– Pode jurar?

– Juro por tudo quanto é mais sagrado neste mundo, dotô.

O delegado, então chegou mais pra perto do cara, quase esfregando o papel na sua venta:

– Como é que daquela distância o senhor pôde afirmar que não reconhecia a caligrafia? Não dava pra ver direito!

– É qui eu num seio nem lê e nem iscrevê!

 

 

O emissário de Deus

 

Nos idos de 1910, viveu no interior de Alagoas, um sacerdote que tinha a fama de valente. Era o padre Argemiro Fonsêca, que não largava um “pau-de-fogo”. Até missa ele celebrava armado, com o revólver debaixo da batina.

Um dia, o sargento PM Coriolano Pereira , delegado de polícia da cidade onde ele era pároco, resolveu matar sua curiosidade, no respeitante ao comportamento belicoso do sacerdote:

– Seu vigário, se o senhor me permite…?

– Pois não.

– Se é como o senhor diz, que nós só morremos quando Deus chamar, por que o senhor anda armado?

E ele, bem tranquilo:

– É que de repente, meu filho, posso topar pela frente com um safado que Deus está chamando com urgência para céu… Aí, eu despacho!

 

Com Diego Villanova

19 de julho de 2018

Apostador pra lá de esperto  

O ilustre Astolfo Pergalênio sempre bateu no peito e se gabou de ser o maior apostador do Nordeste, quiçá do Brasil. – Não verdade, eu me considero o “rei” desse barato. Roberto Carlos não é o rei da Jovem Guarda? Não dizem que o negão Pelé é o rei do Futebol? E então, por que […]

18 de julho de 2018

Explicação muito simples

Em que pese ter um filho engenheiro civil (o doutor Ednaldo), uma filha médica (a doutora Renilda) e três netos de menor idade, todos residindo na capital, o produtor rural Setembrino Ferreira era um matuto tradicionalista. Sua vida, ele dedicou inteiramente à agricultura e aos familiares mais próximos, no caso, os acima citados. Seu xodó, […]

17 de julho de 2018

O ÚLTIMO DESEJO

Tido e havido como um homem extremamente caridoso e humilde, bem dizer quase santo, dom Preláudio Brandão, bispo antigão, encontrava-se no leito episcopal mais pra lá do que pra cá, isto é, morre não morre, vítima de pertinaz moléstia que a medicina ainda não conseguira debelar. – Aí é caso praticamente perdido, meus senhores – […]

14 de julho de 2018

Dois dedos, apenas…

Gente fina, o necropsista José Maria da Silva, hoje gozando de justa aposentadoria, sempre foi muito querido pelo pessoal do jornalismo policial. No que sempre lhe competiu, jamais deixou um repórter sem a devida informação,  não importando a que jornal ou emissora de rádio ou TV, pertencesse. Um verdadeiro democrata. É verdade que, às vezes, […]

13 de julho de 2018

COMO ELA NÃO USAVA…

Indivíduo simples e pacato, o professor Periosto Astragalo só foi feliz no seu casamento com dona Antúrcia até o quinto ano. Depois daí, o parangolé desandou. Prepotente, vaidosa e besta, ela exigia tudo do infeliz, que pra ser santo só faltava mesmo as asas. Nos últimos tempos, para conversar com a esposa, mesmo sobre os […]

12 de julho de 2018

Recordista mundial

Aos 86 anos, seu Abimael Laurentino Bocaiúva ainda mantém os vestígios de sua boniteza do passado; dos tempos da saudosa Festa da Mocidade que ocorria todos os anos, em Maceió, entre o final da década de 40 até meados dos anos 50. Nesse evento desfilavam em meio a folguedos e atrações musicais, inclusive requisitadas de […]

11 de julho de 2018

NÃO ERA CRUCIFIXO. ERA O NAMORADO!

Todos os tipos – possíveis e imagináveis -, de remédios indicados para a engorda de criatura humana, fabricados aqui e no exterior, o distinto cidadão Anilésio Quintino já experimentou. Todos. Mas continua mais fino do que uma folha de papel, apesar de gozar de boa saúde. Dada a sua magreza, Anilésio ganhou o apelido de […]

10 de julho de 2018

PLANOS BASTANTE DIFERENTES

Não posso deixar de reconhecer que o professor José Serra, apesar de sua antipatia, foi um dos maiores ministros que o país já deu. Ele escreveu o seu nome na história da administração pública nacional através da realização de obras importantes na área da Saúde.   Serra não foi ministro de dar ordens atrás de […]

7 de julho de 2018

Manchete preconceituosa

Contam que num domingo festivo de bate-bola, dois garotos tinham acabado de sair do estádio do Morumbi, em São Paulo, quando um deles foi atacado por um feroz rottweiler. O colega do garoto, num excepcional lance de coragem, utilizou-se de um grosso pau de bandeira que havia sido largado na rua, e aplicou violenta porrada […]