Ailton Villanova

17 de janeiro de 2020

MAS… ELE NÃO AVISOU!

Pense num marido extremosamente exemplar. Esse é o Amabílio Pacheco. Gamadíssimo na mulher Celeste, ele só vê terra onde ela pisa. Todo ano, dá um carro novo à ela. Ela merece.

 

Celeste, ou melhor, Cecé, é uma tremenda loura dos peitos sensacionais, do tipo que o finado arcebispo Abrôncio Gaspar apreciava. Cecé tem seios volumosos, duros e empinados, muitíssimos parecidos com os da saudosa madre Crisálida, gamação do sobredito prelado.

 

Pois bem. O dedicadíssimo Pacheco, propagandista e representante comercial de conhecida indústria farmacêutica, sempre viajou muito por este Brasil afora, divulgando os produtos da referida. Enquanto cumpre o seu dever, a esposa Cecé estraga a grana polpuda que ele lhe destina em altas farras e aquisição de roupas, calçados, o escambáu. Pacheco é marido sem igual. Baixinho, adiposo e feio pra caramba, ele não faz filho na mulher para não deformar o seu maravilhosamente curvilíneo corpo – cujo modelador é o vizinho Carlos Alberto, o Carlão, atleticão portador de músculos até nos caroços dos olhos.

 

Bela noite, Pacheco voltou do trabalho pra casa, bastante apreensivo. Cecé chegou junto, toda melíflua, vestindo apenas um “beibedol” transparente:

 

– Mas, que carinha tão preocupadinha é essa, meu nego?

 

E ele, respirando forte:

 

– É que vou ter que fazer uma viagem de emergência ao Recife, amanhã cedo, sem previsão de retorno. Minha preocupação é ter que deixar você aqui sozinha…

– Ôxi, meu nego, e você não tem sempre viajado e me deixado sozinha, em casa? Nenhum bicho me comeu!

– Mas, agora é diferente…

– Como assim?

– A gente não tinha esse vizinho aí… fortão, da cara de tarado. Você reparou, como ele lhe olha?

– Ah, o Carlão?

– Huuummmm… Carlão, é? Que intimidade é essa?

– Ora, deixe de ciúmes, meu nego. O Carlão é uma tremenda de uma bichona…!

– E é?

– Sabia, não? Inclusive, nego, ele é meu manicuro e maquiador, sabe? Às vezes… massagista.

– Massagista?! Você não acha que já está um pouco demais? Nesse seu corpo maravilhoso só quem pode tocar sou eu! Eeeuuu, tá entendendo?

– Tá bom, tá certo. Mas, minhas unhas ele pode fazê-las, não pode?

– Pode, mas por enquanto. Trate logo de arrumar uma mulher para cuidar delas, tá bom?

– Tá, meu nego.

 

Dia seguinte, Pacheco acordou, pegou o carro e se mandou. Mal ele acabou de dobrar na esquina, Cecé colocou a cabeça por cima do muro e chamou:

 

– Carlãããooo… iú úúú…

 

De lá, ele respondeu:

 

– Oi, belezura! Tudo em cima?

– Tudo em cima vai ficar quando você pular pra cá! – respondeu a boazuda. – Vem logo, chega! Meu marido já se mandou pro Recife!

– Peraí que eu ainda tô nuzão. Acabei de acordar agora!

– Vem assim mesmo. É desse jeito que estou lhe querendo. Chega logo!

 

Num minutinho Carlão tinha pulado o muro lateral que separa as duas casas e já estava abufelado com a vizinha, rolando na cama.

 

Inesperadamente, quando os dois amantes, peladões, incrementavam o baculejo, eis que escutaram uma voz indignada dizer da porta do quarto:

 

– Bonito, né, dois sem-vergonhas?!

 

Carlão pulou da cama, ainda excitadão, pronto para matar ou morrer. Pacheco prosseguiu, menos agressivo e sem tirar os olhos da descomunal “peça cilíndrica” do vizinho:

 

– Vocês dois não têem vergonha de estarem praticando exercício, despidos desse jeito?

 

Carlão respondeu, já relaxado:

 

– Este é um treino moderno “anátomoaeróbico incorpado sistêmico”… Tem que ser desse jeito.

– Despidos?

– Sim, senhor. O instrutor, no caso, eu, tem que penetrar na parte interior íntima, para massagear por dentro. A aluna aqui, no caso a sua esposa, tem que relaxar bem, tá me compreendendo?

– Huuummm… Acho que estou.

 

Nesse momento, a Cecé que se encontrava muda, resolveu soltar a língua:

 

– Viu o que você fez, meu nego? Atrapalhou tudo! Justamente na hora em que eu estava concluindo a primeira parte do relaxamento, você chegou! A propósito, não vai mais viajar?

– Vou não! Quando já estava subindo a ladeira do Farol, o celular tocou e me mandaram voltar…

– Ôxi, mas por quê?

– A reunião não vai ser mais no Recife. Resolveram fazê-la aqui em Maceió, mesmo.

– E agora?

– Não tem problema. Não quero mais atrapalhar esse treino de vocês que, conforme estou vendo, é muito interessante.

– Ah, isso é. Interessante e gostoso demais! – concordou Carlão, com a cara mais cínica do mundo.

 

E o Pacheco:

 

– Vou voltar ao escritório para terminar uns serviços. De modo que fiquem à vontade para continuarem com esses seus complicados exercícios. Só peço um favor…

– Pois não. Pode pedir.

– Pelo amor de Deus me avisem, pelo celular, quando tiverem terminado, tá bom assim? Mas… olha, não exagerem, hein? Vão devagar!

– Tá beleza!

 

Cecé e Carlão só ligaram para o Pacheco voltar pra casa no dia seguinte, às 10 horas da manhã.

Com Diego Villanova

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