Ailton Villanova

15 de novembro de 2019

As Piranhas e as Putas do Zé Flor

Analfabetão e mais grosso do que cuspe de bêbado, o prefeito José Florisvaldo, o proverbial Zé Flor, apeou-se do poder com uma grana preta no bolso. Corrupto até dizer basta, afanou o quanto pôde da edilidade, numa região tradicionalmente pobre e sofrida: o Sertão.

Zé Flor transferiu a prefeitura municipal para o seu sucessor completamente falida, depois de mais de 20 anos mandando e desmandando nela. Feito isso, montou num coletivo, desceu no Recife e, de lá, embarcou numa aeronave da finada Panair com destino ao exterior, por onde circulou durante um mês inteiro, esbanjando dinheiro adoidado. De volta à sua terra natal ainda teve quem o recepcionasse. Meia dúzia de amigos se acercou dele para saber das novidades no estrangeiro.

Entre mesas, sobre as quais abundavam garrafas e mais garrafas de bebidas, os correligionários de Zé Flor se preparavam para ouví-lo contar as suas aventuras além das fronteiras brasileiras.

O bodegueiro Ezíquio Santana adiantou-se e indagou:

– Entonce, cumpade Zé Frô, puronde vosmicê andô mêrmo?

E ele, todo vaidoso:

– Foi um passeio lorde, cumpade Zíque. Cumecei pela Alumanha!

– Vixe Maria! Quando iscuto esse nome me alembro da guerra mundiáu. Mas, continue, cumpade…

– Tumei uns xôpis numa cidade chamada Hambúrguis…

– Hamburgo! – consertou José Luís, seu antigo secretário de Cultura.

– E as germânicas? – perguntou o professor Metódio, diretor da escola pública.

– Germancas… Germancas… Ah! Aquelas almôndiga! Sabe, professô, elais fáis mau ao meu rejume!

Novamente interferiu o ex-secretário de Cultura:

– Não, seu Zé Flor! Germânicas são as mulheres da Alemanha.

– Ah, sim!  São todas grandonas, galegonas, de ôio azú, qui fala tudo ingrolado… Gostei muito delas!

– E a dispois, cumpade? – era o amigo Zequito, cheio de curiosidade.

– Adispois, fui pro Japão.

– E as nipônicas? – intrometeu-se novamente o professor Metódio, que era chegadão a um rabo-de-saia.

– Ah, aqueles apareínho de massage?

– Não, prefeito. Nipônicas são as japonesas.

– Bem… dessas eu gostei tomém! Todas piquinininha, oínho apertadinho… Bom, adispois, rumei pro Egídio.

– Egito!

– Isso. Munta sujêra, munta pobreza… Num gostei, não!

– E as pirâmides?

Zé Flor fez cara de enfado e respondeu:

– Tudo puta! Tudo puta!

 

 

Foi fundo demais!

 

Antigo tecelão da finada fábrica de tecidos Alexandria (que ficava no Bom Parto) e torcedor fanático do Centro Sportivo Alagoano,  Procendíneo Custódio nunca foi português, conforme todos pensavam. Procendíneo (também conhecido como Dino) era alagoano da gema, nascido e criado no distrito do Mutange. Achavam-no inusitado dado o fato de possuir inteligência curta.

Rapagão, ainda, Dino Custódio casou-se com a linda morena Maria da Conceição, também mutangense e igualmente operária da Alexandria. Os dois se adoravam. Um dia, madame adoeceu e teve de baixar ao leito. O maridão apavorou-se e, com a devida urgência, procurou o posto médico mantido pelo então vereador Cleto Marques Luz, de saudosa memória. Chegou lá, foi atendido pelo administrador e prático de enfermagem José Lima, que também era sub-delegado de polícia do bairro.

– O que lhe preocupa, Dino? – perguntou seu Lima.

E ele transpirando horrores:

– É a minha mulher, seu Lima… Tô precisando falar com o doutor Vasconcellos. Ele está?

– Está, sim. O que tem a sua mulher?

– Ela tá com a boca amarga, uma dor na espinhela, diarréia…

Levado à presença do médico, Dino Custódio explicou à este que sua esposa estava tão fraca que mal se sustentava em pé. Além do mais, ardia de febre. Então, doutor Vasconcellos orientou:

– Olhe, Dino, como eu não estou podendo me ausentar daqui agora, você me fazer o seguinte favor: vá pra casa e tire a temperatura dela. Feito isso, volte aqui ou me telefone dizendo o resultado.

Procendíneo ficou vacilante. O médico achou que ele não havia entendido a orientação:

– Você sabe tirar temperatura anal?

– Bem…

– É melhor eu explicar. É só você pegar o termômetro e introduzí-lo no ânus de dona Conceição. Entendeu agora?

– Entendi. Mas… doutor… o que é ânus?

– É o cu!

O cara foi embora e duas horas depois estava ligando para a clínica:

– Doutor, aqui é o Dino! Olha, eu enfiei o termômetro no cu da minha mulher e agora gostaria que o senhor me ensinasse como é que eu faço pra tirar o troço…

– Simples, rapaz: é só puxá-lo!

– O problema, doutor, é que não tenho pinça comprida. Será que arame serve?

 

 

Não era o mecânico!

 

Sempre ligado num rabo-de-saia, Agajoel Pereira dirigia sua caminhoneta pela Via expressa quando, em dado momento, distraiu-se, admirando o traseiro de uma morena que passava pela calçada paralela a faixa de rolamento. Aí, aconteceu o desastre: ele atropelu um cara que atravessava a pista.

Agajoel saiu da caminhoneta e ficou reparando em redor, apavorado, à procura de ajuda. Nisso, parou junto um guarda de trânsito, montado numa moto. Cheio de autoridade, o guarda berrou:

– Ô rapaz, você não sabe que é proibido consertar carro no meio da pista? Mande já o mecânico sair de baixo!

E o Agajoel:

– Esse daí não é o mecânico não, seu guarda. É o cara que atropelei, nestante!

 

 

Camisinha bem familiar

 

Biriteiro contumaz, o Enedino voltou pra casa numa sexta-feira à noite, depois de ter participado de uma farra incrementadíssima, com amigos do peito. Incrivelmente sóbrio, tomou banho, rangou um peixe assado, liberou dois arrotos caprichados e encarou a mulher:

– Que tal a gente tirar um sarro, meu amor?

Maria Crisólida topou na hora. Correram para a cama e deram início ao rala-e-rola. Na hora do “finalmente”, Enedino lembrou-se:

– A camisinha, amor! Depressa, pega a camisinha!

E a mulher:

– Mas tu é disrtraído, não é nego? Tá lembrado não, que tu emprestou a camisinha pro teu irmão, anteontem?

 

Com Diego Villanova

14 de novembro de 2019

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