Ailton Villanova

30 de novembro de 2019

BEBIDA NUMERADA E ANTIDEMOCRÁTICA !

Detido antidemocraticamente numa lanchonete de determinado shopping da cidade de Maceió, o popular Altramino Bezerra, vulgo “Venta de Galo” (vocês já viram galo com venta?) foi levado à presença do delegado de plantão, doutor Benigno Portela, gente fina e da melhor qualidade.

 

Portela tomou o maior susto quando o agente José Monteiro invadiu seu gabinete, puxando Venta de Galo pelo braço.

 

– Êpa! Que negócio é esse, Monteiro? E você vai embocando desse jeito no meu recinto, sem pedir licença e nem nada…?

 

E o policial, penitenciando-se:

 

– Vá me desculpando, doutor…

– Tá desculpado. E quem é esse sujeito folgado, da cara de mau elemento, que você está trazendo? É seu amigo, por acaso?

– Quêisso, doutor?! Isola! Este aqui é o tal de Venta de Galo, desordeiro de marca maior, que foi preso no shopping…! Ele estava alterando numa lanchonete da praça de alimentação!

– Foi, é? No mínimo, queria beber sem pagar…

 

Nesse momento, sentindo-se ofendido, o detido interferiu na fala do delegado:

 

– Peraí, dotô! “Menas” a verdade! Eu pedi a bebida porque podia pagar. Pra isso, tenho dinheiro no bolso, tá me compreendendo? O “pobrêma” é que aquela lanchonete é cheia de frescura. Apesar de somente vender bebida numerada, não tinha a minha preferida… Quem num tem competência num se estabelece, né não dotô? Fala a verdade!

 

– Que história de bebida numerada é essa, rapaz?

– Ah, dotô, só o senhor indo lá perguntarão pro gerente, porque eu não sei lhe explicar. Me desculpe!

– E você foi pedir bebida alcoólica logo numa lanchonete…  Você não sabe que nesses locais só se vende lanches? O nome já está dizendo: “lan-cho-ne-te”.

– Pois é, doutor. Eu sei. Encostei lá foi pra pedir um sanduíche de mortadela, tá ligado? Aí, a mocinha que me atendeu disse que não tinha; e que os pedidos só podiam ser feitos de acordo com o que estava escrito numa tabuleta pregada na parede…

– Lanchonete muito organizada, essa. – comentou o delegado. – Prossiga.

– Então, escolhi um cachorro-quente. A mocinha, toda educadazinha, chegou pra mim e disse: “Por favor, senhor, faça o seu pedido pelo número”. Aí, me animei e respondi: “Nesse caso, me dê uma 51!” A mocinha achou que eu estava de gozação, disse que não me atenderia mais e que eu me retirasse dalí, imediatamente. Nesse momento, fiquei muito puto e mandei que ela enfiasse o sanduiche no rabo. Ela teve um chilique e chamou os seguranças do shopping. O pau que eu levei dos cabras, doutor, não está na história do Brasil, doutor. Pra completar, estou aqui preso. Isto é democracia, dotô? Me diga!

 

 

O LADRÃO E O INTELECTUAL

 

No Agreste de Alagoas, quando a cidade de Águas Belas ainda pertencia ao lado de cá, e não ao estado de Pernambuco, pontificou um intelectual e escritor de livros sobre temas jurídicos chamado Sérgio Nabuco Santana. Ele também era considerado um grande filósofo. Solteirão, morava sozinho, numa mansão localizada na periferia da cidade.

 

Certa noite, um ladrão mixuruca chamado Zé Franco, achou de pular o muro do casarão do doutor Nabuco para furtar algo que, no seu entendimento, pudesse ser  considerado de “muito valor”. Zé Franco ficou frustrado porque lá só encontrou livros. Na sala, nos quartos, na escadaria, nos corredores, e até na cozinha. Livros, livros, livros.

 

Frustrado, e de mãos abanando, o larápio já estava de saída quando deu de cara com uma galinha meio velhusca, cochilando no balcão da área externa dos fundos. Então, resolveu levá-la. Colocou-a debaixo do braço e marcou carreira na direção do muro. Nesse momento, escutou uma voz forte, na porta da cozinha. Era o dono da casa:

 

– Para onde vais tu, ó ser humano insípido e ignominioso? Um momento! Não é pelo valor intrínseco do bípede e sim pela insolência do ser em adentrar os recônditos alheios. Para demonstrar minha insatisfação, pegarei o meu bordão e transformarei a sua massa encefálica em massa cadavérica!

 

E o ladrão, tremendo em cima das canelas:

 

– Dotô , eu num tô intendendo nadinha do seu “latrim”. Pur favô, me isprique dereitinho, purqui  tô um um pôco avexado, num sabe?…É pra eu levá ou largá a galinha?

 

Homem nobre e de bom coração, doutor Nabuco perdoou o infeliz e ainda o presenteou com a penosa.

 

 

DE NOVO, ZÉ?!

 

Farrista de marca maior, o José do Carmo só chegava em casa “puxando fogo”, e depois das 3 da manhã. Dia desses, chegou um pouco mais cedo – às 2 e meia da madrugada. Demorou-se lá pra dentro e voltou alarmado para o quarto de dormir:

 

– Marilda! Ô Marilda! Tem assombração no banheiro. Quando eu abri a porta, a luz acendeu sozinha… Quando fechei, ela também apagou sozinha!

 

E a mulher:

 

– Caramba, Zé! Tu mijou na geladeira de novo!

 

Com Diego Villanova