Antônio Pereira

4 de abril de 2021

Ao liberar cultos religiosos, ministro do STF ajuda vírus a continuar matando

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kássio Nunes de liberar a realização de cultos religiosos no momento de maior incidência de propagação do coronavírus no Brasil é, no mínimo, questionável. Dez em dez cientistas atestam que a contaminação pela Covid-19 acontece entre humanos a partir de gotículas da respiração, principalmente quando falamos e estamos próximos de outras pessoas. Assim, como único meio de contenção da doença, esses mesmos cientistas recomendam o distanciamento social e o fim das aglomerações.

Cultos religiosos presenciais são fortes vetores para a propagação desta doença que já matou 330 mil brasileiros e brasileiras desde o início do ano passado. Vivemos neste momento um aumento exponencial dos casos de contaminação e mortes. Ao contrário de vários países do mundo, o Brasil é atualmente o maior vetor de transmissão da doença no globo. Muitos desses números são atribuídos a falta de ação do governo federal, na pessoa do presidente Jair Bolsonaro, que tem feito tudo o que é possível para impedir o isolamento social e as medidas de contenção da doença.

Kássio Nunes foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro, que por sua vez comemorou e muito a liberação dos cultos religiosos. Bolsonaro e uma meia dúzia de líderes evangélico e católicos, ao que parece, acreditam que ainda não morreram pessoas o suficiente.

A decisão estapafúrdia do ministro Kássio Nunes escancara o uso ideológico/partidário do Supremo Tribunal, em benefício dos grupos que apoiam o presidente Jair Bolsonaro.

Além de ter sido uma decisão contra a saúde pública, Kássio Nunes carimba em sua testa a placa de subserviente aos interesses paroquiais em detrimento dos interesses públicos.

Lamentavelmente podemos prever ainda maior número de pessoas infectadas, mortas e também sequeladas devido a contaminação cada vez maior do vírus mortal.

Espero que Deus esteja vendo isso e puna com o rigor necessário os responsáveis. Amém.