Antônio Pereira

5 de abril de 2021

Moradores dos bairros de Maceió destruídos clamam por justiça

O que você faria se de uma hora para outra sua residência, conquistada a duras e sofridas penas, não valesse absolutamente mais nada. Aquele imóvel que era avaliado em R$ 200 mil, 400 mil, 1 milhão, agora não passa de escombros, jogados ao sol, sujeitos às intemperes.

Até mesmo a possibilidade de um financiamento ou mesmo autorização para reforma não mais é possível.

Famílias inteiras vivem este drama atualmente no bairro Pinheiro, em Maceió. Tudo graças a ação nefasta de uma mineradora foraz, capaz de destruir o subsolo e atingir a vida de milhares de pessoas, prejudicando toda uma comunidade e também toda uma cidade.

Falo da calamidade pública que se tornou a desocupação dos bairros Bebedouro, Pinheiro, Bom Parto e Mutange. A empresa Braskem, uma das maiores mineradores do mundo, foi reconhecida como causadora de enorme fissuras no solo, prejudicando milhares de imóveis, levando milhares de famílias a migrarem para outras áreas da cidade de Maceió.

No começo a mineradora simplesmente negou a sua culpabilidade, deixando a cargo da chuva e outros fatores. Em uma minunciosa investigação ficou claro que foi a Braskem e sua exploração de décadas do subsolo maceionse a grande responsável pelo desespero dos moradores, que agora estão sem casa, sem moradia, sem teto, sem nada.

O drama é muito além do que imagina a vã filosofia dos que assistem os telejornais. Muita dor. Desespero e perdas, muitas perdas.

Moradores cada vez mais desalentados não veem nenhuma ação eficaz do poder público, particularmente do prefeito de Maceió, JHC, que foi eleito com a maioria dos votos dos moradores dos bairros atingidos, esperançosos de encontrar um líder que pudesse resolver o problema. Ledo engano. JHC nunca mais esteve nos bairros atingidos. Pouco ou nada fez em sua administração paralisada.

Outra vertente que tem que se registrada é o fato do Judiciário de Alagoas simplesmente lavar as mãos ao que acontece, sem julgar absolutamente nenhuma ação em favor dos proscritos moradores dos bairros atingidos. Parece que estamos em uma grande armação ilimitada, onde o poder público lava suas mãos, sem querer fazer valer o direito dos que tem sede de justiça.

Lamentavelmente, os moradores dos bairros de Bebedouro, Mutange, Bom Parto e Pinheiro ainda vão ter que sofrer muito mais, antes que algo ou alguém chegue para fazer justiça. Enquanto isso, famílias destroçadas, sonhos despedaçados, futuros incertos.