Antônio Pereira

5 de janeiro de 2021

Cresce cada vez mais casos de assédio sexual e racismo contra brasileiros no exterior

Em muitos países do mundo o fato de ser brasileiro ou brasileira é sinal de perigo, ou mesmo de um infortúnio nas ruas ou redes sociais. Isso acontece frequentemente com brasileiros que moram em países do exterior, notadamente da Europa e EUA.

Os casos se somam ao fato de que em alguns países, como Portugal, Espanha e Itália os brasileiros são vistos como concorrentes no mercado de trabalho. Isso só aumenta o preconceito e a xenofobia.

Desde da famigerada campanha publicitária realizada por ordem do então chefe da Embratur no governo Sarney, o atual governador de São Paulo João Dória Júnior, onde mulheres brasileiras em biquínis sumários ‘convidavam’ turistas estrangeiros ao Brasil, numa clara insinuação sexual. Isso aconteceu na década de 80 e se perpetua até hoje, com a imagem da mulher brasileira totalmente vulgarizada no exterior. Há relatos de atrizes ou celebridades nacionais cujas fotos vão parar em sites clandestinos de sexo.

Há ao menos dois trabalhos acadêmicos – um na USP e outro na Unicamp – que tratam sobre o uso publicitário da imagem da mulher brasileira em anúncios da Embratur. A dissertação de mestrado de Louise Alfonso e a monografia de Kelly Kajihara analisaram décadas de publicidade e mostram que fotos de mulheres seminuas já apareciam nas campanhas do órgão desde os anos 1970. Também ressaltam que a prática continuou até os anos 1990, quando houve a primeira campanha nacional de combate ao turismo sexual. Vale lembrar, no entanto, que em 1988, quando o atual governador de São Paulo regia o órgão, a Embratur veiculou um anúncio que mostrava o Brasil como “um país de cores, sabores e paisagens (…) e repleto de mulheres sensuais”. Na imagem, via-se um mulher deitada na área de biquíni escuro.

Denúncias nas redes

Cansadas de passar por situações constrangedoras por conta da sua nacionalidade, algumas mulheres brasileiras criarm anonimamente o grupo “Brasileiras não se calam”. A página no Instagram e no Facebook reúne relatos de assédio sexual, discriminação e xenofobia de brasileiras que moram no exterior. As integrantes preferem manter o anonimato. Mas atuam nos bastidores para dar voz às expatriadas que, assim como elas, sofrem em diferentes países.

Efeito Bolsonaro

Para piorar ainda mais a situação, agora o Brasil é sinônimo de negacionismo, racismo e neofascismo. Tudo graças ao atual presidente da República, Jair Bolsonaro que tem um histórico de falas e ações contra mulheres, negros, gays, índios e outras etnias.

Aliado ao já ‘normal’ preconceito com nós brasileiros, atualmente também é comum ouvir que somos do país daquele maluco genocida que está destruindo as florestas e matando os índios.

A imagem brasileira de boa gente, pacífica e que só tem alegria está com os dias contados, caso essa onda neofascista comandada por Bolsonaro e seus seguidores continue. Em nível mundial o brasileiro está cada vez mais deixando de ser bem-vindo como antes. Lamentável.