Ailton Villanova

15 de fevereiro de 2019

A cueca do Super…

O amigão Moaclides Bezerra, ou simplesmente Môa, é um grande apreciador daquele líquido que pinto não bebe. Por conta disso, passou um final de semana inteirinho biritando adoidado pelas quebradas da cidade. Saíra de casa na sexta-feira, cerca do meio-dia, e só entendeu de voltar na segunda-feira seguinte, de manhãzinha, no maior pileque.

Dona Isaltina, a esposa, estava fazendo o café para o desjejum, quando o Môa embocou porta a dentro, mal se equilibrando em cima das canelas. Ela o olhou de cima abaixo e disparou, em tom crítico:

– Chegando a esta hora, não é super-homem? Se acanha não, super-homem?

Môa passou cambaleando pela mulher, abriu a geladeira, tirou um litro d’água, que bebeu todinho, voltou sobre os próprios passos, entrou no quarto e se jogou na cama. Daí a pouco, dona Isaltina estava no seu pé de ouvido:

– Ei, super-homem, você vai dormir sem comer nada? Ou já comeu na rua, super-homem?

Môa permaneceu calado e dona Isaltina insistindo:

– Vai dormir com roupa e tudo, super-homem?

Aí a paciência do Môa chegou ao limite e ele explodiu:

– Porra, mulher! Que história é essa de ficar o tempo todo me chamando de super-homem?

E dona Isaltina, com cara de gaiata:

– Porque ele é o único babaca que conheço que usa a cueca por cima da calça. Ainda por cima, vermelha, rs… rs… rs!

 

Rapé perigoso  

Seu Abrôncio Algaroba era um sertanejo de muitos quilômetros rodados, que negociava com raízes de paus e ervas para remédio, na feira livre de Arapiraca. Também era do seu repertório o rapé mais famoso do Agreste.

Certa feita, encontrava-se seu Abrôncio na santa paz, expondo à venda os seus produtos quando surgiu diante de sua pessoa um matuto com um chapelão pai d’égua enfiado na cabeça:

– Vosmicê tem rapé aí, meu véio?

– Tenho. E do mais milhó! – respondeu o feirante.

Atendido, o matuto deu uma fungada no pó de fumo e, na mesma hora, soltou um espirro acompanhado de um pum estrondoso. Meio sem jeito, disse pro feirante:

– Que mal lhe obsélve, e cum a devida descurpa, esse rapé tá meio fraco! Será qui vosmicê tem aí um mais fortezinho?

E seu Abrôncio coçando a barba:

– Hôme, mais forte inté qui tenho, num sabe? Mas do jeito qui o seu fiofó tá forgado, o amigo fique certo de qui cum esse ôtro rapé, adispois da premêra fungada a merda véia vai avuá pra todo lado!

 

Apanhou de graça

O capoteiro Climério Raposo também conhecido  como Merinho da Lona, voltou pra casa de madrugada, mais bêbado do que gambá, e deu de cara com a mulher, dona Filárdia, espichada no sofá, assistindo televisão. Primeira coisa que ela disse quando viu o marido entrar, foi a seguinte:

– Ôxi! O que foi que houve com o seu olho, que está estufado desse jeito? Andou brigando, ou foi atropelado?

E Merinho da Lona, amparando o olho rôxo:

– Tremendo dum azar, mulher! Eu estava parado na porta do bar quando dois caras começaram a discutir. De repente, um deles sapecou um soco na cara do outro. Aí, esse outro se abaixou e a porrada pegou justamente aqui no olho. O soco foi tão violento que caí estatelado no chão!

– Quer dizer que você levou esse soco de graça…!

– Ô mulher infeliz… é claro que foi de graça! E você queria que eu ainda pagasse depois de ter apanhado?

 

O importante é beber!

Sábado, boquinha da noite, o bebão entrou na Farmácia Ana Paula, localizada na rua Jangadeiros Alagoanos, bairro praiano da Pajuçara, em Maceió e se dirigiu ao proprietário Paulo Nascimento:

– Ô do bigode, me veja aí uma “carteira” de Roliúde!

E o Paulo:

– Não vendemos cigarros!

– Tudo bem! Me veja, então, uma caixa de fósforos.

–  Também não tem!

– Vôte! Nesse caso me dê uma cervejinha gelada, no capricho!

– Piorou!

– E refrigerante?

– Nécas!

O bêbado arretou-se:

– Mas que bar fuleiro é esse que não tem nada pra atender à freguesia?

Paulo então esclareceu:

– Isto aqui não e nenhum bar, meu amigo. É uma farmácia!

E o bêbado:

– Ah, é? E purrr que você não disse logo, bigodão? Me veja, então, uma garrafa de Vinho Reconstituinte…

 

Santo ou tatu?

O baixinho Zezito Paixão, o “Meia Grama”, tinha acabado de comprar  uma estatueta do Padre Cícero na feira de artesanato da Pajuçara e passava com ela embaixo do braço, pela pracinha dos “Sete Coqueiros” (que na verdade são treze), quando escutou o chamado:

– Ei, psiu! Ei, amigão!

