Ailton Villanova

6 de novembro de 2019

O mudo não falou!

Bom sujeito, trabalhador incansável, o sertanejo Sebastião Elói casou-se com a donzela Amaralina e com ela teve, logo de saída, uma dupla de gêmeos. Os garotos eram tão idênticos, mas tão idênticos, que até os próprios pais tinham dificuldade em distinguir um do outro. Apenas um detalhe facilitava a identificação: é que um deles, o Severino, era surdo-mudo. O outro, Raimundo, falava até demais.

Em razão disso, Sebastião Elói vivia numa tristesa enorme. Tudo o que pudesse fazer para ouvir o Severino pronunciar ao menos um “ai”, ele faria.

Um dia, viajando de onibus a Arapiraca, ele escutou no radinho de pilha do passageiro ao lado, que no interior de São Paulo havia uma santa produzindo milagres. Dizia a notícia que dita santa já tinha feito cego enxergar, aleijado andar e mudo falar. Aí, Sebastião Elói ficou agoniado. Desceu do coletivo no maio do caminho, pegou outra condução de volta pra casa, em Água Branca, e quando chegou lá, tratou de reunir todas as suas economias, correr para Paulo Afonso e comprar as passagens, dele e do filho, para São Paulo.

Sebastião e o mudinho pegaram o avião no aeroporto daquela cidade baiana, deixando a família do lado de cá na maior expectativa, e rumaram para a capital bandeirante.

No meio da viagem, a mais de 13 mil metros altura, pai, filho e demais passageiros começaram a passar por momentos de terror. É que a aeronave havia entrado num vácuo e começara a sacolejar. Com o susto da súbita iminente queda, o garoto, que viajava sentadinho e bem caladinho ao lado do pai, abriu no berreiro:

– O avião vai cair!

Sebastião tomou aquele choque quando escutou o filho amado falar. Em seguida, abriu também o bocão:

– Milagre! Milagre!

Tomado de euforia, contou sua história para todo mundo no avião. Os passageiros e a tripulação começaram a comemorar o acontecimento. Afinal, milagres não se registram todos os dias. O champanhe rolou adoidado.

Quando Sebastião e o garoto desembarcaram em Guarulhos (de onde rumariam para Botucatu, local onde a santa estava fazendo milagres), a notícia já se antecipado a eles. Jornalistas de jornais, revistas e de tudo era de emissoras de rádio e televisão se acotovelavam no aeroporto. E haja entrevistas. E o garoto tagarelando adoidado.

Depois de três dias de mordomia e festança, o eufórico Sebastião se lembrou de telefonar pra casa:

– Aconteceu o milagre, Amaralina! O Severino falou! Aliás, ele continua falando sem parar! E nem precisou a gente chegar perto da santa!

E dona Amaralina:

– O Severino não falou coisa nenhuma, seu alvoroçado! O coitadinho está aqui ao meu lado. Na sua pressa, você levou foi o  Raimundo!

 

 

Joelhos beleza

 

Anão muito querido em Olho D’Água das Flores, Nezinho de Dudé nunca tinha visto o mar, mas nunca deixou de alimentar o sonho de um dia conhecê-lo. Um dia, já com quase 40 anos de vida, ficou sabendo que tinha um circo de passagem por sua cidade e que a sua próxima parada seria Maceió. Aí, ele vibrou, porque viu aí a grande oportunidade de sua vida.

Nezinho de Dudé arrumou um emprego no circo, despediu-se da família e embarcou com a trupe para a capital, vibrando de alegria.

A primeira coisa que ele fez assim que pisou em solo maceioense, foi correr para a praia da Pajuçara, onde, extasiado, ficou reparando aquele marzão cheio de garotas bonitas, sensacionais. Na volta ao circo, cheio de contentamento, um dos trapezistas indagou-lhe:

– E aí, anãozinho, que tal a praia?

E ele, olhinho brilhando de felicidade:

– Uma beleza! Cada joelho!

 

 

Bonequinha cruel

 

De volta de uma viagem ao Japão, o contador Demócledes, todo orgulhoso, exibiu para o colega Bidionáques a nova sensação da Ásia: uma boneca-secretária inflável.

– Ela é fantástica, meu! Vem com processador Pentium III, 600 MHz e faz tudo: redige cartas, faz a contabilidade, anota recados…

– E quanto ao sexo?

– Incrível! Nem te conto! Leva ela pro banheiro e experimenta!

Todo afobado, o Bidionáquio se trancou no banheiro com a boneca. Daí a pouco, ouviu-se um pavoroso grito de dor.

Demócledes bateu na testa e exclamou:

– Putaquipariu! Esqueci de avisar ao cara que a boca dela é um apontador automático!

 

 

O louro encantado

 

Desesperadona, a balzaca Criméia andava subindo pelas paredes. Precisava urgentemente de… digamos assim… um caboco muito macho pra lhe tirar do sufoco. O fato é que ela endava enferrujada há décadas.

Preocupada com ela, uma sua vizinha a aconselhou procurar Madame Odulpha, uma cartomante que tinha a fama de competente, para lhe lhar uma dicas.

A velhota jogou as cartas e disse:

– Estou vendo aqui uma coisa muito especial… Huuummm!

– Alguém?

– Sim, é. Esse alguém especial vai entrar na sua vida.

A balzaquiana vibrou!

– E como é ele? – perguntou.

– Louro, muito simpático e falador.

– Ah, meu Deus! É o meu principe encantado?

– Não. É um papagaio.

 

 

Matou a véia!

 

Incumbidos pela professora de Higiene e Saúde, alunos de determinada classe de famosa escola têm que cumprir a tarefa de levar à sala de aula, na manhã seguinte, algum instrumento que os médicos utilizam no exercício de sua profissão.

A professora começou a cobrar:

– Marcelinho, o que você trouxe?

– Um bisturi, professora.

– E para que serve o bisturi?

– Para fazer cirurgias. Meu pai é médico.

– Muito bem! Aninha, o que você trouxe?

– Uma seringa!

– Quem é médico na sua família?

– Minha tia.

– E para que serve uma seringa?

– Para aplicar injeção.

– É isso aí! Sidclay, o que você trouxe?

– Um tubo de oxigênio.

– Quem é o médico na sua família?

– Ninguém!

– E como você conseguiu isso, menino?

– Com a minha avó!

– E ela não disse nada?

– Disse… “Socorro!!!”

 

Com Diego Villanova