Ailton Villanova

10 de dezembro de 2019

O PENTELHO DE NATAL

Mulher valente, determinada, detalhista, dona Mirandolina Batista teria sido uma exímia perita criminal houvesse se interessado pela nobre e difícil profissão. Estudo para habilitar-se num concurso público, ela bem que tinha. Graduada em Direito e Filosofia, mais pós-graduação em História, Mirandolina preferiu dedicar-se ao marido Betânio, um baixinho  mulherengo e farrista que exercia a função de Fiscal de Diversões Públicas, hoje extinta do quadro administrativo da prefeitura de Maceió.

 

Marandolina era apaixonada pelo safado do marido que, mesmo não sendo atleta do bate-bola, aplicava fenomenais dribles na mulher. Sob o argumento de que, como chefe da fiscalização das diversões públicas, ele tinha que está presente em todas as iniciativas, Betânio passava as madrugadas na rua, sendo as de sua preferência aquelas onde se situavam os lupanares do Jaraguá. A zona do meretrício era o seu segundo lar.

 

Betânio voltava pra casa de manhã, cheirando a álcool e exalando perfume barato das raparigas que infestavam os bordéis. Mirandolina suportava aquilo tudo com uma paciência angelical. Mas, um dia, essa paciência extrapolou os seus limites e ela cometeu um desatino, mesmo sendo gamadíssima pelo marido sem-vergonha do Betânio: tentou mata-lo.

 

Seguinte:

 

Véspera de Natal, Mirandolina já havia ornamentado a casa toda e convidado a família inteira para a tradicional Ceia. De manhã, perto do meio-dia quando Betânio se arrumava para sair rumo ao trabalho, ela chegou junto e apelou:

 

– Amor, pelo menos hoje chegue cedo…! Nossas famílias virão para a ceia do Natal, que você nunca prestigia. Faça-nos esse favor…

 

E o canalha, se esquivando:

– Vou ver o que posso fazer, minha filha. É justamente nesta época que o bicho pega! É festa por todo canto e pra todo lado… e eu tenho que fiscalizar esse negócio com muito rigor. Olhe a minha responsabilidade. Tenho que botar moral nessas fiscalizações… Vou tentar chegar pro Natal, viu? Não prometo nada!

 

O Natal na casa do Betânio e da Mirandolina ocorreu dentro dos conformes da maior tristeza, com todos lamentando a ausência do chefe da família, que “vivia se matando de tanto trabalhar”. Culpa do insensível prefeito, que exigia demais do coitado!

 

Betânio voltou pra casa às 6 da manhã, embrigadíssimo e aos tombos. Caiu na cama com roupa e tudo.

 

Pacientemente e carinhosamente, Mirandolina foi despindo o marido para leva-lo ao chuveiro. De repente, ela avistou um fiapo suspeito navegando na baba que escorria pelo canto da boca do sujeito. Pegou-o com muito cuidado, aproximou-o da vista e concluiu com seus botões:

 

“Isso está me parecendo um pentelho!” – aproximou-o mais. – “É, é um pentelho, sim!”

 

Nesse momento, a revolta tomou conta de Mirandolina. Ela deu um baculejo no marido, exibiu o pentelho e berrou:

 

– De quem é este pentelho, seu Betânio?

 

E ele, muito cínico, dando uma de inocente:

 

– Que pentelho, Mirinha? Se não for meu, só pode ser seu! Onde você arrumou esse pentelho?

– Na sua boca, seu safado!

– Na minha boca? Oxi!

– Sim. Onde você andou botando essa boca, canalha? Na minha xoxota é que não foi!

– Sei não, porra! Estou com amnésia, certo? Agora me deixe dormir…!

 

Bom. Betânio não queria dormir? Pois ele dormiu um mês inteiro, em coma, na UTI do Pronto Socorro, devido as cadeiradas que Mirandolina andou lhe aplicando na cachola.

 

A ALEGRIA DO PEPÊ

 

Nossos senadores são generosos demais, quando se trata de pretender gozar com o pênis alheio. Alguns, até, chegam expor preferências convenientemente camufladas, como por exemplo, praticar o exercício da marcha à ré. Pois bem, nesse embalo, vale isentar de impostos até falsas “igrejas” disfarçadas de instituições evangélicas, como por exemplo a do “Amor Divino”.

 

Dita igreja, foi inventada pelo antigo malandro chamado Perolino Pereira, o Pepê, antigo tomador de cachaça e inveterado fumador de maconha, nas quebradas maceioenses. Hoje, ele é aclamado como Pastor Pepê. Só anda de carrão, mora numa invejável mansão em condomínio privadíssimo localizado na parte alta mais nobre de Maceió, e só dorme acompanhado de duas ou três “irmãs em Cristo”, frequentadoras muito mais de sua cama do que propriamente da igreja.

 

Quinta-feira passada, Pepê acordou felicíssimo, disparando formidável foguetório para os ares. É que ele leu, neste jornal “Tribuna Independente” uma alvissareira notícia, cuja manchete foi a seguinte:

 

“Senado Isenta Igrejas de ICMS por 5 Anos”.

 

No auge de sua vibração, Pepê prometeu:

 

– Dentro de 5 anos construirei a sede da nossa igreja mais pertinho do céu.

 

No que indagou uma das suas dedicadas secretárias, com cara de sono e vestida numa sumaríssima camisola:

 

– Mas, meu amado pastor Pepê, que lugar mais perto do céu seria este, se nesta mansão onde estamos está o próprio céu?

 

Pepê cerrou os olhos e revelou, como se estivesse em transe:

 

– Este lugar seria a Lua, minha cara. Comprarei a Lua, construirei lá o nosso templo universal e destinarei uma imensa área para a construção do novo estádio do meu querido CSA!

 

Se a igreja de Pepê já fatura alto extorquindo seus fiéis, imaginem ela isenta do recolhimento, aos cofres públicos, de todos os impostos possíveis e imagináveis, entre esses o Imposto de Renda, ICMS,IPTU. IPVA.

 

Na manhã daquele mesmo dia, ele ligou para as três maiores montadoras de veículos do mundo. E encomendou meia dúzia de automóveis, sendo os mais baratinhos deles os tais de BMW e Mitusbishi e Mercedes Benz.

 

Um desses exemplares ele pretende dar de “presente de Natal” ao senador de sua preferência.

 

Com Diego Villanova