Antônio Pereira

6 de janeiro de 2021

A vida pregressa de Jair Bolsonaro que o Brasil desconhece ou não quis saber

Um militar inexpressivo, que vivia às custas do Exército até ser levado à reserva depois de uma tentativa infrutífera de provocar um caos na corporação por suposta reivindicação salarial. Depois disso se lançou na vida política, tendo ficado quase 30 anos no Congresso Nacional sem qualquer tipo de ação louvável a não ser denegrir pessoas e atacar supostos inimigos imagináveis. Esta é a vida resumida do atual presidente da República Federativa do Brasil, chamado de Jair Messias Bolsonaro.

As falcatruas do então deputado vêm de longe, antes mesmo de seu ingresso na política. Quando estava no Exército, admitiu ter cometido atos de indisciplina e deslealdade com seus superiores. Foi, inclusive, acusado de elaborar um obscuro plano para explodir bombas em unidades militares. O então capitão foi considerado culpado por um conselho formado por três coronéis, mas acabou sendo absolvido por oito votos a quatro no Superior Tribunal Militar.

Este presidente recentemente disse que não tem a menor condição de governar o país. Ele falou com todas as letras que não sabe o que fazer. Isso, todo mundo já sabia que ele era completamente inepto para o cargo. Bolsonaro passou toda a sua vida ganhando eleição para deputado federal em cima de uma verborragia anticomunista com apoio crescente de milicianos cariocas, numa rede de corrupção que tem como testa-de-ferro o ex-militar Fabrício Queiroz. No rastro dessa ‘carreira’, Jair Bolsonaro colocou todos os seus filhos, os quais nomina de zero um, zero dois e zero três. Agora, o filho zero quatro, com o pai presidente, ostenta uma ’empresa’ alojada em um dos andares do estádio de futebol de Brasília, cujo maior feito foi ter conseguido mimos de empresários, ávidos por contratos com o governo federal.

A eleição de Bolsonaro foi um aborto da política brasileira. Ele, como sempre, não seria levado a sério, caso um juiz do Paraná, de nome Sérgio Moro, não tivesse prendido o líder nas pesquisas eleitorais e o candidato da mídia e do mercado financeiro, chamado Geraldo Alckmin não ter chance alguma de se eleger. Assim, Bolsonaro passou a ser a única chance de derrotar um candidato de centro-esquerda. Antes disso tudo, retiraram uma presidente legitimamente eleita, colocaram no lugar um político profissional e temos o que temos atualmente.

A vida parlamentar de Bolsonaro na Câmara dos Deputados não é nada épica. Ele já usou verba da Câmara para custear despesas para ‘comer gente’. Tornou-se objeto de atenção pública, pela primeira vez, acusado de planejar a explosão de bombas em instalações militares.

Sua produção legislativa é pífia. Nunca ocupou cargo de destaque na Câmara. Sempre integrou o chamado baixo claro, grupo de congressistas com pouca projeção, e é mais conhecido pelas confusões em que se mete do que por sua atuação parlamentar.

Mas foi alvo de várias acusações criminais. No portal do Supremo, aparece como réu em duas ações penais, nas quais é acusado de injúria e apologia do estupro por ter afirmado, na Câmara, que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela “não merece”. Em 2015, foi condenado pela Justiça a indenizar a parlamentar em R$ 10 mil pela mesma razão e também a indenizar em R$ 150 mil o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Ministério da Justiça, por fazer declarações homofóbicas num programa de TV. A decisão foi confirmada este ano pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

É ainda investigado pelo Ministério Público por apologia da tortura, por ter homenageado o coronel Brilhante Ustra, primeiro torturador reconhecido como tal pelo Judiciário brasileiro, ao votar pelo impeachment de Dilma, em abril de 2016.

Eis o que temos com presidente da República. Um político da mais desqualificada seleção natural. Certamente, esta história não vai terminar bem. Vejamos.

 

 

*Com informações do congressoemfoco.com.br e sul21.com.br