A Palavra em palavras

11 de setembro de 2019

As ideologias e a desconstrução da subjetividade do ser

As ideologias e a desconstrução da subjetividade do ser

Por Alisson Barreto

Publicado em 11/9/2019

Numa época de tanto marketing ideológico, o Brasil atravessa uma fase onde se multiplicam os casos de síndrome do pânico, depressão, suicídio e violência contra a mulher. Será que realmente tais casos não têm relação com as ideologias? É sobre isso que ensejaremos discussão nas linhas subsequentes.

Há um marketing não visto, despercebido, camuflado;

Que se infiltra em universidades e escolas a corromper a sociedades.

E o resultado: inesperado, não notado, projetado.

Mas o estrago está espalhado, nos campos e cidades.

Questionando a multiplicação dos casos. Quanto mais se multiplicam os casos, mais tentam resolver com leis, novelas e programas televisivos. Multiplicam-se as propagandas ideológicas e não diminuem os casos, ao contrário: aumentam. É uma era em que vozes erguem bandeiras do “politicamente correto”, espécies de conselhos de aprendizado a andar sobre “cascas de ovos” como se cascas de ovos não fossem. Há uma separação polarizada: (1) as dos que acham que tudo pode machucar e (2) a dos que acham que não machucam ou não se incomodam em machucar os outros. Será que isso tem a ver com os distúrbios psicológicos que tanto assolam a época atual?

Em meio ao trigo, joio semearam.

Reclamaram do trigo: “trigo incômodo,

Que não concorda com o joio. Removamo-lo.”

Mas todos sabemos o que plantaram.

A geração da impunidade e suas consequências daninhas. Uma parcela da população saiu de um excesso de punições a um excesso de impunidade. O resultado foi uma proliferação de pessoas que querem se servirem de pessoas, [1] descartando as que não servem (usando pessoas como laranjas, que são jogadas fora após o usufruto), [2] querendo escravizar as que servem (quando não se submetem, surgem violências domésticas e feminicídios) ou [3] passando por cima das que não estão hierarquicamente acima.

O senso de justiça se perdeu, pouco a pouco.

A noção de moralidade foi ocultada, como estorvo.

À lama estão lançadas, como um porco.

A problemática das ideologias de sexualidade e os problemas psicológicos. A ideologia de gênero é uma teoria social de sexualidade que, na prática, defende que, ignorando a realidade sexual de nascimento físico biológico das pessoas, elas poderiam escolher realidades sexuais dissociadas de sua natureza material. Para isso, seus adeptos tentam impor às sociedades atuais a desconstrução da consciência sexual para a construção de uma consciência relativizada o suficiente para fomentar sexualidades desconstruídas e reconstruídas, gerando indivíduos de consciência sexual generalizada numa primeira infância e possibilidade de mudanças de sexualidade a bel prazer de opções sexuais tomadas ao longo da vida.

Obnubilaram o óbvio

A se passar por óbvio o que são trevas.

A inebriar sóbrios.

Em outras palavras, a ideologia de gênero nas crianças e adolescentes age da seguinte forma. Em vez da criação que viabilize o autoconhecimento e percepção clara da própria sexualidade, a subjetividade do indivíduo sofre a interferência externa para fazê-lo crer que a sexualidade é escolha dissociada de sua realidade corpórea, obnubilando a percepção do eu de cada um. A obnubilação da consciência subjetiva acaba por interferir na clareza de enxergar a realidade circundante, gerando transtornos de autoconhecimento e de percepção da alteridade.

Cegam-te à subjetividade clara

Para viveres uma objetividade obscura, uma ilusória ironia.

E acharás que o que vês é o que é,

Alegrar-te-ás com a ilusão da ideologia.

Indivíduos que crescem sem parâmetros de limites, facilmente, extrapolam os limites (A) intrapessoais e (B) interpessoais. Naqueles (A), ofendem a própria subjetividade por falta de autoconhecimento, decorrente da imposição ideológica externa, como no caso da ideologia de gênero. No segundo aspecto, ofendem a terceiros por imaturidade altruísta, ou seja, crescem no “ego” sem desenvolverem a capacidade de percepção do outro. O resultado do A são pessoas que entram em crises psicológicas por desconhecimento do castelo interior. E o resultado do B são pessoas que xingam, batem, causam bullying ou fazem “comédia” depreciativa com outas pessoas (em função de feições físicas ou opções religiosas, por ex.) sem se incomodarem ou perceberem que estão ofendendo, ferindo, machucando ou magoando pessoas.

É preciso conhecer-se para se amar.

É preciso ir ao outro para alcançar.

É nos limites dos passos que se dá o andar.

Nas mídias atuais, é comum a fomentação às duas aberrações supracitadas. Tanto há a fomentação à ideologia de gênero, defendendo que as pessoas não nascem com sexo masculino ou feminino, em jornais e novelas. Como também há programas de comédia com quadros a fazerem chacotas com cristãos, por exemplo.

Querem uma liberdade de imprensa que retire a liberdade do ser.

Querem defender o que querem para deixar-te indefeso em um querer.

Querem livre a libertinagem para da tua liberdade te arrancar.

Quando se trabalha para que as sanções inexistam ou sejam sempre relaxadas, o crime compensa e a noção do respeito ao outro não se desenvolve. Quando se labora para obnubilação do autoconhecimento, a subjetividade do indivíduo é manchada por densas nuvens que o impede de enxergar a si próprio com clareza e objetividade. Quando essas duas frontes são apresentadas, massivamente, nas mídias, promove-se uma massificação de pensamentos que desconstroem identidades, corrompendo as subjetividades dos seres. Isso se agrava quando institutos educacionais (de escolas a universidades) e cortes jurídicas (Poder Judiciário) não se dão conta da gravidade e endossam tais ideologias.

Quando o crime compensa,

Esmagam-se os justos nas prensas. Pois atos não são sopesados

São fábricas de fatos desvirtuados.

Eis, pois, em curtos parágrafos, ensaios sobre os males que se prolongam nas sociedades hodiernas. Por isso, caro(a) leitor(a), não te vitimizes; mas também não destruas o teu eu por conta de um preço que acrescentaram à tua conta.

Reaja como ser livre e belo feito por Deus,

Só Ele, perfeitamente, te ama.

Só n’Ele está o bem que é teu.

Há ideologias para tentarem te convencer do que deves fazer, mas é teu diálogo interior contigo mesmo e com Deus que te acenderá as luzes da paz interior e da felicidade. É hora de autoconhecimento, é hora de enxergar o outro, é hora de aprender a amar como é o amor: realizador, existencialmente; altruísta; feliz e em paz movente.

Que o escritor de tua vida não seja o noveleiro nem o filósofo.

Não seja um professor ou comediante.

Seja teu coração com Deus, ontem, hoje e doravante!

Uma boa semana a todos! Paz e Bem!

Dado no dia de prevenção ao suicídio, São Bernardo do Campo – SP, 10 de setembro de 2019.

Alisson Francisco Rodrigues Barreto1

1Alisson Francisco Rodrigues Barreto é poeta, filósofo, bacharel em Direito (Universidade Federal de Alagoas), pós-graduado (Escola Superior de Magistratura de Alagoas), autor do livro “Pensando com Poesia” e do blog “A Palavra em palavras”. Este, desde 2011, na Tribuna (TribuaHoje.com).

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