Ailton Villanova

8 de outubro de 2019

Só resta mesmo amolar o boi!

Pertinho do meio-dia, um certo José Miroslávio entrou no Bar e Restaurante Eureka pisando firme e de peito estufado. Pegou uma mesa e disse para o Lima, o garçom:

– Ô meu filho, manda ver um bife de carne de boi, tá falado?

– Falou! – concordou o garçom.

Minutos depois, eis que aterrissa no prato do freguês o bife solicitado. O cara tentou cortá-lo, mas, de primeira, não conseguiu. O bife estava duro que nem pneu!

– Ei, garçom! – gritou o Miroslávio. – Esse bife tá impossível de comer! Parece que é feito de pedra!

– Engano, meu chefe. – replicou o garçom – O bife tá uma beleza. É de boi novo, zerado. O que tá ruim é a faca que eu lhe dei. Espere um minutinho, que eu vou lá dentro pedir pro Pedrão amolá-la. É vapt, vupt!

O garçom aproveitou o ensejo para pronunciar um longo discurso enaltecendo as qualidades do bife. Acabou, pegou a faca e levou para ser amolada pelo Pedrão, na cozinha. Voltou, falou:

– Prontinho! Aqui está a sua faquinha amoladinha!

Miroslávio pegou a faca, esfregou no bife pra lá e pra cá… Nada!

– O bife continua duro, garçom! – reiterou o freguês.

– Não, não e não, meu chefe! A faca é que continua mal amolada. O Pedrão não caprichou no serviço.

– Não é a faca! É bife que está duro, rapaz! – insistiu o freguês.

– É a faca, sim! Me passe ela aqui que eu, pessoalmente, vou amolar essa infeliz, mais uma vez! – persistiu o garçom. – Fique frio!

– Mas é o bife…

– É a faca! A faca, entendeu? Quer fazer o favor de me passar essa droga de faca?

E a discussão continuou por mais uns quinze minutos, até que o cliente perdeu a calma:

– Peraí, porra! Deixa essa bubônica de faca aqui, pronto!

E pegando o prato com o bife, colocou-o na mão do teimoso garçom, acrescentando:

– Pra esse problema só há uma solução: deixe a faca aqui comigo e vá lá dentro amolar o boi!

 

Possibilidade explosiva remota

No aeroporto do Recife agentes federais descobriram uma bomba dentro da bagagem de mão de um passageiro português.

– Está preso, seu terrorista! – berrou o agente que o flagrara.

Foi aquele alvoroço!

Perdidão no meio de um monte de federais, o lusitano se defendia:

– Eu não sou terrorista! Eu sou um matemático!

– E daí? – indagou um dos federais, doido pra dar um pau no coitado.

– Sou matemático, e por isso eu levo uma bomba comigo nas viagens aéreas. Questão de segurança, ô pá!

– Que segurança que nada!

– Claro que é! Ora, pois, se a possibilidade de haver um gajo com uma bomba dentro de um avião é remota, duas bombas então é impossível!

 

Pra dançar é uma beleza!

Num barzão daqueles de margem de estrada, dois matutos das parágens sertanejas de Dois Riachos (terra da Marta, raínha mundial do bate bola) biritavam numa boa e mastigavam tira-gosto de tripa de bode com farinha. Em dado momento, um deles encarou o outro e perguntou:

– Ô cumpade Demézo, vosmicê arreparô naquela reportage da televisão sobre o praneta Marte, qui passô no dumingo?

– Arreparei não, cumpade Ziza. Qui foi qui acunticeu?

– Diz qui os astrunauta americano qui fôro lá im Marte, tiráro um monte de retrato de marciano e marciana. O Incríve, cumpade, é qui as mulé de lá tem a bunda na frente e os peito atráis!

– Iiihh! Mas qui horríve, cumpade!

– Pode ser horrível pra vosmicê, mas pra dançá é munto bom dimais!

 

Baianinho americanizado e imbecil

Valdinho Tiógenes, baiano baixinho, meio careca e gay exibidíssimoo, é muito conhecido em Salvador como Flozinho, ou Foló. Certa feita, viajou aos Estados Unidos, onde tentou trabalhar como auxiliar de cozinha. Demorou-se por lá uns dois meses, mais ou menos. Na volta, quando desembarcou no aeroporto internacional de Salvador, muito eufórico, dirigiu-se ao coleguinha Valdinho, que o aguardava de braços abertos. Beijou-o nas bochechas e desabafou emocionado:

– Ai! Voltei, meu principe! Num guentava mais as saudades de maínha! Mas será que ela vai me reconhecer com este sotaque americano?

 

A mulher do fazendeiro 

Na tradicional feira de gado de Dois Riachos, um fazendeiro ricão e boçalzão da região sertaneja, examinava uma cabrita: apertava suas coxas, espremia as tetas e passava a mão entre as pernas dela. Ao seu lado, o filhinho mais novo, Cazuzinha, perguntou, cheio de curiosidade:

– Ô pai, por que o senhor tá apertando a cabrita desse jeito?

E ele:

– É que eu tô pensando em comprá-la, sabe? De modo que tô testando pra ver se suas carnes dela estão rijas.

– Ah, pai, então eu acho que o seu Severino do armazém tá querendo também comprar a minha mãe!

 

Uma sogra bem demais!

Comadre Antomásia encontra compadre Generino em plena feira livre de Palmeira dos Indios e haja papo! No meio da conversa, a madame perguntou ao compadre:

– E dona Quininha, sua sogra! Como vai ela?

– Ah, dona Quininha caiu dentro da cacimba, está com mais ou menos duas semanas…

– Valei-me meu padrinho Cícero! E como está ela?

– Acho que agora ela está bem. Desde ontem que não grita mais por socorro!