Antônio Pereira

6 de março de 2020

E se fosse o petê?

Nos dois governos do presidente Lula e nos dois da presidente Dilma todos os veículos de comunicação, apesar de receberem religiosamente suas quotas de publicidade federal e das empresas públicas, batiam diuturnamente, numa tentativa orquestrada de derrubar os governos petistas e colocar no poder de volta os neoliberais, notadamente do PSDB e seu queridinho: Aécio Neves.

Pois bem, de tanto baterem conseguiram. Claro teve uma ajuda substancial do petê também, não sejamos ingênuos. Os petistas, notadamente os ligados ao ex-ministro José Dirceu agiam como se tivessem vencido a revolução. Agiam de forma arrogante e também, em alguns casos, acabaram chafurdando no mar de lama da corrupção. Mas nada que seja comparado ao que se praticava anteriormente e muito menos podemos dizer que houve um assalto aos cofres públicos. O certo é que alguns petistas sucumbiram ao canto maledicente do grande capital e dos lobistas das grandes empresas, ávidos a colocar as mãos em polpudos soldos, principalmente em obras da Petrobras.

Dito isto acima, vamos analisar como se comporta a chamada opinião pública (leia-se grandes jornais, televisões – Rede Globo, etc).

Desde que tomou posse, ou melhor, desde que se lançou na vida pública, Jair Bolsonaro nunca foi considerado um político sério. Nos anos em que foi deputado federal, cerca de 30, teve passagens marcantes, como animador de programas de televisão de segunda ou até terceira categoria. Bolsonaro chegou a ser submetido a uma ‘máquina da verdade’ no antigo programa Pânico na TV (Redetv). Isso sem falar que suas maiores ‘realizações’ foram polêmicas com a cantora e apresentador Preta Gil e falar que quem procura osso é cachorro, em alusão às investigações sobre os restos mortais de guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) no Araguaia.

Este homem que agora é o presidente de todos os brasileiros afronta todos nós diuturnamente. Praticamente todos os dias ele faz alguma presepada. A maior de todas aconteceu recentemente, quando ele convidou um comediante para, usando o carro oficial da Presidência, distribuísse bananas aos jornalistas que esperavam o presidente na saída do Palácio da Alvorada.

Jair Bolsonaro coleciona micos no Brasil e também fora do país. Ele já teve treta com o presidente da França. Já brigou com o Greenpeace e vive agredindo negros, índios e homossexuais.

Este presidente atual do Brasil é de longe o pior de todos no quesito vergonha alheia. Ele não cansa de demostrar total incapacidade para o rito do cargo. Isso sem falar dos filhos do presidente, que também não dão a menor chance para o razoável.

Enfim, temos um presidente que se mantém no poder, apesar de todas as presepadas, graças ao fato da grande mídia e do empresariado em geral, esperar que ele faças as mudanças necessárias para que o Brasil volte ao século 19, onde muitos de nós não terá mais nada além do que o mínimo para não morrer de fome.

Sim, caminhamos para a barbárie, caso Bolsonaro implemente toda a sua política de destruição em massa dos brasileiros pobres e médios. Já não temos mais concursos, programas sociais foram extintos ou estão prestes a sumir. Milhões de brasileiros vivem pra cima e pra baixo em uma moto ou em uma bicicleta entregando comida, enquanto outros tantos passam mais de 12 horas todos os dias no trânsito trabalhando para aplicativos.

Respondendo a pergunta inicial deste artigo, se fosse o petê fazendo isso que Bolsonaro faz, estaríamos em um turbilhão de protestos jamais vistos na história da humanidade.

A indignação seletiva do brasileiro médio é mortal. Mesmo sofrendo com tudo isso, este brasileiro que votou maciçamente em Bolsonaro busca uma forma de culpar o petê por tudo que está acontecendo, mesmo o petê tendo sido alijado do processo político a partir de 2014, com um golpe em 2016. Ou seja: há quase quatro anos que o petê está fora do poder, mas continua sendo o bode expiatório para justificar as sandices do louco que colocaram na cadeira de presidente.

Sigamos, então.