Ailton Villanova

27 de março de 2020

Pipi espalhado

O paranaense Eustáchio Cleto desde garoto possuiu o espírito aventureiro. Seu sobrinho, o galego Álvaro, teve muito a quem puxar. Até bem pouco tempo vivia batendo pernas por esse mundo afora. Conta que, certa feita, o velho tio inventou de passear na África do Sul. Branco, de olhos azuis, Eustáchio Cleto foi bem recebido na terra do “apartheid”. Nessa época a discriminação racial estava no auge. Mandela ainda não havia pintado de volta à sua terra, depois de haver amargado mais de 30 anos na prisão.

Bom, voltando ao velho Cleto. Depois de ter tomado banho quente, se barbeado  e se perfumado todo, Eustáchio deixou o quarto do hotel para ir ao teatro, conforme sugestão da gerência. Chegando lá, conferiu os preços. Platéia: 5 dólares. Balcão 10 dólares.  Ele achou estranha essa inversão de valores. Pela primeira vez via plateia mais barato que balcão.

Então, decidiu:

– Me dá um ingresso para plateia! – pediu ao bilheteiro num inglês quase perfeito.

O cara da bilheteria olhou para o olho azul de Cleto e indagou:

– O senhor não é daqui, né?

– Sou não. Por quê?

– Porque aqui, tudo quanto é branco vai para o balcão.

– Ah… entendi. Então, me dá um balcão.

Eustáchio ingressou no ambiente teatral, assistiu ao início da peça bem acomodado e no intervalo do primeiro para o segundo ato, bateu-lhe uma vontade danada de fazer um pipizão. Aí, virou-se para o espectador ao lado e perguntou:

– Please, onde é que fica o mictório?

O branco do lado olhou bem para ele e indagou:

– O senhor não é daqui, certo?

– Não, não sou. Por quê?

– Porque aqui não tem esse negócio de banheiro não. A gente aqui de cima, na hora do aperto, chega lá na beirada e chhhh… mija na cabeça da negrada lá na plateia.

Eustáchio Cleto achou aquele negócio absurdo. Olhou para a frente, estava todo mundo se servindo e ele naquele aperto dos seiscentos diabos. Então, não contou conversa: desabotoou a braguilha, puxou a manguaça, escolheu um crioulo lá embaixo, mirou na cabeça e chamou na grande chhhhhhhhuuááá…

Terminou o serviço, ia se retirando quando viu um negrão olhar pra cima e indagar:

– Ei, senhor… O senhor não é daqui, né?

– Sou não. Por quê?

– Porque o pessoal daqui faz xixi espalhado pela plateia…´

 

Regime forçado

Era quase meio-dia quando madame Liliane Cristina parou o carro no semáforo que fica no final da ladeira da antiga rodoviária, no Poço. Aí, um garotinho raquítico, costelinhas aparentes, se aproximou:

– Tia, me dá uma moedinha pra eu comprar um pão…

E Liliane Cristinha cheia de boçalidade e arrogância:

– Dou não! Se você comer pão a esta hora não vai comer nada na hora do almoço!

 

E tinha?

Na delegacia de polícia de plantão o delegado Robervaldo Davino interrogava um preso:

– Sabe que você escolheu para cúmplice um bandido da pior qualidade?

E o cara:

– Sei sim, doutor! É que eu não encontrei ninguém honesto pra me ajudar, entende?

 

Sem essa de mau hálito!

Dois bêbados num boteco da orla lagunar, resolveram pedir algo para comer como tira-gosto:

– Ô garçom, me vê aí um prato de tripas com bastante cebola! – disse um deles.

E o outro:

– Eu quero com pouquíssima cebola!

O colega estranhou:

– Por que com “pouquíssima cebola”, parêia?

– Porque eu viu namorar e não quero ficar com o bafo muito forte!

 

Tinha que casar!

Em Palmeira dos Índios viveu um velho conhecido como Zé Mandu, que era danado no barato sexual. Matava a pau. Aos 89 anos, ainda dava os seus pinotes. Um dia, apareceu no consultório do clínico mais requisitado da cidade, solicitando um exame pré-nupcial, com “urgência urgentíssima”! O facultativo espantou-se:

– Mas esse tipo de exame é para quem vai casar, seu Mandu!

E ele:

– Pois é. Vou casar!

– O senhor tem certeza de que quer mesmo casar?

– Olha, meu filho, querer eu não quero. Eu tenho que casar!

