Ailton Villanova

19 de setembro de 2019

Eita família feia!

Domingo de prévia carnavalesca na Pajuçara. Lá se encontravam, em meio a milhares de pessoas, na platéia, os amigos Anfilóquio Passos e Carnoberto Pontes. Calor insuportável, a folia pegando fogo, todo mundo se balançando ao som da orquestra de frevos que puxava o desfile do primeiro bloco constante da lista de outros que viriam a seguir. De repente, o Carnoberto apontou para a arquibancada e falou pro colega:

– Meu irmão, veja só que máscara horrível aquela mulher alí está usando!

E o Anfilóquio:

– Não é máscara não, bicho!

– Como não é? Uma cara pavorosa daquela não pode ser verdadeira. Só pode ser máscara!

– Pois não é. Aquela é a minha irmã mais velha.

Aí, o Carnoberto quís consertar a mancada. Todo sem jeito, virou-se pro amigo e disse:

– Rapaz, estou falando daquela de vestido roxo, que está ao lado  da sua irmã. Puxa, vá ser feia assim na putaquipariu!

– Ah, aquela é a minha outra irmã. A do meio.     Carnoberto quase foi ao desespero. Mas tentou outra saída:

– Eu falei a de roxo, foi?

– Foi.

– Pois eu me enganei. Estou me referindo àquela da cara de cavalo, que está entre as duas…

– É a minha irmã mais nova.

– E a que está um pouco mais acima?

– É a minha mãe.

Sem ter mais para quem, ou para o quê apelar, Carnoberto não teve outra alternativa senão a de desabafar:

– Meu amigo, pelo amor de Deus queira me desculpar… mas vá ter uma família horrorosa assim na casa da peste!

 

 

A primeira vez

 

O delegado de polícia civil Juracy César e Silva era o titular de Acidentes de Trânsito da Capital e presidia uma das rotineiras audiências entre as partes envolvidas num atropelamento.

O acusado, Mileribaldo Mancuso, defendia-se perante a autoridade policial:

– Sempre fui um motorista cauteloso, doutor. Basta dizer ao senhor que tenho mais de 20 anos de carteira e esta é a primeira vez que embarro em alguém na via pública.

Aí, a vítima, identificada como Lucindo Custódio, invadiu o papo, sem pedir aparte e nem nada:

– Grande coisa!. Pois fique sabendo o senhor e o doutor aqui presente, que eu sou pedestre há mais de 47 anos e esta é a primeira vez que sou atropelado!

 

Baixinha danadinha

 

A pequenininha Tercila Cabral, telefonista de determinada empresa de comunicação alagoana, encontrava-se sentadinha na porta de casa, toda comportadinha, perninhas rolicinhas balançando. Ao lado, o namorado, um sujeito com toda pinta de tarado, olhando pra ela com cara de boi brabo quando vê pano vermelho.

No céu, passeava uma lua linda e os dois sem assunto nenhum pra entabolar um papo firme. De repente, o cara se virou para a Tercilinha e perguntou:

– No que é que você está pensando?     E a baixinha:

– No mesmo que você, ora!

O namorado abriu um riso safado:

– Você é bem assanhadinha, hein, baixinha?

 

Pregos andarilhos

 

Madame Euclísia recebia visitas em casa. Eram antigas amigas dos tempos de faculdade, que haviam ido convocá-la para compor a comissão organizadora da festa dos 10 anos de conclusão do curso de Letras.

E lá estavam a ilustres senhoras traçando planos para o evento, quanto entrou na sala o filhinho caçula de Euclísia, aos berros:

– Maííínhaaa, maííínhaaa!

– O que foi meu anjinho? – indagou a anfitriã preocupada.

– Maínha, tem um carrapato bem grande andando na parede do seu quarto!

E ela, escabriada:

– Ah, filhinho, não é carrapato, não. É um prego. Vá brincar!

O menino foi, mas logo voltou correndo:

– Maiíínhaaa…

Dona Euclísia antecipou-se, enérgica:

– Já disse que é um prego, meu filho!

Com mais veemência, o garoto prosseguiu:

– Agora, maínha, tem um monte de pregos andando na parede do seu quarto!

 

Sorte de corno

 

O Percinobaldo parou o carro na porta do bar do Coriolano “Cachaça” (ele vende uma garrafa e toma duas), desceu aos pinotes esfregando as mãos, numa felicidade incrível. Aproximou-se do balcão e falou pro Coriolano:

– Amizade, botaí um uísque duplo, que eu quero comemorar o maior lance de sorte da minha vida!

E o Coriolano:

– Qual é marca que o amigo vai querer?

– Eu quero o melhor uísque que tiver na casa. Meu negócio é comemorar!

Coriolano ficou curioso com a euforia do camarada. Não custava nada perguntar o porquê.

– Por acaso o amigo ganhou na Sena?

– Não!

– Na Loto?

– Na Tele-Sena?

– Também não.

– E por que essa alegria toda?

– É que eu escapei de uma boa. Peguei uma nega, me mandei com ela pro motel e curti o maior barato. Na saída, aconteceu aquele lance de sorte. Por questões de segundo minha mulher, que é braba virada no cão, não me flagrou. No fui saindo do motel, gelei! Ela foi entrando com um cara que nunca via na vida. Vá ver é colega de repartição dela. Foi sorte ou não foi?