Antônio Pereira

19 de setembro de 2019

Como é viver sem assistir TV aberta no Brasil

Há muitos anos decidi não mais assistir TV aberta no Brasil. Os programas de auditório (Faustão, Sílvio Santos, Rodrigo Faro, Gugu… ), todos não me motivavam. Achava chato, irritante, cópias de programas gringos, sem a mesma qualidade, com um quê de breguice. Não gostava.

Com relação aos jornais televisivos a coisa era ainda pior. Uma indústria de versões de um só lado e um jornalismo meramente declaratório, a reboque dos jornais impressos e das revistas. Como jornalista, aquilo me dava asco, ficava irritado por ‘ver por trás da matrix’. Sabia quando ia aparecer determinada ‘bomba’ jornalística numa profusão de clichês, onde supostos repórteres apenas reproduziam textos muitas vezes revistos por inúmeros chefes. Sim, para cada repórter tem, pelo menos, três pessoas (chefes) que mandam nele/nela. Assim é feito o jornalismo brasileiro.

Pois é, incrível eu, um jornalista simplesmente detestar o jornalismo praticado no meu país. Lembro de uma passagem quando eu era vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas e estávamos lutando para criar o Conselho Nacional, quando fui contactado por um repórter de uma revista nacional. Ele me fez uma série de perguntas, muitas delas em tom inquisitorial. Tentei argumentar, falei, falei. Aí o colega me fez parar e num tom amigável disse: ‘sei das suas posições, mas de colega para colega: essa matéria é para ferrar vocês da Fenaj, foi a ordem que recebi. Assim, agradeci a sinceridade do colega e desliguei o telefone. Foi um dos dias mais tristes da minha vida de jornalista.

Sabendo de tudo que sei, decidi num belo dia que não mais iria me torturar assistindo telejornais, nem lendo determinadas revistas. São queria mais ler aquelas matérias toscas, eivadas de ódio, sem praticamente o menor embasamento jornalístico sério.

Lá se vão muitos anos. Não sei quem são os atores que fazem sucesso atualmente nas novelas. Não sei como está Willian Bonner, acredito que mais grisalho. Acompanho os acontecimentos da minha época pela internet. Acesso praticamente todos os grandes portais de notícias. Leio blogs de todas as vertentes políticas. Me divirto sobremaneira com alguns canais do Youtube. Assim sigo sendo um ex-telespectador de tevê aberta.

Posso dizer, com toda certeza de que sou mais feliz assim. Sobrevivi por anos sem a toxidade das matérias globais e também das fabricadas pelas outras emissoras.