Antônio Pereira

6 de maio de 2020

Nem na iminência da morte os seres humanos se unem

A máxima dos que defendem o capitalismo é de que quando há uma grande crise, surgem novas oportunidades. Com esta certeza, muitos buscam formas de ganhar dinheiro, mesmo que seja em detrimento da maioria. Assim, vivemos atualmente a maior crise sanitária do mundo depois das duas grandes guerras mundiais.

Governos de vários países se uniram em prol de encontrar uma vacina para o coronavírus outros não. Nestes que não se uniram estão os Estados Unidos, China, Rússia e, estranhamente, o Brasil. Explico: Rússia, China e EUA são países imperialistas que disputam entre si a hegemonia no planeta. O Brasil, bom, o Brasil apenas tentou, mais um vez, agradar o presidente norte-americano, que abriu mais uma frente de disputa com a Organização Mundial da Saúde (OMS), acusando-a de ser excessivamente bandeada para os interesses chineses. Donald Trump quer por que quer que a OMS diga que foi a China a grande culpada, inclusive insinuando que o governo chinês teria ‘fabricado’ a doença com interesses econômicos e políticos. Claro que a OMS, que segue protocolos científicos, não atestou essas insinuações de Trump, que determinou o fim da doação de recursos para a maior entidade de defesa da saúde mundial.

Bem, vamos ao tema do artigo mais propriamente dito. Quero falar sobre a insanidade da humanidade no que tange à saúde pública. Sabemos que praticamente todos os grandes países do mundo estão neste momento trabalhando para chegar a uma vacina contra o Covid-19. Acontece que nenhum deles estão colaborando com outros, principalmente compartilhando dados das pesquisas. O que isso significa: significa que poderíamos, nós humanos, chegar a uma solução muito, muito mais rápida, caso houvesse colaboração mundial.

Claro que não vai acontecer a colaboração entre países, muito menos de empresas para se chegar rapidamente a uma solução. Algo parecido com o que acontece com a possível cura do câncer e outras doenças que assolam a humanidade há séculos.

A falta de empatia em nível mundial tem como parâmetro o mercado. Sim, o capitalismo e sua sanha pela lucratividade em detrimento de vidas, joga o ser humano médio em valas comuns, sem se preocupar com as consequências.

A pandemia de coronavírus tem mostrado que, como aconteceu em outras doenças ao longo da humanidade, todos são afetados, ricos, pobres, jovens, velhos, negros, brancos, asiáticos, enfim, todo mundo, literalmente.

Fica aqui meu lamento de que o ser humano, apesar do mais de dez mil anos de civilização, pouco aprendeu. Muito ainda tem que acontecer para que um dia tenhamos condições de unir esforços sejam eles para encontrar uma cura e doença ou mesmo um sistema econômico e político capaz de oferecer oportunidades iguais para todos, sem a necessidade atual de disputa por tudo, onde todos perdem.