 

Melhor a prisão!

Recolhido à carceragem da cadeia pública, um certo Nildomar Aristeu começou a tremer assim que viu chegar seu advogado Felisberto Pinto, que parecia contentíssimo:

– O que o traz aqui, doutor?

– Boas novas, meu caro! Embora você tenha empurrado a sua esposa do carro em movimento e, depois tentado passar por cima dela, eu vou conseguir tirar você daqui, hoje mesmo!

E o Nildomar:

– Pelamordedeus, doutor, eu quero continuar preso!

– Mas por quê? Ela não morreu!

– Por isso mesmo, doutor!

 

Qualé o crime?

Um tal de Olédio foi detido por soldados de uma guarnição da ronda da PM e levado, horas depois, à presença do delegado de plantão, que  passou a interrogá-lo:

– Diz aqui o Boletim de Ocorrência que o senhor arrombou uma loja e roubou dez aparelhos de TV, oito câmeras de vídeo e vinte CD-players. Admite ter cometido o crime?

– Positivo, doutor. Mas eu mereço clemência, tá me compreendendo? O prejuízo não foi tão grande assim.

– Como não foi, porra? O senhor roubou o estoque inteiro…!

– Mas estava em liquidação, doutor!

 

Com Diego Villanova

26 de março de 2020

Ela mesma pediu!

O lavrador Manuel Leandro, o Mané da Bia, é um cabra sério. Nunca foi de brincadeiras e se orgulha em dizer que sempre “cortou certo”. Sua maior distração é a pescaria. Quando chega o final de semana, ele larga a lavoura e corre para a beira do Rio Paraíba, que banha a tradicionalíssima e histórica […]

25 de março de 2020

Um biláu pequeno demais!

A curvilínea Margarete Estefânia ficou viúva bastante jovem. Seu marido Arqueleu Batista, morreu prematuramente estuporado, depois de ter comido uma reforçada buchada de bode e, em seguida, promovido quilométrica sessão horizontal com a apetitosa esposa. O infeliz esticou as canelas quando atingia o finalzinho do “segundo tempo” da “prorrogação”. Margarete passou seis meses, contadinhos, chorando […]

24 de março de 2020

Uma bicha, tudo certo!

Existe aí uma lei bizarra que proíbe a falta de respeito àquele que optou pela homossexualidade desabrida. Quem tem o que é seu dá quem quer e ninguém tem nada com isso. Na conformidade dos artigos e parágrafos da sobredita lei, existem sanções severas – até “cana” pro sujeito que cismar de pronunciar em ambiente […]

19 de março de 2020

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18 de março de 2020

Um gato bem alimentado

Dona Claudélia botou na cabeça a ideia de que a futura contratada para serviços domésticos de sua residência teria que ser interiorana. Desse modo, ao ocorrer a primeira oportunidade, seu marido Ebenézer teve de se mandar até Delmiro Gouveia a fim de requisitar os préstimos da senhorita Severina Ambrósia. Foi a nova empregada  apresentar-se para […]

17 de março de 2020

O Bom Samaritano

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16 de março de 2020

ESQUECIDO POR DEMAIS!

      Bom sujeito, Nicanor Bezerra, o Nô, tornou-se conhecido pelas suas  costumeiras mancadas, consequência da memória atrapalhada que possui. Isso tem lhe causado sérios transtornos. O cara é desligadíssimo, ainda por cima. Funcionário antigo de um escritório de advocacia, outro dia o velho Nô foi abordado pelo chefe, assim que chegou para trabalhar, de manhã […]

12 de março de 2020

– Ahááá… Então foi você!

Ceguinho Djalma Pereira, o “Dija”, sempre foi um sujeito bem comportado e de fino trato. Começou a ficar safadinho depois que se rendeu aos encantos da Shirley, garota danada de trelosa. Um dia – era um sábado. O cinema Ideal, localizado na Levada, nos estertores da falência, passou somente a exibir filmes de sexo da […]

11 de março de 2020

Ele bem que tentou

Existem mulheres compreensivas, bonitas, lindas, maravilhosas, amáveis, gostosas… Existem mulheres grosseiras, vaidosas, bestas, más, ciumentas… E burras. Pior quando elas são burras e chatas ao mesmo tempo. Aí, dá a peste! É o caso de dona Valdetrudes, mulher do Orfiganisteu. Soma-se à sua burrice e chatice, um ciúme da gota serena. A madame marca o […]