Ailton Villanova

8 de novembro de 2019

Mentiu demais e… muito mal!

O tal de Nicomedes Crisólido sempre foi boçal. Boçal e burro. Desde pequeno. Depois de ter insistido em 37 vestibulares, aqui e lá fora, conseguiu ingressar no curso de Direito, o qual terminou aos trancos e barrancos, graças a ajuda (contrapartida financeira, melhor esclarecendo) de colegas de faculdade. Mediante paga, esses fazeram os seus trabalhos durante o curso inteiro. Crosólido passou uns 15 anos na faculdade.

Diploma no bolso, achou que devia advogar. Foi outro drama para conseguir passar no exame da OAB. Mas passou. Ainda hoje procuram uma explicação para o caso.

Crisólido montou um escritório e ficou bolando uma maneira de ganhar nome no complexo mundo do Direito. Botou anúncio nos jornais, pagou notas em rádios, pintou as canecas. Até que, finalmente, surgiu na sua frente aquele que parecia ser o primeiro cliente. O advogado já estava preparado. Assumiu o ar de pessoa bastante ocupada, fez sinal para que o visitante esperasse um momento e fingiu que estava respondendo a um telefonema importante e urgentíssimo:

– O quê? Ah… sinto muito, senador, mas não é possível mesmo! Hein? Amanhã cedo? Não, não posso! Tenho duas audiências importantíssimas no Tribunal de Justiça e à tarde dou aulas em três faculdades. Hein? À noite? Oh, à noite estarei viajando à Brasília, onde terei um debate com ministros do Supremo Tribunal Federal. Sinto muito, senador.

Depois que bateu o telefone, virou-se para o visitante e disse:

– Mil ocupações, amigo! Essa vida atribulada me cansa. (Pausa) Mas… no que posso serví-lo?

E o visitante, bem humilde:

– Se o senhor me der licença, doutor…

– Oh, claro! Pois não…

– … eu gostaria de instalar o seu telefone!

 

 

Defeito de linguagem

 

Teresa Deusdete, mulata lindíssima e tremendamente gostosa, teve sorte na vida. Nascida e criada no Jacintinho, ela arrumou um namorado alemão, que viera à Maceió na qualidade de turista, e com ele se casou, ao cabo de dois meses.

Teresa e Dieter Hoffleuder foram morar em Frankfurt.

Dias atrás, completados dois anos de casados, eis que Teresa e Dieter retornaram à Maceió “para matar as saudades e rever amigos”. O casal aproveitou para se esbaldar na praia e na farra.

Numa dessas farras a morena reencontrou o antigo vizinho Aristóteles (o Tota), que inventou de promover uma feijoada, em seu sítio no Barro Duro, para homenagear a velha amiga e o marido. Comeram e beberam à vontade.

Horas mais tarde, o alemão começou a reclamar de uma tal de cólica, que terminou numa disenteria da moléstia. E haja o Dieter a “mijar” pelo fiofó, que nem pato e galinha! Sua situação foi se complicando, até que tomaram a iniciativa de levá-lo ao posto médico que ficava perto.

E Dieter, num português muito complicado, começou a explicar ao doutor:.

– Herrr doctorrr, eu comer fechoada no casa do Tota, depois trepar no Terraça e me zentirrr muita mal…

O médico ficou sem entender direito o que o galego estava dizendo . Mas a zelosa esposa deste, a boazuda Teresa, tratou logo de traduzir:

– É o seguinte, doutor… Meu marido disse que comeu uma feijoada na casa do Tota. Bem… depois, tomou uma caipirinha. E meu nome não é Terraça. É Teresa!

 

 

Que susto no vigário!

 

O farmacêutico Paulo Nascimento é um tremendo gozador. Hoje aposentado, continua tirando onda com a cara de muita gente. Uma das mais complicadas, foi aquela que envolveu uma freira e quase matou um padre do coração. Esse fato circulou pelo país inteiro, em tom de anedota. Ainda bem.

A história é a seguinte, e principia quase pelo fim:

Começo de noite, cansado do vai-e-vem do atendimento ao público, encontrava-se o Paulo, repousando numa cadeira de balanço, instalada na sua farmácia. Ele alisava o farto bigode e estava quase cochilando, quando surgiu a superiora de um grupo de missionárias religiosas, que lhe passou uma reprimenda:

– Olhe aqui, senhor Paulo, foi de péssimo gosto a brincadeira que o senhor tirou com a irmã Angélica, dizendo que ela estava grávida!

E Paulo, tentando se justificar:

– O caso é que ela estava com um soluço danado, que não queria parar de jeito nenhum! Aí, resolvi dar um sustinho nela. Só isso! Acho que não foi nada demais!

E a superiora, ainda mais indignada:

– Não foi nada para o senhor. O padre Aristeu quase morreu de infarto!

 

Com Diego Villanova