Ailton Villanova

13 de novembro de 2019

A pomba, a merda e o gancho

Lá pelos idos da década de 50 a zona boêmia do Jaraguá, em Maceió, estava no auge. A partir das seis e meia da tarde o comércio formal com suas lojas e escritórios, cerrava as portas e aí entravam em cena os lupanares com suas luzes multicoloridas e suas prostitutas. Funcionavam nos andares superiores dos edifícios que constituem a artéria principal do bairro, a Sá e Albuquerque. Na segunda faixa paralela (a primeira é a Rua da Igreja), vinha o proverbial Duque de Caxias, frequentado pelo proletariado, a classe menos abastecida financeiramente, com seus botecos cheirando a cachaça, entupidos de trabalhadores portuários. De vez em quando um conflito, que era resolvido pela ação enérgica da Guarda Civil Estadual.

Quando os navios aportavam no pier jaragualino e a marinheirada, os embarcadiços, baixavam em terra, os bordéis ficavam lotados. A festa rolava com tudo o que tinha direito.

Certa noite, num cantinho reservado do Bar do Biu, situado numa das transversais da Sá e Albuquerque, duas figuras que tinham acabado de se conhecer, tomavam uma cervejinha e contavam suas aventuras nos mares. Um deles era o marinheiro mercante Josafá Biguá e o outro um tal de Judas Tadeu, tipo mercenário que em épocas antigas poderia ser classificado como pirata. Aliás, esse era o seu apelido. O indigitado tinha uma perna de pau, um tapa olho e um gancho de ferro no lugar da mão.

Lá pelas tantas, Josafá não conseguiu esconder a sua curiosidade:

– O amigo poderia me explicar por que tem essa perna de pau?

E o Pirata:

– O caso é que eu e tinha minha turma nos encontrávamos em uma tormenta no mar, lá pras bandas da Ásia, e aí veio uma onda enorme e me jogou na água. Tive um azar danado: fui cair bem no meio de um monte de tubarões. Lutei, lutei e consegui subir no navio, mas um tubarão conseguiu comer a minha perna…

– Que sorte, hein? E o gancho? Foi culpa do tubarão, também?

– Não. O gancho foi outra história. A gente tinha abordado um barco inimigo e, enquanto tava todo mundo lutando, fui cercado por quatro marinheiros. Consegui matar três, mas o quarto me cortou a mão com um facão…

– Minha Nossa Senhora! E o tapa olho… como foi que você conseguiu?

– Uma pomba ia passando e me cagou bem no meio do olho.

– E você perdeu o olho só por causa de uma merdinha de pombo?

– Era o meu primeiro dia com o gancho. Não me lembrei que tinha perdido a mão, e tentei limpar a merda de pombo do olho…

 

 

Café frio, cerveja quente

 

O sujeito encostou no balcão do restaurantezinho do Lula Florencio – pequeno, porém decente -, localizado no bairro da Levada e falou pro rapaz que atendia ao balcão:

– Ô garoto, me vê aí um cafezinho. Tô querendo adoçar a boca, que tá muito amargosa.

O café foi servido, o cliente tomou o primeiro gole, que atirou fora.

– Porra! Que café horroroso, rapaz! Tá frio pra cacete!

E o balconista, cheio de moral:

– Meu amigo, quente, aqui, só cerveja!

 

 

Acordou mal e aí…

 

Quando a delegada Maria Aparecida Araújo era a titular (aliás, ele foi a primeira) da Especializada de Defesa da Mulher, chegou lá, um dia, uma madame chamada Paulina, exibindo um olho roxo. Fora agredida, segundo garantiu, pelo marido, um caboco chamado Magnaldo Zacarias, que foi intimado a prestar contas do seu ato agressivo perante a sobredita autoridade policial.

– Por que o senhor aplicou aquele soco tão violento no olho de sua esposa, seu Magnaldo? – perguntou docentemente a delegada.

E ele:

– Foi ela mesma quem pediu, doutora. Passei mais de dois anos tentando agarrar no sono, como todo cristão normal. Quando não aguentei mais, fui ao médico e ele me passou um remédio pra dormir. Por coincidência, nesse dia eu consegui puxar um ronco na maior, sem necessidade do infeliz do remédio.

– Sim, e daí?

– E daí, doutora, é que quando eu estava no melhor do sono, ela começou a berrar no meu ouvido: “Ei, homem! Acorda pra tomar o remédio de dormir!” Aí, me acordei invocado e dei-lhe uma porrada na cara!

 

 

Problemão para o doutor taradão

 

Era a primeira consulta que aquela delícia de mulher, aquele monumento fazia a um determinado médico, cuja fama era a de taradão. Mal ela entrou o seu gabinete, o doutor foi logo ordenando:

– Tire toda a roupa e deite-se naquele sofá!

– Mas…

– Nada de “mas” e nem meio “mas”. Vamos, vamos! Não podemos perder tempo!

A paciente obedeceu, o médico também tirou a roupa e mandou ver na gostosona. Ao final, ele falou:

– Bem, o meu problema já foi resolvido. Agora me diga qual é o seu.

A boazuda disse:

– Bem, doutor, eu estou padecendo de cinco tipos terríveis de doenças venéreas e sou portadora, há seis anos, do virus da Aids…

 

Com Diego Villanova