Alisson Barreto

24 de novembro de 2020

Teologicamente, direita ou esquerda?

Abaixo está o vídeo e em seguida, o texto correlato.

Teologicamente, direita ou esquerda?

No cotidiano político social, muito se discute sobre ser ou de direita ou de esquerda. E tal assunto muitas vezes é tomado em aspecto religioso. Desse questionamento, uma indagação se faz necessária: à direita de quem?

É muito comum as pessoas dividirem o posicionamento de direita ou esquerda entre conservadorismo e progressismo, respectivamente. Mas conservação a partir do quê? Progressão em relação a quê?

A resposta a essas indagações passa pelo surgimento dos termos direita e esquerda. Ora, refere-se a um fato histórico em que um rei convida à sua direita os que o apoiam e à esquerda os que lhe fazem oposição. Assim, direita seria o apoio a quem está no poder e esquerda os que propõem mudança. Mas a que ponto?

Ao pé da letra, quando a esquerda assume o poder ela seria a direita, por defender estar no poder. Então, convencionou-se o parâmetro da implantação de mudanças ou conservadorismo, o que viabiliza a manutenção do termo em função do raciocínio ideológico, não em função do mero status quo. Ora, mudar por mudar pode ser mudar do bom para o ruim e conservar por conservar pode ser conservar-se no prejudicial em vez de ir para o benéfico. E o que dizer de quando esses conceitos são tomados sobre posicionamento religioso?

Em breve análise histórica, nota-se que, do meio de povos politeístas, brotou um povo monoteísta, os judeus; no sentido de conservação do estado de credo e mudança de paradigma, os judeus seriam esquerda em relação ao politeísmo até então reinante. Do meio judeu, brotou o Cristianismo, que seria esquerda em relação a conservar-se judeu e também em relação à postura de promover a oportunidade a outros de assumirem a mudança e tornarem-se cristãos. Do Cristianismo uno, santo, católico e apostólico brotaram o protestantismo e religiosidades mescladas. Mas o que Jesus diria ou disse sobre ser de esquerda ou de direita?

Por essa indagação, emerge-se para uma mudança de amplitude observatória: sai-se da análise horizontal entre permanecer ou mudar em plano que não vai além do plano humano cronológico para um permanecer ou mudar em relação ao imanente ou transcendente. Ou seja, a proposta de Cristo propõe passar de um mero estar ao lado do poder instituído na Terra para o transcendente. Assim, à direita ou à esquerda do mundo não é à direita de Deus nem seu inverso.

Tal mudança de paradigma pode ser observada em duas significativas perícopes bíblicas: uma em que Jesus toma na mão uma moeda e, após uma pergunta, declara “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. A outra, é quando Ele toma os que estarão à sua direita e diz que o que eles fizeram bem aos pobres e renegados foi a Mim que o fizeram e aos de sua esquerda e diz que o mal (omitivo ou comissivo) que fizeram a eles foi a Ele que o fizeram. Na primeira perícope, tem-se uma moeda com dois lados e ambos dizem respeito ao poder mundano; na segunda, o estar à direita do amor que vai ao encontro do que sofre, do excluído, do renegado, do perseguido, a promover o Amor no ato de amar.

Nota-se, portanto, que o grito cronológico de ou direita ou esquerda é um ato medíocre que pode matar a alma que nele se empenha em vez de aderir ao chamado transcendental do Deus Conosco. Muitos dizem enxergar a direita ou a esquerda do poder no cronos, mas poucos se fazem amar no kairós do Onipotente.

Maceió, 23 de novembro de 2020.

Alisson Francisco Rodrigues Barreto

26 de outubro de 2020

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