– Eu?

– Sim, você! Faz favor…

Meia Grama aproximou-se do estranho e perguntou:

– O que é que você quer?

E o estranho, mal se sustentando em  pé, devido o seu estado de embriaguez:

– Mê dá um tiquinho dessa Coca litro aí, ó… Tô com uma sede lascada!

Meia Grama reagiu, indignado:

– Você tá maluco, cara? Onde é que você está vendo Coca litro por aqui?

– Olha ela aí, debaixo do seu sovaco!

– Mais respeito, viu? Isto aqui é uma imagem do meu Padrinho Ciço!

– Seu padrinho? Ôxi!

– Ô ignorante, ele é um santo homem que nasceu no Ceará, mais precisamente no Juazeiro, foi criado no Juazeiro, foi padre no Juazeiro, morreu no Juazeiro, foi enterrado no Juazeiro e três meses depois apareceu um monte de fiéis, no Crato, também no estado do Ceará!

E o bebaço, de olho arregalado:

– Virge Minha Nossa Senhora! Esse seu padrinho é um santo ou é um tatu?

 

Com Diego Villanova

14 de fevereiro de 2019

Mais uma chance! Mais uma…

Na passagem do penúltimo para o ano passado, o governo português resolveu acabar de uma vez por todas com essa história de que os lusitanos são burros. Promoveu uma grande solenidade no estádio do Benfica. Convidou governantes do mundo inteiro, incluindo o proverbial e indefectível Inácio Lula, que adora essas badalações. Autoridades civis, religiosas e […]

13 de fevereiro de 2019

 Uma lagosta muito fina!

Todo dia aquele distinto cavalheiro entrava no bar do Otacílio, o indefectível Ota, puxando o seu cachorrinho pela corrente presa a uma coleira muito vistosa, que adornava o pescoço do animal. Sentavam-se a uma mesa e o garçom já habituado com a dupla, servia um uísque para cada um – o do cachorrinho num pires. […]

12 de fevereiro de 2019

Mas, quem é o velho?!

José Timóteo Carposo aposentou-se merecidamente, depois de ter atuado, anos a fio, como agente de viagens… de todos os tipos e espécie – em terra, mar e ar. Competentíssimo no seu mister, católico fervoroso e solidarista, nunca se negou oferecer ajuda à ninguém. Certa manhã de verão, encontrava-se confortavelmente acomodado na sua poltrona de executivo, […]

9 de fevereiro de 2019

O pai era mesmo outro!

Em que pese adepta da igreja Católica, dona Eufranásia sempre foi chegada a um terreirinho de macumba, desde que passou a “se entender de gente”. Nos últimos tempos, incrementou ainda mais os seus comparecimentos ao congá do babalorixá Aluribaldo dos Santos, o notório Pai Lula, por achar que, neste mundo, o referido é o mais  […]

8 de fevereiro de 2019

Precisou morrer para sentir o drama!

     Grosso que nem sal de churrasco, o Euclides Pretérito era um brutamontes de quase dois metros de altura. Calçava o número 52. Tamanqueiro, trabalhava dia e noite para uma firma estabelecida o bairro da Levada. Pretérito, popularmente conhecido como “Carôço”, não só cortava madeira para a fabricação de tamancos, como também fabricava saltos de […]

7 de fevereiro de 2019

Um começo desastrado

Em meados da década de 40 aportou em Maceió, num navio do Lloyd Brasileiro, o lusitano Alcebíades Pereira. Com a grana que trouxe na mala comprou um imóvel e estabeleceu-se comercialmente como fabricante de pães. Prestativo, bom papo, logo arrumou uma boa freguesia e progrediu ligeirinho. Bem de vida, dinheiro folgado no bolso, Alcebíades mandou […]

6 de fevereiro de 2019

PARECIA UMA CLARINETA!

Manhã calorenta de lascar, suor escorrendo pela testa, o delegado de polícia Benígno Portela fazia a acareação entre um acusado de estupro e a testemunha ocular do fato delituoso. Assistindo a ofendida, encontrava-se o advogado João Carlos Uchôa, que não conseguia esconder a sua indignação. Concluído o ritual de qualificação da testemunha, o delegado Portela […]

31 de janeiro de 2019

A “obra-prima do Petrúcio C. Melo

Escrever, para o finado Petrúcio Carvalho Melo (ele nunca gostou do sobrenome “Carvalho”) sempre foi tarefa difícil, quase impossível, nos tempos em que ele andava por aqui, tentando ser repórter. Mas, persistente, não desanimava. Tanto teimou que virou “cronista social”, pagando espaços no rádio e em certo semanário da Capital, com o dinheiro que arrecadava […]

30 de janeiro de 2019

Surdo, graças a Deus!

Dona Obdúlia Fonsêca foi uma madame cuja língua jamais parou quieta na boca. Segundo seu sobrinho José Diomedes ela escolheu a profissão errada. Ao invés de bibliotecária, deveria ser narradora de futebol. Verdadeira, metranca no palavrear. Antes de bater as botas, seu marido Josué sofreu muito, com o matraquear da mulher no pé do ouvido, […]